galinha d'Angola


Antenor (à dir.) e seu filho Marcelo comercializam cerca de três mil aves por mês






Avestruz


Sylvia, Ricardo e os casais de avestruzes: o valor de um filhote para recria chega a R$ 1.300

Fotos: Henrique Magro


Mundo Animal

Nobres & charmosas

    Elas são originárias da África, têm bela plumagem e carne saborosa. Encontradas em restaurantes requintados, chegam à mesa por cifras muito além das ostentadas por suas parentes mais próximas. Mas as semelhanças entre ambas param por aí. A começar pelo tamanho. Uma se parece com uma galinha comum, outra é a maior ave do planeta, não voa, porém alcança velocidade de até 60 km/h. Aliás, seria extensa a lista de diferenças entre a galinha d’angola e a avestruz, espécies criadas em Petrópolis, nos distritos de Pedro do Rio e de Posse.
    A galinha d’angola é bastante conhecida pelo inconfundível som que emite. Muito barulhentas, essas aves vivem agrupadas, e basta uma seguir um rumo para que todas corram na mesma direção. Sensíveis ao frio, tanto que, quando filhotes, requerem aquecimento durante o inverno serrano, bebem somente água potável, consomem ração de engorda ou de postura (caso a meta do criador seja colher ovos) e precisam receber medicamentos contra doenças e vermes na fase de crescimento, apesar de bastante resistentes quando adultas. O macho, mais parrudo, diferencia-se da fêmea pelo tamanho da cabeça, dos chifres (parte óssea próxima à cabeça) e da barbela (pele que pende do pescoço).
    Há cinco anos, Antenor Melo de Souza cria galinhas d’angola em Pedro do Rio. Tem hoje em torno de quatro mil aves, que são revendidas para aviários credenciados em todo o Estado, ou encaminhadas para abate, se o número de aves em idade para venda exceder a demanda dos aviários. Um dos quatro maiores criadores do Rio, dono de uma empresa de distribuição de carnes nobres e exóticas, Antenor chega a comercializar, mensalmente, três mil aves vivas, a R$ 20 cada. “Elas são ótimas para se criar em jardins, pois comem formigas, baratas, até cobras, além de serem muito bonitas também”, ressalta. Já a ave abatida e congelada é vendida a R$ 25 para restaurantes requintados do Rio e de Petrópolis.
    Em seu sítio, Antenor preferiu dedicar-se à engorda do plantel, até que as aves estejam prontas para a revenda e o abate – entre 70 e 90 dias de idade, quando atingem cerca de dois quilos. Para isso, ele compra os filhotes de criadores do Mato Grosso do Sul e de Fortaleza. “Eles fazem a inseminação artificial das fêmeas para fertilizar os ovos, o que exige cuidados específicos”, explica. Como o volume de criatórios nacionais ainda é reduzido, Antenor vem mantendo clientela certa para a compra da galinha d’angola.
    A criação de avestruzes envolve cifras maiores. Sylvia Bichara e Ricardo Jeske, proprietários de uma fazenda no distrito de Posse, entraram nesse mercado há dois anos, quando compraram, em São Paulo, três casais com pedigree. “A avestruz é cara e requer diversos cuidados quando filhote. Uma ave adulta chega a custar R$ 8 mil”, conta Sylvia. Avaliando-se a composição nutricional da avestruz, compreende-se o porquê de sua valorização. Segundo pesquisa do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), sua carne apresenta gordura, colesterol e calorias em quantidades menores que a do frango e a do peru. Semelhante em cor, sabor e textura à carne bovina, contém 2/3 menos gordura que esta, dependendo do corte.
    Outra vantagem da avestruz em relação ao boi é o tamanho do pasto. Para se ter uma idéia, a área em que pasta apenas um boi abriga entre 20 e 30 avestruzes, o que reduz o risco de desmatamento do espaço em que será distribuído o plantel. Além disso, o couro, as penas e os cílios das aves são altamente valorizados nos mercados da moda e de cosméticos. Uma curiosidade: o ovo da avestruz equivale a 25 ovos de galinha.
    Como o rebanho nacional ainda é bastante reduzido (cerca de 100 mil aves, aproximadamente), criar avestruzes para a revenda de matrizes é a opção de muitos criadores, como Sylvia e Ricardo, pioneiros em Petrópolis. Para ilustrar, o valor do filhote para recria é mais vantajoso que o preço da ave adulta para abate. “Atualmente, um filhote de três meses chega a ser vendido por R$ 1.300, enquanto a ave adulta para abate é vendida por R$ 1 mil. Já um casal de reprodutores pode ser vendido por até R$ 16 mil”, acrescenta Ricardo. E completa: “ao longo de sua vida produtiva, que perdura por 35 anos, a avestruz pode gerar até 900 filhotes”. Na ponta do lápis, a avestruz abre novas possibilidades para o mercado de criação de aves no Brasil.


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