Criação de 400 chinchilas,
no Vale da Boa Esperança, em Itaipava, do presidente da Riochilla: investimento inicial de R$ 16 mil na compra de 28 animais



Luiz Eduardo de Paula Machado (ao centro), presidente da Riochilla, e Luiz Ricardo Clemente, segundo maior criador de Petrópolis,
com o pai



O pêlo da chinchila exige cuidados, como banho com pó de mármore e escovação

Medalha recebida por Luiz Eduardo, vice-campeão brasileiro de criadores de chinchila, em 2004, pela qualidade do plantel

Fotos: Henrique Magro


Mundo Animal

Chinchilas em Petrópolis

    Você já viu uma chinchila? Ela é fofa, peluda, um mimo. Pela beleza e valor comercial do pêlo, foi praticamente extinta em seu habitat originário, os Andes, no início do século passado. Hoje, é possível encontrá-la em cativeiros espalhados por todo o mundo. No Brasil, cerca de 600 criadores de chinchila nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro se dedicam à reprodução dos bichinhos, de forma que sua pele é comercializada sem riscos para a extinção da espécie. Em Petrópolis, dois criadores possuem cerca de 500 chinchilas, que, adultas, podem custar até US$ 1.000.

    Presidente da Associação dos Criadores de Chinchila do Estado do Rio (Riochilla), o economista carioca Luiz Eduardo de Paula Machado começou a criar os animais há cinco anos, em sua residência no Vale da Boa Esperança, em Itaipava. Segundo ele, o objetivo de toda criação de chinchila é o abate para a venda da pele; em seguida a venda de reprodutores e, por fim, a criação doméstica, como animal de estimação. Dono de 400 chinchilas, é hoje um dos 15 criadores do Estado que engordam o plantel nacional, responsável pela exportação de 25 mil peles de chinchila ao ano, aproximadamente, para os Estados Unidos, China, Japão e países da Europa.
    "As criações ajudam a preservar a espécie. Não adianta sermos contra a manufatura de vestimentas com peles de animais se somos carnívoros. Mas acho absurda a caça e a venda clandestina de peles de qualquer animal", pontua Luiz Eduardo. Só no Brasil, que entrou nesse mercado na década de 70 do século 20, a exportação de pele de chinchila movimenta, anualmente, cerca de R$1,2 milhão. "Isso sem contarmos a comercialização dos animais de estimação, que custam em torno de R$ 100. A venda de reprodutores também envolve cifras altas, e é mais lucrativa que a venda de peles. Uma família de chinchilas, macho e seis fêmeas, custa em torno de R$ 4 mil", acrescenta o economista, vice-campeão brasileiro de criadores de chinchila, em 2004.
    Muito valorizada no mercado da moda, por ter fios finos e leves, a pele da chinchila criada no Brasil é vendida por cerca de US$ 30, dependendo do tamanho, altura do pêlo e da cor. A pele de uma chinchila "black", por exemplo, pode custar até US$ 70. Grandes estilistas da Europa e dos Estados Unidos são os maiores consumidores. "Vivemos uma crise nos últimos três anos em razão da comercialização das peles do Leste Europeu, onde os criadores recebiam subsídios e passaram a reproduzir a chinchila sem os devidos cuidados, vendendo peles de baixa qualidade. Isso reduziu o preço no mercado internacional", explica o presidente da Riochilla.
    Reaquecido, hoje o mercado vê o aumento do número de criadores. Em Petrópolis, o representante comercial Luiz Ricardo Clemente também acreditou no mercado e iniciou o plantel com 12 animais, há dois anos, no bairro de Castelânea. Hoje possui 98 chinchilas, sendo 36 fêmeas reprodutoras. Sua expectativa é de, em quatro anos, alcançar faturamento anual de R$ 80 mil em venda de peles. "Nosso presidente nos transmite toda informação sobre a criação de chinchilas, o que tem auxiliado nosso trabalho", conta ele.
    Informação que inclui dicas para o trato correto dos bichinhos, que se banham com pó de mármore (o que mantém a beleza do pêlo) e se alimentam de ração e de alfafa. Dócil e muito limpa, a chinchila bebe somente água fresca e filtrada e não gosta de temperaturas elevadas. Sua reprodução também é controlada, para evitar o desgaste das fêmeas. "A gestação das fêmeas é de 111 dias e elas têm, em média, dois filhotes por ninhada. Entram no cio mensalmente, mas permitimos apenas duas crias por ano", conta o presidente da Riochilla. De acordo Luiz Eduardo, esses cuidados são fundamentais para a manutenção da qualidade do plantel, mesmo que o objetivo da criação seja o ganho em escala.


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