Ateliê da Luiz Salvador emprega 32 artistas, que pintam, manualmente, 30 mil peças ao mês


Show-room da fábrica, em Itaipava




Telhas em cerâmica produzidas na L.S. há mais de 50 anos




José Marcelino, proprietário da fábrica desde 2001, investe em novas padronagens sem abrir mão das peças que fizeram a fama da marca

        Fotos: Henrique Magro

Negócios nas alturas

De Itaipava, para o mundo

    Ela já faz parte da “história” de Itaipava. Melhor dizendo, ela representa uma das mais importantes histórias de empreendedorismo desse charmoso distrito de Petrópolis. Com 54 anos de produção ceramista, a Cerâmica Luiz Salvador é também exemplo de ateliê industrial, uma vez que, mensalmente, em suas instalações são confeccionadas e pintadas a mão cerca de 30 mil peças. Desse total, metade é vendida no show-room anexo à fábrica – atração turística de destaque em Itaipava – e os outros 50% para lojas de artigos decorativos de todo o Brasil e do exterior.

    Português da cidade de Alcobaça, centro ceramista da Europa, Luiz Salvador chegou ao Brasil em 1950, aos 30 anos, com experiência adquirida após anos de trabalho como mestre-pintor no ateliê da Cerâmica Raul da Bernarda, indústria ceramista portuguesa de renome nacional. Disposto a montar uma indústria nos moldes das antigas olarias de Alcobaça e estimulado por Pierre Gunot (fundador, em 1927, da Indústria Cerâmica Itaipava e responsável pela elevação do distrito a centro ceramista de destaque entre o final dos anos 20 e os anos 40), se fixou em Itaipava. Em 1952, inaugurou a fábrica de objetos de faiança, tipo de cerâmica mais antiga e menos sofisticada que a porcelana, em que a argila cozida recebe tratamento de vitrificação.
    Adaptando-se à matéria-prima local, criou inicialmente peças muito semelhantes às portuguesas, e também telhas e painéis em azulejos, em que contava, nos desenhos, episódios de sua infância em Portugal e narrava temas do cotidiano brasileiro. Nas décadas de 60 e 70, com o sucesso das peças, lojas de departamento como Mappin e Mesbla figuravam entre os clientes da fábrica. Nos anos 80, pressionado por mudanças no mercado de utensílios e objetos para o lar principalmente pela demanda por produtos plásticos), a produção da Luiz Salvador passou a utilizar padronagens de outras procedências, além da portuguesa e brasileira. Nesse período, a marca L.S. já era conhecida em todo o Brasil por suas peças diferenciadas, de desenhos únicos.
    “Com o passar do tempo, a Cerâmica Luiz Salvador desenvolveu uma escola de ceramistas. Hoje, emprega 80 pessoas, sendo 32 pintores, e exporta para países como Estados Unidos, Argentina e França”, conta José Marcelino, proprietário da fábrica desde 2001, após o falecimento de Luiz Salvador. Centro industrial de referência – e também a única cerâmica sobrevivente da fase ceramista de Itaipava – o Espaço Luiz Salvador engloba, além do parque fabril de 8.000 m², show-room e cafeteria, em terreno de 12.500 m².
    Mensalmente, ali se produz mais de 900 modelos de diferentes peças em 40 padronagens distintas, seguindo temáticas de escolas ceramistas da Itália, França, Espanha e México. “Seguimos contra a corrente tecnológica, pois na Luiz Salvador não há produção seriada. Algumas peças levam até um dia para serem pintadas, por isso elas são similares, mas nunca iguais”, explica Marcelino. Segundo ele, o resultado são peças requintadas, de padronagem clássica contemporânea, que vêm ganhando mercado a cada dia por sua adaptação às tendências e às demandas do consumidor. Uma história de sucesso exemplar, de Itaipava para o mundo.










































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