Dyckia farinosa


Vriesea X fosteriana

Aechmea amicorum

Guzmania lingulata

Guzmania sanguinea

Aechmea farinosa

Aechmea poitaei

Neoregelia "Fire Ball"







Guzmania conifera

Guzmania "Ruby"

Alcantarea sp.

Foto Márcia Carvalho Luiz Felipe Carvalho

Fotos: Henrique Magro

Lar, doce lar

Bromélias

    Beleza, formas exóticas e resistência fazem destas plantas exemplares únicos na natureza
    Minha bromélia floresceu, uau! Calma, antes de festejar o acontecimento saiba que este pode ser um sintoma de que sua planta não está em um ambiente ideal ou está carente de cuidados adequados e, pelo instinto de sobrevivência, busca meios de garantir sua contribuição para a perpetuação da espécie. Para isso, procura, através da flor, atrair os agentes polinizadores – como insetos e pássaros, especialmente os colibris.
    Este é um dos detalhes que devem ser observados para que se possa garantir o cultivo correto deste que é um dos mais instigantes e encantadores representantes do reino vegetal. Embora sejam muito resistentes e não exijam cuidados constantes, as bromélias, quando distantes de seu habitat natural, devem ser cultivadas com tratamentos diferenciados e em locais adequados às características da espécie e gênero a que pertencem.
    Entre as cerca de três mil espécies catalogadas, divididas em 56 gêneros, existem grupos para o cultivo em árvores e placas, assim como aqueles que se adaptam perfeitamente a vasos e jardins. “A melhor maneira de mantê-las saudáveis é através do fornecimento de condições apropriadas de cultivo com luz, aeração, rega, fertilização e substrato adequados. É fundamental ainda que se realizem inspeções freqüentes para que eventuais problemas sejam corrigidos tão logo apareçam”, recomenda Luiz Felipe Nevares de Carvalho, fundador e primeiro presidente da Sociedade Brasileira de Bromélias e diretor do Herbarium Bradeanum.
    O especialista e colecionador - que inclusive já teve duas espécies batizadas com o seu nome (a Alcantarea nevaresii e a Neoregélia nevaresii) e cultiva mais de 20 mil plantas em Itaipava, além de manter uma coleção no Bromeliário Bossa Nova, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro - chama a atenção para o risco de extinção das bromélias em seu ambiente natural. “Especialmente no Brasil, país que reúne cerca de 50% de todas as espécies conhecidas, ela está muito ameaçada em seu habitat, não só pelo extrativismo exagerado, mas, principalmente, pela indiscriminada e sistemática destruição de todos os nossos ecossistemas”, alerta.
    O Brasil tem cerca de 1, 5 mil espécies, com a maior incidência registrada nas áreas de mata atlântica, faixa de vegetação que antes da intervenção humana percorria o litoral brasileiro de ponta a ponta, estendendo-se do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul e ocupando uma área de aproximadamente 1,3 milhão Km2. Hoje restam apenas cerca de 5 % de sua extensão original, o que equivale a 52 mil Km2. “Mesmo assim – afirma Luiz Felipe – estas regiões reúnem um extraordinário potencial para a descoberta de novas espécies”.
    Plantas tipicamente americanas, as bromélias ocorrem unicamente do sul dos Estados Unidos ao norte da Argentina e Chile. A única exceção – a Pitcairnia feliciana – pode ser originalmente encontrada na região do Golfo da Guiné, na Áfica Ocidental, e este desvio da regra traduz-se em outra curiosidade a respeito destas plantas. Elas podem constituir-se em mais uma prova de que em determinada época existiu a união geográfica entre os continentes americano e africano. Outra peculiaridade das bromélias está em sua forma de assimilar as substâncias necessárias a seu desenvolvimento. Elas são os únicos representantes do reino vegetal com a capacidade de absorver nutrientes diretamente do ar através de um conjunto de células chamado trichoma foliar, localizado na superfície de suas folhas.
    Mesmo com tantas singularidades e o atributo de garantir, por sua inigualável beleza exótica, um charme especial à decoração de ambientes internos ou jardins, as bromélias já tiveram, injustamente, seus dias de vilãs. Graças à divulgação pela mídia de informações equivocadas, elas foram associadas à transmissão da dengue; entretanto, pesquisas realizadas por várias instituições não comprovaram esta relação. Exemplo recente foi um estudo conduzido em conjunto pelo Jardim Botânico do Rio e pela Fundação Oswaldo Cruz (divulgado na Revista de Domingo, de O Globo, em 18/02/07) que durante um ano coletou larvas de mosquitos da água retida em 156 diferentes tipos de bromélias do parque e constatou que entre 2.816 larvas apenas duas eram do Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença.
    “No auge da epidemia, visitei vários clientes que queriam se desfazer de suas plantas. Entretanto, depois de comprovado o fato de que a incidência de larvas do mosquito era nas caixas d’água destampadas, assim como na água acumulada em latas e pneus, e não nas bromélias cultivadas dentro de casa ou em jardins, 90 % destas pessoas decidiram-se por mantê-las”, conta Márcia Carvalho, filha de Luiz Felipe e proprietária da Billbergia, loja de Itaipava especializada em bromélias e paisagismo.

A Sociedade Brasileira de Bromélias (SBBr) foi fundada em 1993 com o objetivo de preservar, orientar sobre o cultivo das mais variadas espécies e fomentar o conhecimento científico acerca das plantas da família Bromeliaceae. Veja algumas das recomendações da instituição para o cultivo de bromélias em casa:
PLANTIO: Não enterre demais as bromélias, mantenha a base das folhas acima do solo. Não use um vaso muito grande, pois há perigo de umidade excessiva nas raízes. Fixe bem a planta. Não permita que ela fique “balançando”, pois isto poderá danificar o tenro desenvolvimento das novas raízes. Estaqueie a planta se necessário, até que as raízes estejam bem desenvolvidas. Coloque sempre uma boa camada de cacos de telha ou pedriscos no vaso, que deve ser sempre furado nas laterais ou no fundo.
REGA: As bromélias gostam de ter suas raízes molhadas, mas sempre de forma bastante moderada; o mais importante é molhar as folhas e manter sempre o tanque central com água. Quando a temperatura ambiente estiver muito alta, borrife com água as folhas, mas nunca sob luz solar direta e nas horas mais quentes do dia. Plantas de folhas macias apreciam ambiente mais úmido do que plantas de folhas rígidas.
LUMINOSIDADE: Bastante claridade, em luz difusa, é apreciada pela maioria das bromélias. Em geral, plantas com folhas rígidas, estreitas e espinhentas, assim como folhas de cor cinza-esverdeada, cinza, avermelhada ou prateada gostam de maior luminosidade durante maior período de tempo, algumas até mesmo de sol pleno. Plantas de folhas macias, de cor verde ou verde-escuro, apreciam lugar com menor intensidade de luz, mas nunca um local totalmente escuro.





































































































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