O prédio do LNCC, de 11 mil m2, no bairro Quitandinha







A biblioteca do laboratório, com acervo rico em títulos sobre matemática


Augusto Raupp, assessor de projetos e serviços do LNCC: "O LNCC idealizou e implantou, em 1987, a primeira rede de protocolo da internet (IP) do Brasil"


As instalações do CATO, que auxilia a previsão do tempo para o Estado

Os supercomputadores do LNCC: alta tecnologia

Fotos: Henrique Magro


Tecnologia

Ciência interativa

    A internet brasileira foi criada ali, como também o portal Cadê. Lá se trabalha com o processamento dos genomas (códigos genéticos dos seres vivos) em parceria com instituições científicas nacionais e internacionais. Quer mais? Ali se desenvolve o projeto piloto para a instalação de 21 estações meteorológicas em Petrópolis, que anteciparão a ocorrência de enchentes e alertarão sobre a possibilidade de deslizamentos de encostas. Curioso? Trata-se do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), criado há 25 anos no Rio e instalado em Petrópolis desde 1998.

    Segundo o dicionário Aurélio, laboratório é um lugar onde se fazem experiências científicas, ou grandes transformações, com finalidade prática. A definição, exemplar, cai como uma luva quando aplicada ao Laboratório Nacional de Computação Científica. Como o próprio nome diz, o LNCC é um laboratório voltado ao estudo aplicado da computação e da matemática com o objetivo de dar apoio à comunidade científica e tecnológica brasileira. Assim, quem pensou em vários Einsteins trabalhando lá, chegou bem perto.
    Esse centro de processamento de alto desempenho, como o LNCC é conhecido no Ministério da Ciência e Tecnologia (são somente sete como ele no Brasil), reúne cerca de 250 tecnólogos e pesquisadores com mestrado e doutorado nas diversas engenharias, em matemática, em biologia e em computação.
    Em suas instalações, um prédio de 11 mil m² no bairro Quitandinha, há supercomputadores de altíssima capacidade. Isso possibilita ao LNCC coordenar o Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho (Sinapad), uma rede nacional de processamento de dados que presta serviços a universidades, institutos de pesquisa e instituições públicas e privadas.
    “Um dos motivos da transferência do LNCC para Petrópolis foi a necessidade de espaço para as instalações, em local próximo ao Rio. O potencial dos profissionais da região e os incentivos fiscais da prefeitura na época também impulsionaram a vinda para a serra”, explica Augusto Raupp, assessor de projetos e serviços do laboratório.
    Centro de estudos multidisciplinar, o LNCC desenvolve pesquisas em parceria com universidades federais, estaduais e particulares, além de instituições de ensino e pesquisa nacionais (como CNPq, COPPE e Fiocruz) e internacionais. Na linha de investimento em recursos humanos, oferece curso de graduação em Ciência da Computação, pós-graduação em Bioinformática e mestrado e doutorado em Modelagem Computacional, além de cursos de informática abertos à comunidade.
    “O LNCC idealizou e implantou, em 1987, a primeira rede de protocolo da internet (IP) do Brasil, a Rede-Rio (Rede Estadual de Computadores). Nessa época, quando ninguém falava sobre internet eu já tinha e-mail do LNCC”, explica Augusto.
    Segundo ele, além de difusor da internet no Brasil, o LNCC impulsionou a criação de importantes sites e provedores. “O portal Cadê foi criado aqui. O site do Jornal do Brasil, primeiro do país entre as empresas de jornalismo impresso, também”, completa o especialista. Como assessor do LNCC, a função dele é promover a interface entre o laboratório e o mercado, a fim de que as inovações ali desenvolvidas sejam aproveitadas pela sociedade.
    Um exemplo prático dessa interação é o projeto de criação das estações meteorológicas. O Centro de Modelagem do Sistema Atmosfera-Terra-Oceano (CATO) do LNCC (que realiza, juntamente com o Sistema de Meteorologia do Estado do Rio, a previsão do tempo para todo o território fluminense) está desenvolvendo, em parceria com o governo estadual, o projeto de previsão de calamidades por intempéries em Petrópolis.
    “As 21 estações do município vão coletar informações e enviá-las, via celular ou moden, para um computador do LNCC, que dará o alerta para a Defesa Civil, 72 horas antes da ocorrência de enchentes e deslizamentos”, antecipa Augusto. Informações que, de acordo com ele, significam levantamento de condições de terreno, de encostas e de vazão dos rios. E que também evitarão a perda de vidas e de patrimônio particular e público.
    “Esse projeto envolverá grupos de meteorologia, de geotecnia, para medir as condições de terreno e vazão de rios, de modelagem geoespacial, para se ter idéia de onde a calamidade pode acontecer, além de um banco de dados, que fará o cruzamento de todas essas informações”, acrescenta ele.
    Outra iniciativa de interação é a incubadora do LNCC, que integra o Petrópolis-Tecnópolis (movimento de empresários e órgãos do governo municipal em prol do desenvolvimento tecnológico e da geração de emprego e renda para a cidade). “Disponibilizamos pessoal e equipamento para o desenvolvimento, no LNCC, de projetos de empresas de base tecnológica. Dependendo do resultado do projeto, o empreendedor pode até ganhar royalties pelo produto que ajudou a criar”, explica Augusto Raupp.
    Já o laboratório de Bioinformática do LNCC, composto de biólogos, cientistas da computação e matemáticos, armazena e analisa dados obtidos através dos projetos de seqüenciamento realizados por grupos de pesquisa dos genomas – DNAs dos seres vivos. No LNCC, qualquer semelhança com filmes de ficção científica não é mera coincidência.
    Quer saber mais sobre esse incrível laboratório? Acesse www.lncc.br


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