A adega projetada por Vera Conde: "ar de calabouço", charme e bom gosto




Adega de Carlos Parada, no Vale das Videiras: umidade naturalmente equilibrada. Já na adega em Araras, o arquiteto optou pelo climatizador para manter o controle de temperatura e umidade






Fotos: Henrique Magro


Lar, doce lar

Um brinde ao charme

    Na cena inicial do filme O Sexto Sentido, a atriz Olivia Williams desce à adega de casa e escolhe um vinho para beber com o marido, o fortão Bruce Willis, no papel de um psicólogo infantil. O espectador pode não dar importância ao detalhe, mas provavelmente o diretor incluiu a cena para conferir charme e sofisticação aos personagens. De fato, adegas são links para o deleite, e o brasileiro, cada vez mais adepto ao consumo de vinhos, se rende a esses espaços. Para que você possa criar sua própria cena de cinema, arquitetos da serra revelam três bonitos projetos de adegas.
    A arquiteta Vera Conde dava andamento às obras de construção de uma residência em Secretário, quando, a pedido do cliente, iniciou a adega. Naquele momento, a casa já estava com paredes levantadas e telhado pronto.
    Vera decidiu, então, que seria cavado um túnel abaixo do nível em que estava assentada a construção, ficando a adega sob o jardim da área social da residência. O terreno em declive propiciava a execução.
    “Queria um ar de calabouço”, explica. Paredes impermeabilizadas contra a umidade, bastava revestir o piso (a escolhida foi cerâmica Lepri) e cuidar da iluminação. Instalou nas paredes arandelas, que proporcionam o efeito esperado sem escurecer os ambientes. Luzes de emergência alimentadas por baterias evitam os incômodos de falhas no fornecimento de eletricidade.
    Como o cliente desejava fazer da adega um espaço para apreciar vinhos e bebidas destiladas com os amigos, Vera Conde criou um ambiente que mescla bar e sala de estar. O garrafeiro (da artista plástica Sônia Xavier) para tintos, em ferro, e um pequeno climatizador para brancos e espumantes reservaram as garrafas. Máquina de gelo, frigobar e espaço para copos e outras bebidas foram adaptados em um móvel de peroba mica, desenhado pela arquiteta.
    Mesas e cadeiras em rádica maciça e sofá com tecido temático, remetendo à proposta do espaço, complementaram o ambiente. Lustre, quadro e alguns objetos de decoração comprados em Petrópolis e Tiradentes, Minas Gerais, garantiram rusticidade e bom gosto ao recanto.
    O arquiteto Carlos Parada enfrentou desafio semelhante. Solicitado para projetar e construir uma pousada em estilo colonial no Vale das Videiras, havia iniciado as obras quando o proprietário encomendou-lhe uma adega subterrânea.
    “Encontramos na escavação duas grandes pedras. Optei por não retirá-las e deixar uma revestindo a parede e, a outra, o piso. Ficou bastante natural”, explica. As paredes do túnel foram recobertas com blocos de cimento, que receberam emboço e tinta na cor de barro.
    Como a umidade no lugar não era excessiva, foi suficiente apenas impermeabilizar as paredes, uma vez que o proprietário não queria climatizar a adega pelos danos que a falta de luz por um período prolongado pode causar aos vinhos ali guardados. No espaço, foram colocados mesa e bancos de madeira, e mantida pouca luminosidade. As garrafas, armazenadas em “colméias” de madeira, ficaram dispostas de forma a assegurar a qualidade da bebida.
    Já em Araras a garagem de uma residência foi transformada em adega. Como os muros de arrimo do local precisavam ser reforçados, Parada aproveitou a escavação no subsolo como segundo ambiente para armazenagem dos vinhos. O lugar, bastante úmido, exigia mais que impermeabilização.
    “Climatizamos a adega, que passou a ter controle de temperatura (14oC, em média) e de umidade (70%). Em caso de falta de luz, as condições de armazenagem das bebidas se mantêm por 12 horas”, esclarece. No piso, Carlos colocou cascalho para melhorar a ventilação. “O proprietário achou ótimo, pois em eventuais quedas as garrafas não se quebrarão”, complementa. Bancadas em ardósia, que resfriam o ambiente, sustentam os garrafeiros, feitos com esquadrias de madeira.
    Parada sugere que as pessoas consultem especialistas antes de construir a adega, seja em um cômodo da casa, no subsolo, seja em qualquer outra área da residência ou do apartamento. “O arquiteto avaliará se o local recebe muita insolação ou tem excesso de umidade, entre outros problemas. A partir disso, definirá a melhor solução para a adega”, finaliza.

Vera Conde
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veraconde@veraconde.com.br

Carlos Parada & Associados
Telefone: (24) 2225-1213
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