Abajures decorados, arranjos florais, quadros e buquês são maneiras de se utilizar flores, folhas, sementes e capins desidratados




A decoradora e artesã Marilda Lyra, que também confecciona arranjos florais sob encomenda, ensinará técnicas de desidratação no curso que será lançado



Fotos: Henrique Magro

Lar, doce lar

Beleza eternizada

    Que seja eterno enquanto dure. Se a frase do inesquecível Poetinha é válida para o amor, por que não citá-la quando o tema é a natureza? Afinal, a imortalidade do fugaz não envolve apenas paixão: pode demandar também técnica e muita pesquisa. Ao menos é o que a decoradora e artesã Marilda d´Avila Lyra quer ensinar no curso de desidratação de flores e folhas, que planeja oferecer no segundo semestre do ano, em Itaipava. Marilda é autora do livro Eternizando plantas, lançado em 1992 pela editora Numen. Com a iniciativa, pretende retomar um projeto interrompido há 10 anos, quando mudou-se em definitivo para a serra.
    Pioneira na pesquisa sobre desidratação de plantas no Rio, onde dava aulas sobre o assunto e confeccionava arranjos florais para clientes, Marilda Lyra investiga, há mais de 20 anos, métodos para eternizar a natureza. “Desde criança tenho profundo amor e respeito pela natureza. Os matizes, as texturas, a imensa beleza natural que temos ao nosso redor se perdem com facilidade. Por isso, a vontade de eternizar esses momentos de pura poesia, que vêm e vão com as estações, ou mesmo são destruídos pelo homem”,comenta a artesã.
    No curso, Marilda pretende mostrar que não apenas as flores, mas também folhas, sementes e capins podem ser desidratados e eternizados, desde que se utilizem métodos apropriados. Basicamente, existem quatro maneiras de desidratar e preservar: secagem no ar, por prensagem, com glicerina e com agentes químicos. Já a coloração, se necessária, é reforçada com jatos de spray colorido, anilina em pó ou tintas a óleo. As plantas desidratadas podem ser utilizadas para a confecção de arranjos florais, buquês, quadros, molduras, cartões ou decoração de cúpulas de abajures.
    “Muitas vezes ganhamos flores e depois que murcham as jogamos fora. Por que não desidratá-las antes que isso aconteça, criando diversos usos para elas?”, incentiva a decoradora. Segundo ela, os métodos são simples, mas exigem paciência e cuidado, visto que em alguns casos é necessário o uso, mesmo que em pequenas doses, de produtos químicos. Como na “esquelitização” de folhas, em que a pigmentação é retirada sem que elas sejam danificadas. “Com folhas “esqueletizadas” faço minirrosas, ideais para buquês de casamento, que ficam belos e delicados”, acrescenta.
    Assim, Marilda pretende retomar o curso que ministrou no Rio por cinco anos e que resultou no livro publicado em 1992. “A intenção agora é lançar, em Petrópolis, algo que acredito ser de grande utilidade, até mesmo como fonte de renda para as pessoas”, avalia a decoradora. Já a reedição do livro, ela planeja para um futuro não muito distante, assim que encontrar uma editora interessada, pois a Numen encerrou as atividades editoriais há 10 anos. Em tempos de desrespeito ambiental sem medida, desidratar é também preservar.
























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