Ana Roldão: “Só trabalhamos com produtos de primeira linha e damos preferência para a indústria nacional e os artesãos de Petrópolis”.




Fotos: Henrique Magro


Negócios nas alturas

Sexagenário de sucesso

    Aos 60 anos, o Museu Imperial, residência de verão de Pedro II, testemunha de importantes acontecimentos históricos, é hoje exemplo de marketing cultural bem-sucedido. Sua marca vende. E vende bem. Mensalmente, turistas de todo o Brasil e do mundo compram cerca de quatro mil peças - entre tecidos, prataria, cristais e material de papelaria – de um rol de 300 produtos, com o desenho do Palácio em estilo barroco-rococó estampado. E as iniciativas para alavancar ainda mais sua imagem institucional não se restringem à venda de lembranças para visitantes.
    “Ampliamos a loja de suvenires com projeto assinado por Bel Lobo, que fez, entre outros, a Livraria da Travessa e o restaurante Bazzar, no Rio, e aumentaremos para 400 o número de produtos; lançamos uma linha de geléias exóticas para gourmets; criaremos um cyber café cultural; vamos inaugurar um pavilhão com fotografias feitas por Pedro II, onde o visitante poderá ser fotografado trajando vestimentas de época; e lançaremos um livro de receitas baseado na gastronomia do século XIX”, antecipa a responsável pela Área de Negócios do Museu Imperial, Ana Roldão.
    Formada em história, com especialização em marketing cultural e MBA em marketing, Ana lançou mão da experiência profissional adquirida em museus e centros culturais para criar, em 1998, a área de negócios e o espaço gastronômico do Museu Imperial. Na bagagem trazia passagens pelo Instituto Português de Patrimônio Cultural, em Lisboa, e, no Rio, pelo Centro Cultural Banco do Brasil e o Museu da República, nos quais trabalhou com imagem institucional. Quando assumiu o cargo, a variedade de produtos com a marca do Museu chegava a 100. Hoje existe uma linha de cristais de Blumenau, objetos de estanho produzidos em São João Del Rey, peças em couro e metais confeccionados em Petrópolis. “Só trabalhamos com produtos de primeira linha e damos preferência para a indústria nacional e os artesãos de Petrópolis. Inclusive, todos as peças têm uma relação com a história imperial”, explica.
    No cardápio do espaço gastronômico, que inclui restaurante, casa de chá e cafeteria, Ana inseriu pratos inspirados na gastronomia do século XIX, com base no que era consumido pela família imperial. “Temos compromisso com a cultura e a educação. As pessoas vêm aqui aprender um pouco sobre a história do País”, justifica. A pesquisa que auxiliou a montagem do cardápio, e que será mote para o livro sobre gastronomia e os rituais da mesa na Casa Imperial, foi feita a partir dos ‘cadernos de mordomia’, pertencentes ao acervo do Museu, nos quais constava tudo que era comprado, na época, para a cozinha. “Comia-se quilos de talharim, muita alcaparra e sorvete”, revela Ana. A iniciativa é inédita entre os museus brasileiros e prova que, aos 60 anos, o Museu Imperial é símbolo de modernidade.








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