Ambientes, bares, palco e pista novos: o Tamboatá está de cara nova para abrigar a edição 2007 de seu festival de inverno

























No Nucrepe, uma das poucas casas que abre todos os dias da semana, o forró rola solto às quintas-feiras






Dança do ventre, comida árabe e comprinhas de última hora no Alif





BAR: um clima de pub londrino na noite de Itaipava



Fotos: Henrique Magro


Capa

A gente quer comida, diversão e arte

    Ao soarem as doze badaladas noturnas, um pequeno trecho da Estrada União e Indústria, na altura de Itaipava, assume integralmente sua inequívoca vocação para a balada. Em um raio de cerca de 300 metros, concentram-se quatro das melhores e mais festivas casas da região, onde boa música e boa comida não têm hora para acabar.
     Do número 12.360 ao 12.700 da primeira rodovia asfaltada da América Latina, os cardápios gastronômicos e de eventos são variados. Da pizza ao quibe, dos shows de rock’n’roll e forró a apresentações de dança do ventre e declamação de poesias, tem para todos os gostos; só fica chupando o dedo quem é ruim do estômago ou doente do pé.
     A programação é extensa e este período de férias julhinas, quando chega a alta temporada da Serra, ideal para curtir as novidades implementadas pelo Tamboatá, Nucrepe e Alif e se esbaldar no BAR, a mais nova entre as quatro casas e que atravessa seu primeiro inverno petropolitano, trazendo para cá um clima pra lá de londrino.

Tudo começou em pizza

    Desde maio, o Tamboatá tem novo lay-out. A reforma inverteu a localização do antigo palco e do mezanino destinado à área vip, introduziu uma chapelaria (indispensável nesta época fria em que o “modelito cebola” é obrigatório para quem tem a temperatura interna elevada em proporção inversa à externa ao longo da noite) e conferiu novas cores aos bares e revestimentos, que receberam pinturas da artista plástica Carolina Montenegro.
     A área vip, antes com capacidade para 40 pessoas e com visão menos favorecida do palco, foi transferida para um espaço bem mais amplo (preparado para receber 150 pessoas), com visão privilegiada dos shows, lounge, bar e banheiros independentes. Dali também se avista confortavelmente o salão com pista de dança e a área externa com oficina de pizza em forno à lenha.
     Tudo novinho em folha e preparado para receber nas sextas e sábados do mês de julho os shows de Nando Reis, Los Impossibles, Os Britos, Dani Carlos, Leoni, Daniel del Sarto & Banda Rixco, além de DJ´s convidados, entre eles a atriz Letícia Spiller. A programação compõe a edição 2007 do festival Vivo no Inverno, evento anual introduzido no calendário do Tamboatá por Roberto Carneiro de Mendonça, Carlos Henrique Whers e os empresários da Cool Produções Antônio Nassif, Marcelus Fasano e Renato Duarte, que reforçaram o time de sócios quando a pizzaria se transferiu para o atual endereço.
     Contrariando a máxima aqui tudo acaba em pizza, o Tambotá começou, de mansinho, no Vale da Boa Esperança, em 1998, como uma pizzaria que, eventualmente, incluía shows e pequenos eventos em sua programação. Há cerca de três anos - quando se instalou na União e Indústria - mudou seu perfil e hoje é uma das mais movimentadas casas noturnas da região. Seu palco já recebeu alguns dos melhores artistas do cenário pop nacional – como Lenine, Paulinho Moska, Fernanda Abreu, Dinho Ouro Preto, Luciana Mello, Lobão, Tony Garrido, Fernanda Porto, Paulo Miklos, Ivo Meirelles e vários outros. De seus fornos saem pizzas (são 20 variedades de sabores que recobrem as massas finas e crocantes nos tamanhos P, M e G) com a mesma qualidade dos tempos em que eram a principal atração do lugar.
     Nos planos da gastronomia e da “invenção de moda”, a casa reserva ainda outras novidades para o público. Em breve, o Tamboatá vai abrigar também um sushibar e uma lojinha para a venda de camisetas com sua própria grife.

Sem comparação
    Para mudar totalmente de estilo e provar uma especialidade francesa embalada por um genuíno arrasta pé, basta atravessar para o lado ímpar da estrada e caminhar alguns metros. O Nucrepe – bar e creperia inaugurado em 1990 pelas amigas Inês de Castro, Cláudia Monteiro e Andréa Noronha - apresenta sempre às quintas-feiras, a partir das 24h, show com a banda Tribo de Gonzaga e uma variada programação musical que às sextas e sábados privilegia a MPB e o rock.
     A casa também passou por reformas recentes (celebradas no final de junho com um pocket show do músico Ed Motta), impulsionadas pelo convite de parceria feito pela Cervejaria Itaipava para que a marca, agora com novo lay-out, incorporasse o slogan Um bar sem comparação. Com isso, além das mudanças físicas – que incluíram a reformulação da varanda e banheiros, a troca de piso e de mobiliário, além da instalação de uma lareira no salão – o cardápio também foi modificado.
     Agora - além dos mais de quarenta tipos de crepes, entre salgados e doces, e dos pastéis que já há algum tempo figuram no menu -, as empresárias aumentaram a oferta de comestíveis com a introdução das linhas Nuespeto e Nugrelhados. Entre as opções de espetinhos estão os de lula, camarão, lingüiça, carne, frango e queijo; entre as de grelhados, com acompanhamento de salada, batata noisete ou frita: steak e frango. Também em função desta nova ordem, o chope, que já há algum tempo andava distante das mesas da creperia, voltou a espumar por ali.
     Pode-se dizer que uma das características incomparáveis da casa é o seu sistema de funcionamento. Ao contrário da esmagadora maioria dos bares e restaurantes da região, o Nucrepe abre todos os dias, de segunda a segunda, a partir das 17h.

