De cima para baixo; que graxa, que nada. Oficina da A.Mattheis, em Petrópolis, é sinônimo de organização, limpeza e alta tecnologia.
Interior de um carro da Stock Car: sentado, o piloto fica quase como se estivesse no banco de trás de um carro comum.
A estrutura tubular do carro da Stock Car é a mesma para todas as equipes.


Fotos: Henrique Magro e divulgação


Especial

Petrópolis no "circo" da
Stock Car

    Tudo começou com a Petrópolis Competições. No final dos anos 80, o empresário Wulf Seikel e o preparador Mauro Vogel uniram-se ao piloto Adreas Mattheis para montar a primeira grande empresa no ramo automobilístico da cidade, para atuar inicialmente na categoria Marcas e Pilotos. Alguns anos depois, o consultor técnico Jorge de Freitas e o piloto Duda Pamplona se agregaram ao time, que passou a participar também da Fórmula Ford. O que talvez eles não imaginassem é que, nas décadas seguintes, os cinco partiriam em vôos solo para compor as equipes de Petrópolis na Stock Car, a maior competição automobilística do País.
    Hoje, essas equipes confirmam a vocação da Cidade Imperial para o automobilismo não só porque foram escolhidas por pilotos como Ingo Hoffmann e Sandro Tannuri (JF Racing), Guto Negrão e Antônio Jorge Neto (A.Mattheis Motorsport), Alceu Feldmann Filho (RS Competições), Thiago Camilo e André Bragantini (Vogel Motorsports) e Duda Pamplona (Bassani Pamplona). Os chefes de equipe também conferem prestígio e respeitabilidade ao automobilismo brasileiro e, conseqüentemente, dão notoriedade à cidade. Se não bastasse isso, a mão-de-obra empregada pelas equipes, entre mecânicos, pintores e soldadores, o que representa mais de 100 profissionais, é contratada aqui.
    O tetracampeão brasileiro de Marcas e Pilotos, Andreas Mattheis, há 10 anos na Stock Car e chefe de equipe da A.Mattheis, atribui à imigração alemã o fato de Petrópolis ter vocação para mecânica. “Acredito que os colonos contribuíram para a qualificação da mão-de-obra local”, ressalta Andreas. A alta tecnologia e a capacitação dos funcionários podem ser conferidas na oficina da equipe, em Petrópolis: os galpões, limpos e super organizados (o piso, acreditem, é branco) deixam no passado a idéia de graxa por todos os lados.
    Há 33 anos no ramo automobilístico, Mauro Vogel, pioneiro na atividade em Petrópolis, explica por que a cidade é referência para o segmento. “Temos já uma geração de mecânicos que não conhece carro de rua, só de automobilismo”, afirma. Apesar disso, segundo ele, na Stock Car a habilidade do piloto é que faz a diferença. “Tem muita disputa de posição, pela igualdade entre os carros. Nesse momento, o que conta é a experiência e o talento do piloto”, acrescenta Mauro.
    De fato, as corridas com carros de turismo (cujas carrocerias são semelhantes às dos veículos de passeio) são uma das mais competitivas do mundo do automobilismo. E a categoria tem na Stock Car brasileira uma representante de excelência. Pilotos de primeira linha, equipes bem estruturadas, marketing esportivo elaborado, patrocinadores de peso e transmissão ao vivo (de 7, das 12 competições da temporada anual) pela Rede Globo tornam o Campeonato Brasileiro de Stock Car um campo em franca expansão, com excelentes oportunidades para os pilotos nacionais.
    “A nossa Stock Car, cópia da americana, é uma categoria agressivamente competitiva. Temos às vezes mais de 20 carros correndo com a mesma cronometragem de tempo”, conta Jorge de Freitas, dono da JF Racing, instalada em Itaipava há 10 anos. Ex-piloto premiado em diversas categorias do automobilismo nacional, Jorge atribui tamanha disputa às próprias regras do esporte.
    Diferentemente da Fórmula 1 em que, em geral, a equipe mais rica se sobressai às demais, na Stock Car os motores V8 da Chevrolet são montados nos Estados Unidos, testados em São Paulo por uma empresa autorizada e lacrados. Daí são sorteados entre as 20 equipes brasileiras, que os testam nas pistas dois dias antes das corridas, que acontecem aos domingos. “É quando entra o talento dos pilotos e a capacidade de cada equipe para ajustar os carros e torná-los mais competitivos”, explica.
    Na opinião de Elio Seikel (filho de Wulf Seikel), da RS Competições, o fato de motor, câmbio, carroceria e chassi tubular serem iguais para todos faz com que os ajustes na suspensão façam a diferença. “As equipes usam molas e amortecedores segundo critérios próprios”, conta Elio. Segundo ele, a Stock Car hoje envolve mais do que o carro na pista: “a visibilidade da categoria cresce a cada ano, por isso o investimento dos patrocinadores em marketing é tão vultoso quanto o que se gasta com a máquina”, comenta.
    Outra equipe que se destaca no campeonato é a jovem Bassani Pamplona. “O Jorge de Freitas me deu suporte técnico para que, no ano passado, eu montasse minha própria equipe”, revela o petropolitano Duda Pamplona que, em parceria com o engenheiro paulista Eduardo Bassani, instalou a oficina de sua equipe em Corrêas. Piloto com passagens e vitórias nas categoria Marcas, Fórmula Chevrolet, Fórmula 3 e Fórmula Ford, Duda garimpa patrocínio corrida a corrida para participar da Stock Car. É o “circo” da velocidade mexendo com o coração do brasileiro a cada temporada. Petrópolis agradece.



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