A beleza do minipônei de raça argentina










Exemplares desses pequenos notáveis desfilam na fazenda Shangri-lá, a 50 quilômetros de Itaipava








Minipôneis e minivaca: reino miúdo por processo de seleção natural

Fotos: Henrique Magro


Mundo animal

Terra de pequenos

    A viagem ao reino de Lilliput na serra é peculiar: poeira, solavancos, estrada de barro vermelho rente à linha do trem. Chegando lá, a placa na porteira da fazenda remete a outro campo fértil para o imaginário humano – Shangri-lá. Mas nesse paraíso não circulam rostos bonitos com roupas coloridas de monge tibetano fashion, cantando clássicos de Burt Bacharah. Ali, até onde a vista alcança, o cenário onírico privilegia a miniatura, o micro, a redução, como na fábula das Viagens de Gulliver.

    São pôneis, minipôneis e minivacas, um rebanho ao qual cabe bem o diminutivo, não pelo número de cabeças, que somam mais de 150, mas pela estatura dos bichos. Não fosse pela certeza de que se trata de cavalos e vacas, seria possível imaginá-los como cachorros de porte grande – já que em altura dificilmente ultrapassam 1,10m – o que permite a um ser humano com mais de 1,50m sentir-se um gigante. É verdade que causam um certo estranhamento ao olhar acostumado a cavalos e vacas, digamos, normais.
    Por outro lado, não é todo dia que se pode afagar o topo da cabeça de um cavalo (coisa que só é possível quando se monta neles) ou de um boi. Na fazenda Shangri-lá, em Chiador, a 50 quilômetros de Itaipava, o criador Samuel Simas mantém, há 23 anos, para revenda, um plantel desses pequenos notáveis, como ele mesmo chama seus pequeninos quadrúpedes. A clientela: gente de todo o Brasil que adquire os animais para colocá-los em jardins e alegrar as crianças, mas também para o uso convencional, ou seja, montaria, reprodução e ordenha.
    Pois, exceto pelo tamanho deles, nada os difere de qualquer cavalo, boi ou vaca. São pequenos por processo de seleção natural, resultado do cruzamento de animais de pequeno porte, o que não reduz suas potencialidades. Além disso, três dos exemplares lilliputianos ocupam pasto e consomem ração necessários para apenas um cavalo ou um boi. Pasmem ainda os incrédulos: uma minivaca considerada de boa qualidade produz até 10 litros de leite por dia, como uma vaca leiteira que se preze.
    E se tamanho não é documento (o chavão é inevitável), tampouco significa cifras proporcionais à metragem, ou melhor, à centimetragem do curioso rebanho. “Os minipôneis custam de R$ 3 mil a R$ 6 mil. Uma minivaca prenha chega a R$ 3,5 mil”, conta Samuel, que tem uma frase de efeito irresistível para conquistar novos clientes: “dê a seu filho um pônei antes que ele lhe peça uma moto”. Os pais, sugere o criador, ainda podem incrementar o presente com charretes e troles zero quilômetro igualmente miúdos, vendidos na fazenda. “É diversão para toda a família”, acrescenta.
    O plantel da fazenda Shangri-lá fica em exposição permanente. Além de despertar curiosidade, é divertido olhar aqueles maravilhosos cavalinhos e seus filhotes a correr, agitando o corpinho, ou ainda observar bois, vacas e touros meio atarracados a desfilar com preguiça, indiferentes ao curso da existência. Nesse reino belo e curioso faz sentido, pois, o conceito menos é mais.

Fazenda Shangri-lá - Samuel Simas
Telefone: (24) 2222-2711 / 9825-6991











































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