Frei Moser, diretor-presidente da Vozes e frei Ivo, diretor geral do ITF: vozes afinadas com a disseminação da cultura e da educação


As modernas instalações da biblioteca do Instituto Teológico Franciscano (ITF).


Uma das salas de aula do ITF, com acesso à internet.


O parque gráfico da Vozes.


A todo vapor: parque gráfico da Vozes produz, anualmente, mais de quatro milhões de livros, entre títulos próprios e serviços para outras editoras.




Fotos: Henrique Magro


Especial

Missionários da cultura

    Disseminação da cultura e da educação como propagadora do diálogo entre os homens. Com base nessa missão, a Ordem Franciscana dos Frades Menores de Petrópolis (OFM) vem percorrendo uma trajetória centenária de realizações. Instituto de ensino que oferece cursos de graduação e de pós-graduação, editora, gráfica e paróquias representam a força de um grupo religioso que mescla, com sagacidade e eficiência, fé, religiosidade e espírito empreendedor.

    De fato, em pouco mais de cem anos, os frades de Petrópolis se transformaram em sinônimo de propagação da cultura e da educação no País. Proprietários da Editora Vozes, que publica, anualmente, mais de quatro milhões de livros, e do Instituto Teológico Franciscano (ITF), cujas instalações fascinam pela modernidade, os franciscanos são, sem dúvida, um exemplo de empreendedorismo cultural bem-sucedido.
    De origem alemã, eles chegaram à cidade no final do século 19 com o objetivo de oferecer acompanhamento religioso aos colonos alemães católicos. Isso era feito na atual igreja do Sagrado Coração de Jesus, inaugurada em 1874 para tal fim. Ainda no mesmo período, construíram um convento para os frades da Ordem e a Escola Gratuita São José, hoje Colégio Bom Jesus Canarinhos. Para auxiliar na formação acadêmica dos frades e presbíteros, foi criado, em 1896, o Instituto Teológico Franciscano. Em 1901, inauguraram a "Typographia da Escola Gratuita São José" com o objetivo de imprimir livros escolares e religiosos como material de apoio ao ensino na escola. Empenho incontestável.
    Em poucos anos, a tipografia foi transformada em empresa editorial, dando origem à Editora Vozes, criada em 1901. Considerando-se que o mercado editorial, no período, se restringia ao trabalho de editores como o dos imigrantes franceses Laemmert (que publicaram o Almanach Laemmert, além de obras de autores nacionais e traduções) e Garnier (grande editor de romances e poesias de nomes consagrados da literatura nacional, como Machado de Assis, José de Alencar, Joaquim Manoel de Macedo, Gonçalves Dias e Álvares de Azevedo), e do português Francisco Alves (edição de livros didáticos e de literatura), a iniciativa dos frades editores foi pioneira no Brasil.
    Inicialmente assumindo uma linha editorial católica, com a publicação de livros religiosos e de revistas, romances, contos e peças de teatro, gradativamente a Vozes investiu na publicação de obras de vertente cultural para o mercado universitário. Livros de cunho científico, nas áreas de Antropologia, História, Pedagogia, Psicologia, Filosofia, Lingüística, Sociologia, Comunicação, Economia, Administração e Teologia, converteram-se no segmento mais representativo da editora.
    "Hoje, a Vozes atua como gráfica, editora, distribuidora e rede de livrarias especializada em Ciências Humanas e artigos religiosos. Mas o coração da empresa é o segmento editorial", explica frei Volney Berkenbrock, diretor comercial da Vozes. Segundo ele, esse segmento se subdivide nos campos catequético-pastoral, teológico-bíblico, cultural e de publicações sazonais, como folhinhas e almanaques.
    Propriedade de sete frades franciscanos que reinvestem o lucro na própria estrutura da empresa, a Vozes ganhou representatividade pela publicação de obras de contestação política e de vanguarda em política, economia e filosofia. A editora também foi pioneira na publicação de temas polêmicos e em defesa de categorias excluídas da sociedade, quando não havia abertura para se discutir tais questões no Brasil, e na abordagem do feminismo, da sexualidade e dos direitos humanos. A publicação de títulos como o Manifesto Comunista de Marx-Engels, do livro Brasil: nunca mais (que denuncia torturas praticadas durante o regime militar) e de obras sobre a Teologia da Libertação revela a multiplicidade de sua linha editorial.
    "Todo original que chega à empresa é analisado por profissionais especializados do nosso conselho editorial, para avaliação do conteúdo teórico. Procuramos preservar a tradição de seriedade da Vozes", acrescenta frei Volney. Seriedade que se revela na publicação de autores como Michel Foucault, Claude Levi-Strauss, Noam Chomsky, Carl Jung, Jean Paul Sartre, além de artigos e teses produzidos por nomes como Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro, Leonardo Boff, Rose Marie Muraro, Roberto da Matta, Luís Costa Lima, Affonso Romano de Sant´Anna e Muniz Sodré, entre muitos outros.
    Atualmente, a Vozes, em parceria com o Instituto Teológico Franciscano (ITF), que oferece curso de extensão em Teologia e Pensamento Franciscano, graduação em Teologia e pós-graduação com abordagem transdisciplinar entre Ecologia, Educação e Teologia, compõem um casamento afinado. "O ITF absorve todas as publicações da Vozes. Em contrapartida, a Vozes publica o que os professores do ITF produzem intelectualmente", resume frei Antônio Moser, diretor-presidente da Vozes.
    Um casamento que se reflete em ambas as instituições. No ITF, nomes como o de Leonardo Boff, autor de livros religiosos que representaram um marco na linha editorial da Vozes, figuram no corpo docente do curso de pós-graduação. Já o cardeal e arcebispo emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, foi aluno do ITF e assinou o prefácio do livro Brasil: nunca mais.
    Instalado desde 1992 no prédio do antigo Colégio São Vicente, o ITF tem hoje sete salas de aula com acesso à internet, salão de convenções para mais de 300 pessoas, cozinha industrial e estacionamento para mais de 200 veículos. Salta aos olhos a moderna biblioteca, aberta ao público. Ela possui terminais de computador com acesso gratuito à internet, elevadores e rampas para deficientes, além de um rico acervo, com mais de 120 mil volumes em todas as áreas do conhecimento. Além disso, as instalações do Instituto podem ser alugadas por empresas, grupos e instituições de ensino para a realização de eventos.
    "No ITF, procuramos formar bacharéis em Teologia e futuros docentes para o ensino religioso em uma linha ecumênica e inter-religiosa que trabalhe, principalmente, a questão da inclusão social. Para isso, mantemos parceria com entidades do Terceiro Setor, Ongs, entidades filantrópicas e organizações sem fins lucrativos, onde os alunos fazem estágios", conclui frei Ivo Müller, diretor geral do ITF.


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