Fachada da Mattheis Borg, líder nacional na fabricação de ferraduras e cravos para eqüinos: modernidade em uma prática milenar






Maquinário para a produção de ferraduras em aço adequadas aos cascos das mais variadas raças de eqüinos



        Fotos: Henrique Magro

Negócios nas alturas

Casco protegido

    Se em casa de ferreiro o espeto era de pau, hoje é de aço. No lugar de fole e bigorna, o especialista forja o metal em máquinas velozes. E mais, em vez de lambuzadas de óleo, vendidas aos molhos amarrados com arames, as ferraduras agora são embaladas em plástico, em jogos de quatro unidades próprios para o eqüino que irá “calçá-las”. Sim, a tecnologia chegou ao mercado milenar de produção de ferraduras, e a Mattheis Borg, sediada em Itaipava, líder nacional na venda do produto, é pioneira na produção mecanizada desses calçados para proteção do casco dos animais.

    Fundada em Petrópolis, em 1895, como Fábrica Nacional de Cravos para Ferraduras, em 111 anos de atividades, a Mattheis Borg chegou também a fabricar tachinhas, pregos e parafusos para uso industrial e doméstico. Mas foi na década de 90, após a compra da fábrica de Ferraduras JK, de Araçatuba, São Paulo, que a produção de ferraduras deu novo rumo à empresa e ao mercado. A inovação: fabricação automatizada de ferraduras, adaptáveis aos cascos das mais diferentes raças e estaturas de cavalos, pôneis, jumentos, burros e mulas.
    “Na época, as ferraduras eram tratadas como ferro velho, comercializadas em sacos de trigo, sortidas e amarradas com arame, sujas de óleo queimado para não enferrujar. Quando a Mattheis Borg inovou com tecnologia e um novo conceito de apresentação do produto, que passou a ocupar as prateleiras das lojas, foi uma revolução”, explica o gerente de vendas da indústria, Fabiano de Azevedo.
    Atualmente, a Mattheis Borg fabrica unicamente cravos e ferraduras em aço e complementa a linha de produtos com a comercialização de acessórios importados para o casco do cavalo, como torquês (espécie de alicate para aparar o casco do animal), martelos (para introdução do cravo no casco de forma correta) e palmilhas que amortecem o impacto do trote.
    “Com a estratégia, a indústria passou a dirigir 40% da produção para Turquia, Marrocos, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Costa Rica, Nicarágua e Porto Rico. Detentora de 85% do mercado nacional de cravo e 40% do mercado de ferraduras – 60% estão pulverizados entre diversas fábricas, de menor porte –, a Mattheis Borg fabrica mais de 150 modelos de ferraduras, que variam de acordo com o formato dos cascos dos eqüinos, e 15 tipos diferentes de cravos, adaptáveis aos modelos das ferraduras.
    “Temos uma numeração que varia de zero a 21, dependendo da raça do animal”, esclarece o gerente de vendas. Segundo ele, existem no mercado, além das ferraduras de aço, peças de alumínio, de poliuretano (alumínio e borracha) e terapêuticas, utilizadas para corrigir problemas ósseos.
    “A podologia eqüina é muito evoluída. O animais precisam de cravos e ferraduras para proteger o casco de doenças e deformidades, assim como nós precisamos de sapatos. Por isso as ferraduras e os cravos devem ser trocados a cada 35 dias, é a garantia da saúde do animal”, diz Fabiano. E um aviso aos que não dominam o assunto: os cravos não machucam os animais, pois na área do casco existe uma “zona morta” onde eles são introduzidos para fixar a ferradura, protegendo o casco. Os eqüinos não reclamam, ao contrário, deliciam-se como nós, quando calçamos pares confortáveis.
    O brinde à saúde dos animais está, no entanto, longe de ser completo, pelo menos em se tratando de cavalos: dos cinco milhões que trotam pelo Brasil, 99% não utilizam ferraduras. “Como o cavalo é usado para transporte, seja levando peso no lombo, seja puxando carroças, ele não deveria pisar o chão sem a proteção da ferradura. Porém, no interior do país, às vezes se usam borracha de pneu e prego para ferrar os cavalos, causando lesões no casco”, alerta Fabiano de Azevedo. Mais uma prática brasileira que precisa ser transformada pela informação.




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