Phalaenopsis




Sc. Fairyland “Marchen”

Blc. Nobile´s Red Fox

Vanda

C. Irmã Dulce X C. Floralou

Cymbidium Excell Marina

Phalaenopsis


V.tokio blue x V.kultana blue

Phal. Ever-Spring Prince

Phragmipedium

Blc. Nobile´s Wildfire





Bosque de Serissas

Azaléa

Cerejeira do Rio Grande do Sul

Bougainvillea

Ficus

Pinus Tumbergii - Pinheiro Negro

Cerejeira Japonesa



Fotos: Henrique Magro


Capa

Vício saudável

    Cultivo de plantas ornamentais vão além de um hobby
    Que tal celebrar a chegada da mais colorida das estações do ano adotando uma planta? Se a idéia agradar, a sugestão é o cultivo das belíssimas orquídeas ou dos não menos atraentes bonsais – dois tipos de plantas ornamentais que seduzem pela elegância das formas e valorizam qualquer ambiente. Mas, advertem os especialistas: cuidado. A prática, tida por eles como “uma cachaça”, pode transformá-lo em um adicto.
     Outro aspecto a ser levado em consideração é a dedicação que exigem. Assim como as crianças, ambos precisam de cuidados especiais e constantes para que seu desenvolvimento seja saudável e sua vida, o mais longeva possível. Para aqueles que, depois deste preâmbulo, ainda não desistiram, informações sobre estes curiosos vegetais e dicas para melhor cultivá-los, fornecidas por dois heavy users.

Orquídeas
     As orquídeas não são apenas bonitas e exóticas, são também as únicas flores que constam da Teoria da evolução das espécies, desenvolvida por Charles Darwin. De acordo com Ricardo Nunes, orquidófilo e professor de técnicas de cultivo da floricultura Itaipava Garden, o cientista catalogou estes gêneros de flores, que têm sua maior incidência em climas tropicais, como os mais evoluídos por sua imensa capacidade de autopreservação.
     Sem contar as espécies híbridas (produzidas pelo homem ou mesmo pela ação de insetos ou pássaros) que, estima-se, cheguem pelo menos a 70 mil, hoje se tem conhecimento de 1,8 mil gêneros naturais de orquídeas, que se subdividem em 35 mil espécies. “Deste total, cerca de 70% são nativas do Brasil. Também nos países asiáticos, especialmente na Tailândia, a ocorrência é muito grande”, informa o orquidófilo.
     Ao contrário do que muitos pensam, estas flores não são parasitas, apenas se utilizam de outros vegetais como hospedeiros, sem se valer de seus nutrientes para a sobrevivência. Quanto a seu habitat natural, elas são classificadas como terrestres (com a fixação no solo), epífitas (nas árvores) ou rupículas (nas pedras). Mas há também tipos bem menos comuns: as humícolas - que vivem no material orgânico sobre o solo das matas - e as raríssimas subterrâneas, que ocorrem no subsolo e são encontradas apenas na Austrália.
     Entre todas as espécies, é possível apreciar orquídeas floridas durante o ano inteiro. De um modo geral, as florações podem durar de 15 dias a seis meses e, normalmente acontecem anualmente; raras exceções florescem semestralmente. Na primavera, o dendrobium (popularmente conhecido como “olho de boneca”), a cattleya e alguns tipos de cymbidium, por exemplo, alcançam seu ápice e exibem as mais variadas cores em suas pétalas.
     “Folhas e caules sobrevivem em qualquer condição, mas, para que haja floração, o clima do local escolhido para o cultivo tem de ser compatível com o do habitat natural da planta, mesmo que as condições climáticas sejam produzidas artificialmente”, ensina Ricardo. O especialista recomenda que se reúna o máximo de informações disponíveis sobre as espécies que se deseja cultivar para que as condições oferecidas sejam apropriadas e lembra que “as espécies híbridas têm maior capacidade de adaptação, enquanto as naturais dificilmente se desenvolvem em circunstâncias adversas”.
     Não só a temperatura do lugar deve ser observada; também a luminosidade, a rega e o substrato utilizado devem ser adequados àquela planta. De acordo com o professor, praticamente todas as orquídeas podem ser cultivadas em vasos. “Nesses casos, deve-se dar grande atenção aos substratos. O ideal é não utilizar aqueles que tenham grande capacidade de retenção da água, como, por exemplo, a terra”.
     Quando bem realizado, o cultivo das orquídeas pode ser um negócio lucrativo. Uma única flor, desde que considerada uma espécie rara, pode chegar a valer o preço de um apartamento. A pouca incidência é um dos indicativos desse atributo, mas elas são valorizadas também por sua morfologia. “Às vezes, os híbridos têm formas mais interessantes e mais raras do que as verificadas nas espécies naturais e, nesses casos, costumam ter valor monetário superior”, observa o professor, que ministra cursos básicos de cultivo na Itaipava Garden.
     As aulas, que costumam acontecer trimestralmente (sempre durante os períodos de exposição das flores da loja), são ministradas aos sábados, com duração de duas horas e turmas divididas em turnos da manhã e da tarde. O programa oferece noções teóricas sobre as orquídeas e práticas sobre seu cultivo (envasamento, transplante de mudas, escolha de materiais adequados etc). O especialista também ministra cursos avançados para o aprofundamento das técnicas.

