Fotos: Henrique Magro


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Onde o inverno acontece

    Petrópolis, aos 161 anos, exemplo ímpar de convivência entre tradição e modernidade, não parou no tempo. Este sim, felizmente, deixou aqui suas marcas, transformadas em relíquias acessíveis àqueles que apreciam e valorizam nosso passado. Lugar idealizado como "rota de fuga" e oásis para o ócio da aristocracia do século 19, a cidade converteu-se em espaço físico e simbólico da comunhão entre patrimônio histórico, natureza, arte e lazer sofisticado. Se você conhece, repita a visita; se não, delicie-se com as surpresas que o Centro Histórico, Corrêas, Nogueira, Itaipava, Secretário, Araras e Vale das Videiras têm a revelar. Sem dúvida, haverá motivos de sobra para rejubilar-se nessa rota de atrativos, principalmente no inverno, a estação mais charmosa da serra.

História
    Comece seu road movie por ela mesma, a Cidade Imperial, e siga a cartilha do bom turista: alugue uma vitória (o passeio de uma hora sai por R$ 50,00) e circule pelo Centro Histórico. As carruagens ficam estacionadas em frente ao Museu Imperial, onde o passeio pode começar. O palácio de verão da família imperial, transformado em museu por Getúlio Vargas, em 1943, guarda relíquias do Império brasileiro. São mobílias, quadros, objetos de uso pessoal, vestimentas, jóias, enfim, fragmentos do tempo. Quem ainda não calçou as inesquecíveis pantufas, símbolos incondicionais do Museu, e deslizou pelos salões do palácio, construído em meados do século XIX, não imagina o que perde.
    De lá, ao som do trotar dos cavalos, assim como era feito há mais de um século, rume em direção às residências e palácios da nobreza transformados em museus e espaços culturais. Os condutores das vitórias, treinados pela Fundação de Cultura e Turismo, fazem um tour pelo centro da cidade, onde estão a Catedral São Pedro de Alcântara, a Casa de Santos Dumont, o Palácio de Cristal, entre outros, além das belíssimas avenidas Koeler e Ipiranga.
    Nesse trajeto, merece destaque um palácio que, na República, perpetuou o hábito dos governantes de subir a serra durante o verão. Prática essa iniciada por D. Pedro II, que passou aqui 40 verões. O Palácio Rio Negro, antiga residência do Barão do Rio Negro, revela, em seus salões e aposentos, parte da história republicana. Ali, cada presidente deixou marcas de sua passagem, como a piscina particular utilizada por Getúlio Vargas, ou os quartos de dormir das filhas de Juscelino Kubitschek e do casal Ruth e Fernando Henrique Cardoso, último presidente a transferir o poder federal para a serra de Petrópolis na "estação calmosa", o verão.
    Conferido o Centro Histórico durante o dia, reserve para a noite dois programas imperdívies: o Som e Cristal e o Som e Luz. O primeiro acontece do Palácio de Cristal. Todo em ferro e vidro, o monumento em estilo neogótico francês foi inaugurado em 1884 para abrigar as Exposições Hortículas de Petrópolis, símbolos do progresso brasileiro no século XIX. Lá, todos os sábados, às 18 horas, acontecem shows gratuitos de música clássica e contemporânea. Em seguida, tome ali mesmo uma carruagem e rume ao Som e Luz, realizado nos jardins do Museu Imperial.
    O espetáculo utiliza efeitos especiais de iluminação e sonorização para contar a história do baile em que as princesas Isabel e Leopoldina são apresentadas a seus futuros maridos. Equipamentos digitais, ligados com cabos de fibra ótica, projetam nas janelas do palácio as silhuetas da família imperial e dos convidados do baile. Uma cortina d'água de seis metros de altura e dezessete de largura funciona como tela de cinema, por onde desfilam os personagens que compõem a história.
    Um outro espaço, desta vez longe do burburinho da cidade, promove uma "viagem" aos tempos imemoriais das fazendas de café. No Vale das Videiras, antigas propriedades rurais estão sendo revitalizadas para receber turistas, que poderão viver ali tempos que não voltam mais. Uma delas é a Fazenda Santa Rita. A construção colonial, de 1793, guarda móveis e objetos dos séculos XVIII e XIX, e está aberta à visitação agendada. Grupos interessados podem entrar em contato com Nil Rezende e Lina Carneiro, pelo telefone 24 2225-0444, e marcar o passeio, que conta com um brunch nos jardins da fazenda e passeios a cavalo.

Esporte
    A cidade de Pedro, nos últimos anos, virou rota obrigatória dos que apreciam o ecoturismo. Natural, uma vez que a cidade localiza-se dentro de uma Área de Proteção Ambiental que tem como limites a Reserva Biológica do Tinguá, a Reserva Biológica de Araras e o Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Então, se o objetivo é viver aventuras em meio à natureza, o destino deve ser o Campo de Aventuras Paraíso Açu, em Corrêas.
    Ali é possível escolher entre paintball, via ferrata, cabo aéreo, arvorismo, canyoning, rappel, cascading e caminhadas pelas trilhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. No paintball, por exemplo, grupos de até 20 pessoas (adultos ou crianças) formam times rivais munidos de pistolas que disparam balas de tinta. O carioca Emerson Lessa, 30 anos, bancário, freqüentemente sobe a serra com um grupo de amigos para praticar o paintball. "Com a brincadeira extravaso a tensão do dia-a-dia", explica.
    O arvorismo é outra atividade que atrai tanto crianças quanto adultos de todas as idades. A aventura consiste em passar próximo à copa das árvores em cabos de aço e cordas, com o equipamento de segurança apropriado. A atividade se encerra com a tirolesa (desliza-se por um cabo de 50 metros a 15 metros de altura). "É a maior adrenalina", conta o estudante Rodrigo Almeida, de 11 anos, morador de Itaipava, que fez o percurso acompanhado de um instrutor do Campo de Aventuras.
    Mas nem só de adrenalina pura consiste a vocação esportiva de Petrópolis. Em Nogueira, por exemplo, no Petrópolis Country Club, os aficionados por golfe contam com um campo de 6.189 jardas e nove buracos com 18 tees. Nos finais de semana e feriados, o visitante percorre os 18 buracos pagando R$ 140, o que eqüivale a, aproximadamente, quatro horas de jogo. Se não dispuser de material, é possível alugá-lo com professores de golfe que trabalham no clube.

