A primeira fábrica do Grupo, nos anos 30. Tecidos com cores vibrantes tomam forma nas mãos das funcionárias da Águia. Para Jan van Kuyk, qualidade, seriedade e pontualidade são a receita para o sucesso nos negócios




Cores e modelagens mais comportadas ganham o mercado interno e externo. Vera Fisher em concurso para Miss Brasil veste um maiô Catalina, fabricado no Brasil desde os anos 50 pela Águia



        Fotos: Henrique Magro e divulgação


Negócios nas alturas

Eles vão invadir sua praia

    Grupo Águia investe em novas lojas no País e ganha o mercado externo com moda praia criada em Petrópolis

Em 1937, a indústria petropolitana via nascer mais uma empresa de imigrantes alemães no promissor ramo de vestuário. Pioneiros, foram eles a povoar os primeiros bairros da cidade, no século 19, e a introduzir o manejo de máquinas para a fabricação de tecidos e, posteriormente, incrementar a moda de qualidade. Tal vocação elevou Petrópolis à categoria de referência nacional no ramo de confecções. E dessa genealogia nasceu a Águia, hoje destaque no Brasil, na América do Sul, Europa e Estados Unidos em moda praia. Com mais de 200 funcionários em sua fábrica no Alto da Serra e produção de 350 mil peças anualmente, o Grupo é detentor das marcas Catalina, Águia, Manvar e Praia Brasil.


    Com 67 anos de história em Petrópolis, a Águia hoje exporta 40% da produção para países como Itália, Alemanha, Holanda, Bélgica, Portugal, Espanha, Grécia e Estados Unidos. Na América do Sul, vende para Chile, Paraguai, Argentina e Uruguai. Os dois últimos viraram parceiros do Grupo na produção de maiôs e biquínis das linhas Águia, Catalina e Praia Brasil, que vão do estilo clássico ao jovem. “Exportamos nosso know-how, como também tecidos, modelagens, acessórios e estampas exclusivas. As exportações equilibraram o problema da sazonalidade das vendas”, explica Jan van Kuyk, sócio-gerente da Águia.
    Um dos maiores exportadores do País de moda praia, o Grupo é homologado pela Du Pont Lycra e, em 2001, recebeu o Prêmio Rio-Expo, como principal exportador do segmento no Estado. O segredo: matéria-prima de qualidade (de preferência produzida internamente, para reduzir custos) e criatividade, o que não falta à moda brasileira. “A exportação nos ensinou muito. Além de lycra com durabilidade de cinco anos, passamos a utilizar acessórios de igual qualidade e a substituir importações. Hoje, nosso único acessório importado é um elástico de silicone que trazemos da Itália, porque ainda não conseguimos um fabricante local”, acrescenta o empresário.
    Tais conquistas no mercado externo devem-se, em parte, à riqueza da moda brasileira de praia. Detalhes artesanais, estampas com elementos do folclore brasileiro, miçangas, design arrojado são um atrativo para o mercado internacional. Na Águia, as criações ficam por conta da estilista Andréa Canellas, que explora cores vibrantes, motivos florais, texturas diferenciadas e bordados artesanais, encomendados de bordadeiras de Petrópolis e do Rio, para desenvolver as peças das quatro marcas do Grupo, que abrangem do estilo clássico à moda jovem.
    Para se ter uma idéia da representatividade do Grupo, desde os anos 50 e 60, auge dos concursos para Miss Brasil, a Águia detém exclusividade para produzir e comercializar no País os maiôs da norte-americana Catalina. Com isso, vestiu beldades como Marta Rocha, Yeda Maria Vargas e Vera Fischer e viu suas peças brilharem no glamouroso palco do teatro do Hotel Quitandinha, cenário dos desfiles. Hoje, vende os modelos da grife para o mercado interno e países do Mercosul.
    “Atualmente, a linha que mais cresce, principalmente no mercado externo, é a Praia Brasil, moda jovem com modelagem mais comportada”, ressalta Jan. No mercado interno, o Grupo avança para a montagem de novas lojas e a venda de franquias, principalmente no Rio, em São Paulo e Fortaleza. O empresário atribui o crescimento a fatores como qualidade dos produtos, seriedade e pontualidade nas entregas.






















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