Yara Valverde é Chefe da APA-Petrópolis







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Fotos: Henrique Magro


Preservação

O desafio é de todos

    Uma área de proteção ambiental detentora de riquezas naturais inestimáveis e únicas, testemunho da história imperial brasileira, com vocação para agricultura sofisticada e gastronomia, porém ocupada por mais de 200 mil pessoas. Como administrá-la e preservá-la?
    “Colocando em prática a gestão participativa, em que todos os segmentos sociais, do poder público às associações de moradores e empresários, trabalhem pelo desenvolvimento sustentável da região”, responde a bióloga Yara Valverde, chefe da primeira e mais complexa área de proteção ambiental brasileira, a APA-Petrópolis. Criada em 1982, a APA-Petrópolis abrange parte dos municípios de Petrópolis, Magé, Duque de Caxias e Guapimirim, num total de 59.049 hectares. Na prática, funciona como um tampão que impede a degradação dos recursos naturais, uma vez que 50% de sua área está coberta por Mata Atlântica. Além disso, é pioneira na gestão participativa. Seu Conselho Gestor, criado em 1997, é hoje formado por 78 entidades civis, cujos representantes se reúnem para planejar ações de educação e de recuperação ambiental, desenvolvimento sustentável e preservação do patrimônio. “Para auxiliar esse trabalho, o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) trouxe para a APA-Petrópolis a mais alta tecnologia de gestão ambiental”, conta Yara. Essa tecnologia permitiu a conclusão, ano passado, do Zoneamento Ambiental da APA-Petrópolis, feito em parceria com o Instituto Ecotema, trabalho que identificou e cartografou os atributos ambientais, as características sócioeconômicas e a vulnerabilidade natural da região. “O Zoneamento indica para onde a cidade deve crescer e o que precisa ser recuperado. Além disso, serve de instrumento para o poder público e a sociedade civil planejarem o desenvolvimento sustentável”, ressalta a bióloga. Ela cita ainda dois exemplos de bem-sucedida gestão participativa.
    O primeiro é o bairro de Cascatinha, o mais populoso de Petrópolis. A região guarda a reserva biológica da Alcobaça, onde está o manancial de água que abastece a comunidade. “Lá, há 20 anos os moradores fazem aceiro ao redor da reserva para protegê-la das queimadas, uma ameaça às espécies, principalmente nesta época do ano”, aponta a bióloga. Outro exemplo é o do condomínio Quinta do Lago, entre Araras e Fazenda Inglesa.
    “Quando os empreendedores nos solicitaram a aprovação do projeto, informamos que ali era o único lugar do planeta onde ocorria uma espécie única de bromélia. Hoje o condomínio protege a área. Não adianta criarmos santuários, precisamos informar as pessoas para que os impactos ambientais não inviabilizem a sobrevivência humana”, ensina.
    A consagração da parceria como solução para a APA-Petrópolis veio este ano, com a construção da sede da entidade, em Itaipava. A obra saiu do papel com o apoio de uma empresa privada especializada em construções ecológicas, em conjunto com a Prefeitura de Petrópolis e o IBAMA. “A casa é um marco visível de nossa missão”, explica Yara.
Tais ações poderão fazer com que a APA-Petrópolis alcance o nível de desenvolvimento sustentável dos parques nacionais franceses. “Este ano criaremos um selo de procedência dos produtos e serviços da APA-Petrópolis, nos moldes do que existe na região de Provence”, antecipa. Com a certificação, produtores rurais, donos de pousadas e restaurantes, comerciantes e empresários confirmarão que seus produtos e serviços seguem normas de proteção ambiental, assim como ocorre na França. “A certificação também promoverá o envolvimento desses agentes na definição dos rumos da APA-Petrópolis”, completa Yara. Bom para o município, melhor para todos.

Alerta - Queimada é crime ambiental
O inverno é a estação em que a incidência de queimadas e incêndios florestais é maior. Tais acidentes colocam em sério risco o abastecimento de água e a existência de espécies da APA-Petrópolis, entre outros danos ao meio ambiente, e comprometem a qualidade de vida das gerações futuras. Época de estiagem, de pastagens secas, é quando toda a população deve redobrar os cuidados para evitar o alastramento do fogo, que muitas vezes começa com uma ponta de cigarro atirada de um carro, ou com a queima do lixo doméstico e de resíduos verdes. Colabore.


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