Mil e uma nights
     Toda última sexta-feira do mês, por volta das 23h as odaliscas invadem o salão do Alif para mostrar suas habilidades com facas, castanholas, véus e outros adereços que compõem os misteriosos e fascinantes bailados árabes. As apresentações de dança do ventre, que hoje já representam um programa tradicional neste cantinho ocidental do planeta, são sucesso de público e crítica desde que foram introduzidas no restaurante por seu proprietário Marcelo Sapha, mais (e muito) conhecido por todos de Itaipava como Marcelão.
     Os encantos das mil e uma noites, entretanto, não estão apenas nos movimentos sensuais das dançarinas. O ambiente repleto de objetos que remetem ao Oriente Médio – por todo canto estão espalhados véus, tapeçarias, narguilés, ânforas e outras peças – traduz-se em um cenário perfeito para as refeições típicas desta parte do mundo.
     Para os ainda não iniciados nesta culinária cheia de temperos exóticos e sabores marcantes, a casa acaba de introduzir o Mix Alif – combinação que serve até quatro pessoas e traz uma amostra das especialidades para degustação: quibes, esfihas, kaftas, michuí (espetinho) de filé, falafel (bolinhos de grão de bico) e arroz com lentilhas – e três opções de sanduíches com ingredientes característicos desta cozinha. Ali é possível também provar um autêntico cuscuz marroquino (com carne de carneiro ou frango) e ainda pratos bem ocidentais, à base de carnes e massas e pizzas no forno à lenha.
     Em seus primeiros nove anos de vida, o Alif, inaugurado em 1993, funcionou apenas como restaurante. Em 2002, Marcelão montou uma delicatéssen na loja do lado e, com a reforma realizada em agosto do ano passado, os ambientes do salão e da deli foram integrados por uma passagem interna, permitindo comprinhas de última hora para os clientes do restaurante. Em tempo: da loja, além de uma grande variedade de produtos, pode-se levar o carpaccio e diferentes tipos de massas (inclusive as de pizza) e molhos produzidos na casa, com a coordenação da excelente cozinha a cargo de Sandra de Castro, mulher do proprietário.

Pro dia nascer feliz
     Austin Powers, o “agente bom de cama”, se sentiria em casa. Mas não só ele. Para ficar à vontade no BAR – “a última opção em Itaipava”, de acordo com a ambígua conceituação de João Fernandes de Oliveira Pinto, que compartilha o negócio com Fernando Eduardo Cardoso de Barros e Bruno Araújo de Salles – não é preciso muito mais do que uma boa dose de disposição para se divertir. Ali, a começar pelo cenário que em tudo faz lembrar a Londres dos anos sessenta, o lúdico dá o tom.
     Na verdade, a definição se aplica aos horários de abertura (em torno das 23h) e fechamento (enquanto o pique dos clientes durar – o que costuma acontecer até meio-dia, uma hora da tarde) e é só uma amostra do clima irreverente do BAR. Logo na entrada, uma tabuleta adverte que se você quer bebida barata, atendimento classe A, ambiente familiar, cardápio refinado, ouvir sua música predileta: não entre.
     O espírito da coisa é este mesmo: o atendimento é descontraído e comida não é servida, mas música há, bastante. Porém, sem privilegiar qualquer estilo ou hits do momento; e o ecletismo musical é uma das maiores qualidades do lugar. Rola de Jorge Benjor a Janis Joplin, de Wilson Simonal a Jack Johnson; sem preconceitos. O público também precisa se despir de todo e qualquer preconceito para vestir as fantasias - perucas coloridas, óculos, nariz de palhaço e outros adereços - que são oferecidas para, definitivamente, estabelecer o clima festivo. Jogos de sinuca, totó, dardo e amarelinha completam a diversão.
     A frase amendoim, pipoca e poesia grátis, inscrita no cardápio de bebidas afixado junto ao balcão, também oferece pistas do que a noite reserva aos freqüentadores. As porções de amendoim e pipoca (feita na casa com um delicioso e picante tempero de sal, pimenta e curry) são constantemente renovadas nas mesas; a poesia é eventualmente declamada por quem se habilitar ou escrita nas paredes do bar e no interior da kombi hippie que decora o ambiente, espontaneamente transformado em boate quando o som fica mais animado.
     O visual do BAR, inaugurado em setembro de 2006 no prédio em que funcionava a antiga agência Itaipava dos Correios, foi todo concebido por João. O empresário, que é também artista plástico, imprimiu seu toque pessoal em cada pequeno detalhe. O balcão é retrátil, os banheiros lembram cabines telefônicas inglesas, as paredes ostentam painéis montados com fundos de garrafas long neck - além de fotos do simpaticíssimo Dino (o fiel e saudoso bull terrier, primeiro e inesquecível mascote do BAR) - e uma lua cheia pintada em fundo azul que não deixa ninguém esquecer que a noite é uma criança e você também pode voltar a ser se quiser.


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