Fotos: Henrique Magro


Lar, doce lar

Pedaço de paraíso

    Um mundo acolhedor ao redor do qual não existe nada além de plantas, o som do correr das águas e muito, muito sossego. Lá se pode meditar, ler, descansar, ou apenas pensar nos bons momentos que a vida reserva a quem se dispõe a percebê-los. Não, não é Shangri-lá, mas lembra o lugarejo fictício, pelo ideal de paz que leva as pessoas a construí-lo. Enfim, em uma realidade cada vez mais atribulada, nada como render-se ao encanto dos gazebos e quiosques.
    Eles podem ser construídos com os mais diversos materiais: há os que preferem revestidos de bambu, com cobertura de sapê ou piaçava; outros não abrem mão da madeira para a estrutura. Telhado translúcido, em vidro ou em placas de policarbonato, ou ainda telhas de barro são a opção de muitos. Independentemente do formato ou revestimento, há mil e uma maneiras de se construir esses recantos do lado externo da casa, ou mesmo no terraço de um edifício. O essencial, em todos os casos, é criar um ambiente acolhedor para momentos especiais.
    Na opinião de Luiz Portella, especialista em construções, móveis e objetos de decoração feitos com bambu, o importante é prepará-lo corretamente para evitar que seja infestado por brocas. "Eu e meu sócio, Sergio Guidinho, utilizamos uma técnica adotada pelos colombianos, que são grandes especialistas em bambu, para o tratamento da planta", explica.
    Idealizador de um quiosque onde funciona uma loja de artesanato, no Rocio, Luiz utilizou bambu para a estrutura, a armação do telhado e o revestimento interno. Porta e luminárias internas e externas também foram artesanalmente manufaturadas com a planta, o que confere ao ambiente rusticidade e leveza. Dependendo do projeto, Luiz emprega bambu em telhas, janelas e no piso. "As telhas são feitas uma a uma, com bambus gigantes", completa.
    A arquiteta Giselle Wanderley optou por madeira nobre e vidro para a construção de um gazebo na casa de clientes, em Itaipava. "O casal queria um recanto aprazível, integrado à natureza, na entrada da residência", conta. A concepção do gazebo, segundo ela, é proporcionar às pessoas um espaço externo para o descanso, a reflexão ou uma boa conversa.
    Por isso os elementos ao redor do gazebo são importantes. "Construímos um pequeno lago com queda d'água, pela sensação de tranqüilidade que o som da água correndo nas pedras transmite", explica Giselle. Ao redor, o jardim bem cuidado complementa o cenário; os detalhes ficaram por conta da proprietária da casa, que pendurou máscaras, importadas da Malásia, nos pilares. No interior, criou-se o ambiente propício para uma taça de vinho nos dias frios do inverno.
    O construtor Carlos França idealizou um gazebo com requintes de trabalho artesanal para criar um espaço próprio à contemplação. Especialista em móveis, objetos de decoração e construções concebidas com material de demolição, optou nesse projeto por eucalipto autoclavado (com tratamento especial contra fungos e cupins), ferro com motivos florais e sapê. "O interessante é que este gazebo foi feito primeiramente em meu ateliê, e depois montado no local, o que evitou o transtorno da obra para o cliente", ressalta.
    No piso, Carlos criou desenhos florais com ladrilhos hidráulicos de demolição e cacos de telhas de cerâmica sobre fundo de terracota e cimento queimado. Assim surgiu esse recanto em meio à natureza, onde as águas de um riacho próximo colaboram com acordes para momentos de pura paz.

Bambuzal & Cia.
Luiz Portella e Sergio Guidinho

Tel.: (24) 9226-6890
www.bambuzalecia.com
Giselle Wanderley
Tel.: (24) 2221-8183 / 9216-0006
gwarq@terra.com.br
Carlos França
Tel.: (24) 2222-5174 / 9976-9648
cmfranca@uol.com.br


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