Há 50 anos, a Universal produz em Petrópolis equipamentos para cozinhas industriais





Tradição e inovação: Além das máquinas convencionais




A metalúrgica coloca no mercado novidades como a cascata de chocolate e a cafeteira automática

        Fotos: Henrique Magro

Negócios nas alturas

Cafezinho, chocolate ou refresco?


     Seja qual for a opção, é bem provável que ela saia de uma máquina da Metalúrgica Universal
     Café quentinho, saboroso e aromático - como convém a esta bebida genuinamente brasileira - só se consegue em casa, certo? Nem sempre. Para se chegar a esta fórmula ideal, mesmo que o café seja preparado em grandes quantidades, bastam medidas simples como a proporção correta entre o pó (que deve ser de boa qualidade) e a água, a temperatura do líquido e uma boa dose de atenção à satisfação dos consumidores.
     Foi pensando nisso que a Metalúrgica Universal – que desde 1952 fabrica em Petrópolis as tradicionais máquinas de café presentes na grande maioria das cozinhas industriais, bares, padarias e hotéis do Rio de Janeiro, Minas Gerais e estados da região nordeste do país - desenvolveu e acaba de lançar seu novo produto: a Novita – que até o final de 2007 estará disponível no mercado – é uma cafeteira totalmente automatizada que promete revolucionar o mercado do “café na rua”.
     “Consideramos a Novita uma evolução na arte de fazer café. As máquinas que hoje existem no Brasil para o preparo do cafezinho tradicional são mecânicas e dependem inteiramente do operador para a qualidade do produto. Com a automação é possível manter as características artesanais do café, bastando para isso que se utilize a quantidade correta de pó e se aperte um botão. Além disso, ela dispensa o manuseio de recipientes com água quente e, desta forma, contribui para a prevenção de acidentes”, observa Waltraud Keuper Pereira, diretora-geral da metalúrgica.
     Fundada por Augusto Keuper, a Metalúrgica Universal iniciou sua produção há exatos 55 anos como uma fábrica de fundo de quintal que produzia apenas máquinas de café. Hoje, de acordo com dados da empresa, sua participação neste mercado é de 80%. Mas a indústria não se limitou apenas a este tipo de maquinário, ao longo dos anos foi incorporando outras linhas à produção e atualmente seus 12 grupos de produtos, com cerca de 120 diferentes equipamentos, garantem à Universal uma partição no mercado de mais de 60%.
     Até 1962 a empresa fabricava apenas as tradicionais máquinas de café. No decorrer da década de 60 iniciou a produção de esterilizadores e equipamentos para banho-maria; nos anos 70 foi pioneira no fabrico de barris térmicos (só quem nunca foi à praia não conhece os recipientes para a venda de mate e limão por ambulantes) e lançou suas estufas industriais; no final dos 80 e início dos 90 introduziu linhas mais sofisticadas para serviços de buffet e cofee-service. Em 2000 passou a produzir também refresqueiras diferenciadas e começou a investir em pesquisas para o desenvolvimento das cafeteiras automáticas e da linha voltada para o chocolate.
     Também na manufatura das refresqueiras, a Universal é uma precursora. Foi ela a primeira a produzir no país peças equipadas com três cubas. O que parece ser algo bastante prosaico, na verdade é um indicativo da preocupação com o negócio dos clientes e a satisfação dos consumidores finais. “Quando o estabelecimento oferece três diferentes sabores, é muito difícil que o consumidor não aprecie um deles; por outro lado, os recipientes menores obrigam a uma renovação mais constante da bebida”, argumenta o gerente nacional de vendas da empresa, Darlan Medeiros.
     O desenvolvimento interno de produtos pioneiros - que preencham lacunas no mercado nacional ou mesmo que atendam às necessidades específicas de determinado cliente – é uma forte característica da metalúrgica. Outros bons exemplos são alguns dos produtos que integram as linhas de chocolate, também exportadas pela empresa petropolitana para o México, Chile e Argentina, além de outros países da América Latina. “Hoje, somos os únicos no Brasil a oferecer as derretedeiras secas – equipamentos capazes de garantir bombons e outros artigos de chocolate com a máxima excelência, uma vez que respingos de água são os principais responsáveis por comprometer a qualidade desta matéria-prima”, explica a diretora. A Temperchoco e o Rodachoco são outras máquinas que representam bem a filosofia da metalúrgica. O primeiro equipamento é o único do gênero fabricado no Brasil e reproduz com perfeição o resfriamento do chocolate – processo que, em geral, se faz manualmente e que exige muito esforço. O segundo – um distribuidor para caldas, coberturas e fondues, além de outras utilizações para a substância derretida - foi desenvolvido pela Universal a partir do pedido de um cliente.
     “Ele solicitou nossa visita e disse o seguinte: ‘quero um equipamento que seja bonito, tenha movimento e permita uma brincadeira com o chocolate’. Trouxemos a idéia para os engenheiros da fábrica e eles inventaram esta derretedeira que permite a visualização da operação e que hoje é um sucesso de vendas”, conta o gerente.
     A nova máquina de café automatizada – que, assim como as tradicionais, utiliza o coador de pano - surgiu de modo semelhante. Nas Olimpíadas de Sidney, a ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café) montou um estande para divulgar o produto nacional e utilizou as máquinas da Universal. O sucesso foi tanto (foram servidas cerca de 25 mil doses de cafezinho coado manualmente nestes equipamentos) que as nutricionistas da instituição fizeram um apelo à fabrica para que desenvolvesse um processo menos trabalhoso para o preparo de grandes quantidades.
     As especialistas orientaram os engenheiros quanto à fórmula de um perfeito café artesanal – temperatura e formas de condução ideais da água, intervalos necessários na umidificação do pó e outros segredinhos – e eles trabalharam com estes dados para a criação de um equipamento com um sistema automatizado que preservasse o sabor da bebida como se fosse feita em casa. Bateu aquela vontade? Pode ir tomar seu cafezinho...


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