Marcelo Soares, presidente da GE Celma, comemora: depois da crise, faturamento em dobro e recontratação dos demitidos após o 11 de setembro






Nos galpões da GE Celma, alta tecnologia e mão-de-obra especializada para o reparo de turbinas de aviões DC10, MD11, 737-300 (os da ponte-aérea), 747, 767 e Air Bus A 300



        Fotos: Henrique Magro


Negócios nas alturas

Vôo de sucesso

    Em setembro de 2001, o mundo chocou-se com a violência dos ataques terroristas em Nova Iorque. O impacto de aviões comerciais contra ícones do capitalismo ocidental abalou a indústria aeronáutica, que assistiu à bancarrota de inúmeras empresas de aviação. Sobreviver à derrota financeira tornou-se o maior desafio do segmento que, em um século, evoluiu técnica e financeiramente na velocidade das máquinas voadoras que criou. Com a GE Celma, empresa especializada no reparo e na revisão de turbinas de aviões, instalada em Petrópolis, não foi diferente.
    “Assumi a Presidência da GE Celma em setembro de 2001, quando a empresa vivia um momento de crescimento em volume de negócios. Depois do dia 11, tivemos que reformular nossa carteira de clientes”, conta o engenheiro Marcelo Soares. Com 47 anos de idade, 24 deles dedicados à empresa, Soares, que começou na companhia como estagiário, explica que a tragédia fez a produção voltar-se ao reparo de turbinas mais modernas, de maior longevidade, que garantissem sustentabilidade financeira à GE Celma. Porém, demissões foram inevitáveis, como também o fechamento da oficina instalada na Ilha do Governador, no Rio.
    Três anos depois, a empresa recuperou a posição em que se encontrava na época dos atentados. Das 80 turbinas reparadas em 2003, a expectativa para este ano é o dobro desse número em volume de trabalho e de faturamento. “Fecharemos 2004 com faturamento de US$ 260 milhões e cerca de 160 turbinas revisadas. Graças a essa recuperação, iniciada em 2003, recontratamos os demitidos”, esclarece Soares. O bom desempenho deve-se à preferência que clientes como Varig, as norte-americanas Fedex, US Air e South West Airlines e as européias Iberia e KLM, entre outras, dão à GE Celma, único braço da General Eletric na América Latina, no ramo de aeronaves comerciais e de carga. Como a Celma, existem mais seis subsidiárias da GE no mundo, voltadas à revisão das turbinas produzidas pela gigante americana, atividade que inclui o reparo das peças e a revisão dos acessórios dessas turbinas. “Esse é um ramo nobre da empresa que exige técnicos altamente capacitados”, detalha Soares.
    Na prática, isso significa investimento em tecnologia e mão-de-obra especializada. “Nossos funcionários, quase todos de Petrópolis, recebem treinamento para a atividade aeronáutica e bolsas de estudo para aprender inglês, completar o ensino médio, graduar-se ou fazer MBA nas mais diversas áreas. A GE Celma trabalha com inteligência”, acrescenta o executivo. Segundo ele, a empresa ainda adota políticas de preservação ambiental, de responsabilidade social e de saúde e segurança dos trabalhadores.
    Com um quadro de 650 funcionários diretos, 50 temporários e 400 prestadores de serviços, a GE Celma não só assume posição de destaque no cenário econômico nacional e petropolitano, como também incrementa outros negócios na cidade. “Na crise, o que nos fez fechar a oficina no Rio e permanecer na cidade foi a redução no Imposto sobre Serviço para Exportação, concedida pela Prefeitura de Petrópolis”, lembra Soares, que prevê um crescimento em volume de negócios ainda maior em 2005.

Como tudo começou
     Empresa familiar fundada em 1951, o parque industrial da então Companhia Eletromecânica Celma produzia ventiladores domésticos e peças para jipes. Em 1957, a empresa foi comprada pela Panair do Brasil para servir de base às operações da empresa. Começaram assim as atividades da Celma no segmento aeronáutico. Com a falência da Panair do Brasil em 1965, a Celma foi encampada pelo Ministério da Aeronáutica. Privatizada em 1991, teve 10% de suas ações controladas pela General Eletric.
    Somente em 1996, a GE tornou-se acionista majoritária da Celma, que passou então a revisar unicamente turbinas aeronáuticas fabricadas pela GE.
























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