Lazer
    Se a escolha são passeios bucólicos, daqueles para fazer de carro, jipe ou moto em dias ensolarados, dirija-se a Secretário, no distrito de Pedro do Rio, ou siga em direção oposta, rumo a Araras. Esses dois lugarejos de Petrópolis ganharam fama nos últimos anos, principalmente por terem caído nas graças de artistas e empresários de renome no cenário nacional, que ali vêm comprando sítios e casas de campo.
    São lugarejos indubitavelmente cheios de charme e beleza. Comecemos por Secretário, distante apenas sete quilômetros da rodovia BR 040. O primeiro registro da existência do lugar data de 1703, quando por ali passavam viajantes em busca do ouro de Minas Gerais. Do centro do lugarejo, típico de cidade do interior, siga em direção ao Sítio Humaytá, onde são produzidas as Delícias Artesanais de Secretário.
    Lá, os sócios Gilson Gomes e José Adolfo Pompermaier fabricam doces, compotas, geléias e conservas, receitas antigas de família. Esses produtos saem para delis e restaurantes de Petrópolis e do Rio. No sítio, os sócios recebem grupos para visitas à fábrica (24 2228-2046 / 2060) e oferecem, em meio ao jardim, provas dos produtos, que são de dar água na boca.
    Em Araras, uma boa pedida é o Espaço Cultural da Serra (Est. Bernardo Coutinho, 3.575). Lá, em meio a um belo jardim, a artista plástica Márcia Carlos de Andrade montou uma pequena biblioteca com parte do acervo de livros de seu pai, o jornalista Evandro Carlos de Andrade. Ela também expõe obras de arte ao ar livre e vende materiais de demolição restaurados.
    No fim da tarde ou ao anoitecer, uma sugestão é visitar o shopping Estação Araras. O lugar é muito simpático, com pequenas lojas e restaurantes variados. Ótimo para circular ou bebericar. Se a noite for enluarada, dê asas ao romance e faça passeios de charrete equipada com taças para vinho ou champanhe, balde de gelo e cobertores. O ponto de partida é o restaurante Pirilampo, no Vale das Videiras. Dali, os casais tomam o "veículo", guiado por um cocheiro, e saem para passeios pelos arredores, curtindo as noites frias e estreladas do inverno.

Compras
    Há décadas Itaipava é referência em compras. A princípio, proliferaram pelo distrito as cerâmicas, como a Indústria Ceramista Itaipava, fundada em 1927 por Augusto da Costa e Henry Gonot, e, anos depois, a cerâmica do português Luiz Salvador, cuja loja até hoje atrai clientes de todas as regiões do País. Na década de 80, as malhas invadiram o lugarejo, que passou a abrigar lojas como a Malharia Nice, Manya e Monjolo, entre outras. Nos últimos anos, Itaipava vem concentrando uma gama variada de antiquários, a maior parte deles provenientes do Centro Histórico.
    "Hoje Itaipava é um grande celeiro de antigüidades, principalmente de peças do século 19 até 1950", explica o marchand Miguel Felippe João, especialista em pintura brasileira e estrangeira. Para se ter uma idéia do que isso significa, o shopping Valley, por exemplo, reúne mais de dez profissionais em sete antiquários distintos.
    O pólo de antigüidades não se restringe ao shoppinga, ele se estende por toda Itaipava ao longo da Estrada União e Indústria. Esse novo mercado gera empregos entre especialistas em restauração de objetos, móveis e peças antigas, e movimenta cifras polpudas. "O lugarejo é referência nacional pelo valor das obras encontradas nos antiquários, que atraem colecionadores de diversas parte do País e do mundo", afirma Miguel.
    Outro grande atrativo para as compras são os shoppings, que em Itaipava reúnem moda de qualidade e bons preços, além de opções de entretenimento e lazer. O shopping Vilarejo, por exemplo, organiza nos finais de semana shows ao vivo e recreação infantil. Mesas para jogos de botão, atividades do Campo de Aventuras Paraíso Açu (que ali mantém instrutores para a garotada fazer travessias em cordas) e loja de jogos eletrônicos são um atrativo para jovens e crianças, enquanto os pais vão às compras. O Itaipava Shopping, que faz 20 anos em novembro, reúne mais de 50 lojas, cujos destaques são as grifes nascidas em Petrópolis.

Confira mais informações sobre Petrópolis nos Centros de Informação Turística:
Petrópolis
· Casa do Barão de Mauá - Praça da Confluência 3 - Centro
· Centro Histórico - próximo à Praça dos Expedicionários
· Pórtico do Quitandinha - Av. Ayrton Senna s/nº Itaipava
· Estrada União e Indústria, 8.764
DISQUE TURISMO 0800 24 15 16 disqueturismo@petropolis.rj.gov.br www.petropolis.rj.gov.br






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