Esporte elegante, mas caro: o equipamento para a prática do golfe (bolsa com tacos) não sai por menos de R$ 2.500




O belo Petrópolis Golf Clube, em Nogueira, é um Posto Avançado da Reserva de Biosfera da Mata Atlântica: espécies raras de bromélias e orquídeas só encontradas ali

Fotos: Henrique Magro

Mexa-se

Mexa-se com o golfe

    É de uso corrente dizer que uma pessoa hábil em uma atividade específica, ou segura naquilo que faz, “sabe manejar o taco”, ou “confia no próprio taco”. Se a expressão surgiu do golfe é discutível, mas se há um esporte em que, literalmente, o atleta para ser bom precisa dominar o equipamento, sem dúvida é este. No golfe, o jogador deve desenvolver técnica, concentração e preparo físico para que a tacada não se torne mero arremesso de bola, sem direção. Na serra, o Petrópolis Golf Clube, quinto maior campo do Estado, é palco de belas jogadas, tendo em seu quadro mais de 250 sócios e 70 anos de história.
    Cenário recorrente de telenovelas por sua beleza, palco de torneios internos e estaduais, o Petrópolis Golf Clube, em Nogueira, abriga uma prática esportiva ainda pouco difundida no Brasil. Considerado um esporte de elite, principalmente pelo custo do equipamento – uma bolsa completa com 14 tacos custa, em média, R$ 2.500 – o golfe não é uma modalidade esportiva apenas para a meia idade, imagem também associada a ele. Afinal, para percorrer duas voltas em um campo com nove buracos como o de Nogueira (perfazendo uma partida de 18 buracos), o jogador caminha, em média, sete quilômetros, em quatro horas. Nem sempre se tem essa disposição depois dos 50.
    “É necessário muito preparo físico, musculatura nas pernas e nos braços, além de concentração para não usar a força em excesso e lançar a bola sem direção. Já foi o tempo em que o público era constituído de pessoas de meia idade. O golfe é um esporte para todas as idades”, explica Alex Fernandes, praticante há 20 anos e professor do Petrópolis Golf Clube há uma década. Segundo ele, o bom jogador precisa de um bom treinador, duas aulas semanais, no mínimo, e de muita habilidade. Afinal, ele se depara com as próprias limitações técnicas e físicas, com os obstáculos do campo, cuja topografia é bastante variada, e com as condições climáticas, principalmente as rajadas de vento.
    No Brasil, dizer que entre os jovens o golfe ainda não está bem difundido, é afirmação que pode ser contestada por pessoas como o estudante de administração de empresas, Franz Reisky, de 18 anos. Praticante desde os 15, joga cinco horas diárias, seis vezes por semana, e já venceu seis campeonatos internos no Petrópolis Golf Clube. Seu sonho: a profissionalização. “Lamento não ter começado mais cedo, mas procuro recuperar isso treinando bastante e fazendo musculação, para fortalecer a musculatura das costas e dos braços”, comenta o jovem jogador.
    Na opinião do engenheiro Henrique Braun, aluno de Alex Fernandes, o golfe ainda é um esporte de elite, o que não ocorre na Europa e nos Estado Unidos. “A prática do golfe é de extrema importância, pois pode agregar várias gerações e propiciar o contato com a natureza. Além disso, é uma terapia e também motivo para reunião de negócios”, acrecenta. A reunião de negócios ou o descontraído bate-papo, regado a cerveja e aperitivos após as partidas, são tão comuns, que o bar do Petrópolis Golf Clube é apelidado de “buraco 19”, o único fora do campo.
    Saúde, sociabilidade, lazer. Por esses e outros atrativos, segundo dados da Confederação Brasileira de Gofe, o esporte é o que ganha mais adeptos no mundo, cerca de 10% anualmente. Além disso, movimenta 13 milhões de turistas, que viajam para destinos onde possam encontrar campos para a prática do esporte. Nos Estados Unidos, cerca de 26 milhões de pessoas praticam o golfe, e lá existem em torno de 16 mil campos, sendo mais da metade públicos. No quesito meio ambiente, os campos de golfe também representam verdadeiros pulmões verdes nas cidades. O Petrópolis Golf Clube, por exemplo, é um Posto Avançado da Reserva de Biosfera da Mata Atlântica. A prova da importância disso: cerca de 50% das espécies de árvores, bromélias e orquídeas ali existentes são endêmicas, ou seja, podem ser encontradas somente naquela região.


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