O criatório de trutas, na Estrada Itaipava-Teresópolis: natureza exuberante, águas límpidas e trutas saborosas

Fotos: Henrique Magro


Mundo animal

Trutas de futuro

    O desafio do empresário Rodrigo Freitas, quando adquiriu a propriedade em que existia uma trutário, era o que fazer com ele. Sim, porque manter um criatório na bela fazenda, localizada na Estrada Itaipava-Teresóplis, com um milhão de metros quadrados, duas nascentes, cachoeira, trilhas e infinitas possibilidades de aproveitamento, parecia pouco tentador. Entretanto, ao perceber que tinha em mãos um negócio que proporcionava a sobrevivência de três famílias, não teve dúvidas: não só manteve o trutário Reserva da Fronteira, como também idealizou no lugar um resort ecológico, com pomar, horta, minhocário e construções ecologicamente corretas.

    A imagem dos milhares de alevinos (os “filhotinhos” das trutas), os inúmeros tanques com peixes nas mais diversas fases de evolução, a comercialização das trutas para outros criatórios e a clientela que freqüentava a propriedade para a compra do peixe fresco foram decisórios. Com a idéia em mãos e as trutas na cabeça, ou vice-versa, surgiu o projeto do resort.
    “A princípio, pensei que essa era a propriedade ideal para uma fazenda orgânica. Tenho espaço, vegetação exuberante, água cristalina em abundância, ótima localização e vista maravilhosa. Com o trutário, veio a idéia do minhocário para manter a horta e o pomar, e em seguida o plano do resort, com poucos chalés, construídos segundo os preceitos da arquitetura ecológica, para quem gosta de contato com a natureza e se preocupa com as questões ambientais”, explica Rodrigo.
    Quanto à manutenção do criatório, que já funcionava há quinze anos, não houve problema, pois contava com a experiência do casal José e Marieta Reis. Ele, exímio conhecedor, garante que um trutário bem administrado mantém o sustento de toda a propriedade. “Hoje temos 70 mil alevinos, que daqui a oito meses serão comercializados para restaurantes (que compram o peixe pesando entre 250g e 300g), pousadas, clientes particulares que nos visitam e para o Hortomercado de Itaipava. Se dobrarmos a criação, poderemos não só comercializar os peixes como também vender os alevinos, o que poderá garantir um faturamento de até R$ 30 mil”, contabiliza.
    Se depender do esforço de Dona Marieta, a venda está garantida. “Limpo as trutas, uma a uma, para a retirada de 50 quilos de filé todo mês, que são comercializados para clientes particulares e para o Hortomercado. Aqui a limpeza é manual, o que resulta em um filé de ótima qualidade”, acrescenta. Qualidade que também é fruto da limpeza dos tanques, a cargo de “Seu” José. “Uma truta saborosa, sem gosto de terra, é resultado de muita higiene e de uma boa ração. A truta é um peixe que precisa de água limpa e gelada”, explica o tratador.
    Para garantir o sucesso do negócio, Rodrigo Freitas já encomendou o layout da logomarca do Reserva da Fronteira e novas embalagens para as trutas, que serão acompanhadas de receitas. “Como a desova ocorreu no inverno, acredito que ainda este ano vamos triplicar a criação. Temos clientela e um ótimo produto”, confirma. Sem dúvida, a multiplicação dos peixes ali renderá muitos frutos.

Trutário Reserva da Fronteira: Estrada Itaipava-Teresópolis, km 14,5 (sentido Teresópolis)


Estações de Itaipava © Todos os direitos reservados