Bonsais
    É muito fácil entender porque o cultivo do bonsai (árvore em bandeja, em chinês) acaba virando um vício para quem se dedica a ele. As pequenas árvores plantadas em vasos são tão delicadas e charmosas que o difícil é conseguir não se deixar seduzir por elas. Entretanto, assim como o cultivo da orquídea, este hobby exige uma grande dedicação. Para produzir bonsais com êxito é necessário que se tenha, além do conhecimento acerca das técnicas e das espécies que se pretende miniaturizar, uma boa dose de sensibilidade.
     “O que se deve procurar fazer é deixar aflorar o que é inconsciente na planta para o seu consciente e então, de alguma maneira, descobrir como esta árvore gostaria de ser para induzir seu desenvolvimento de acordo com este estilo”, ensina Maria Cecília Moraes de Oliveira, psicanalista paranaense que hoje se dedica integralmente ao cultivo de bonsais em Itaipava.
     Os estilos são bastante variados. É possível cultivar as árvores com raízes sobre pedra ou terra, com troncos duplos ou triplos e conduzir seu formato com arames para que fique reto, inclinado ou ainda em forma de cascata. Qualquer árvore pode ser transformada em um bonsai, mas, de acordo com a especialista, as ideais são as que têm o tronco lenhoso. No Brasil, as árvores mais utilizadas são, entre outras, as tuias, os pinheiros, as piracantas e os fícus.
     Uma das curiosidades sobre estas miniaturas é que - enquanto seus caules, galhos, folhas e, eventualmente, flores podem ser reduzidos - os frutos sempre nascem em seu tamanho natural. Outra peculiaridade é sua capacidade de retomar o ritmo de desenvolvimento natural da planta. Quando fixados ao solo, os bonsais voltam a crescer e atingem o tamanho regular da árvore que o originou.
     A técnica do cultivo é de origem chinesa e existem registros de sua utilização desde o ano 300 aC. Ela foi criada para permitir a reprodução doméstica das árvores encontradas em montanhas e em outros locais de contemplação. A redução pode ser realizada a partir de mudas, troncos ou mesmo sementes. Para se obter a miniatura, as raízes são podadas, geralmente, no feitio radial. Também as copas devem ser podadas com regularidade. A rega deve ser diária – é fundamental que os vasos tenham drenos que permitam o escoamento da água - e as plantas devem receber diariamente a luz do sol, especialmente no período da manhã.
     Cada espécie tem sua época de poda, mas, a não ser que a árvore esteja florida ou com frutos, é geralmente na primavera que esta tarefa, assim como o reenvasamento, deve ser realizada. “É preciso podar e reenvasar porque que as raízes crescem e vão enrolando, dificultando a absorção dos nutrientes necessários. Quando as árvores estão sobre a terra, normalmente, usamos uma mistura de areia (50%), terra preta e vermelha e também adubos naturais como o húmus de minhoca ou farinha de osso. Mas na época do reenvasamento não se deve adubar; o ideal é esperar pelo menos um mês para isso”, esclarece a bonsaísta.
     Além dos cerca de mil bonsais que cultiva, ela também recebe em seu jardim árvores de outras pessoas para um tratamento especial, assim como em um Spa para vegetais. A especialista – que é membro da Sociedade Brasileira de Bonsai (SB Bonsai) costuma levar seus exemplares para exposições e, às vezes, vende uma ou outra árvore. Mas Maria Cecília, que começou a cultivar estas miniaturas há 12 anos como um hobby, não faz dos bonsais uma fonte de renda. Como ela mesma diz: “eles são uma cachaça”.


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