O Sítio Bamboo Jungle proporciona a Felipe, Luís e Maria Beatriz um estilo de vida em que as comodidades tecnológicas são totalmente supérfluas

A Casa Flora comercializa uma grande variedade de utensílios domésticos e peças de decoração, além de secos e molhados





Todos os espaços foram planejados para permitir uma estreita convivência com a natureza

Sob o desenho da pedra que lembra o perfil do Redentor, as abençoadas águas deste pequeno santuário ecológico jorram em profusão e geram a energia necessária para as necessidades básicas da família



Os esquilos e outros animais silvestres passeiam livremente por toda parte e ajudam a compor o clima de encantamento reinante no sítio, que teve as construções projetadas por Luís e paisagismo elaborado por Maria Beatriz




Fotos: Henrique Magro

Especial

Comunhão com a natureza



    O acelerado desenvolvimento da tecnologia, que hoje oferece possibilidades concretas para uma plena automação residencial, tem transformado as casas ao redor do mundo em verdadeiros abrigos hightech. Ao homem contemporâneo já é permitido usufruir um modo de vida em que acionar dispositivos para toda e qualquer tarefa doméstica, sem que seja necessário sequer levantar da poltrona, é atitude corriqueira.

     A cada dia torna-se mais comum ligar e desligar aparelhos eletrônicos, determinar a temperatura e a iluminação de ambientes, programar eletrodomésticos ou realizar qualquer tarefa cotidiana munindo-se para isso apenas de um controle remoto. Muitas vezes, nem este equipamento é necessário; basta um comando de voz ou mesmo um clique no mouse do computador para controlar e monitorar aparelhos à distância, via Internet.
     O que há algumas décadas tinha-se como mera fantasia para ser experimentada apenas através de obras da ficção científica, hoje se traduz na mais pura realidade. Mas nem todos compartilham o gosto por este modus vivendi. No alto do Vale das Princesas - localidade situada entre o Rocio, em Petrópolis, e o município de Miguel Pereira, também na Serra Fluminense – uma família disposta a resistir à sedução imposta por estas modernidades prova que é possível viver bem sem precisar dispor a todo o momento destas “conveniências”.
     Para viver no sítio Bamboo Jungle (o nome da propriedade já oferece pistas quanto ao estilo de seus moradores), o empresário Luís Portela, a paisagista Maria Beatriz Azeredo e o filho do casal, Felipe, abriram mão da possibilidade de equipar seu lar com todas estas traquitanas para usufruir algo que consideram essencial: o convívio íntimo com a natureza. E põe natureza nisso. O espaço de 170 mil m2 (equivalente a 3,5 alqueires) em meio à mata preservada e abençoada com sete quedas d´agua é o que se pode chamar de verdadeiro pedacinho do paraíso. Ali não se ouve nada além do burburinho das águas, das folhas das árvores balançando ao sabor do vento e das vozes dos animais. A casa, de estilo rústico e aconchegante, construída em madeira e bambu por Luís, foi planejada de modo a integrar-se com perfeição ao cenário e a oferecer o conforto necessário à família, que costuma reunir amigos em volta de um acolhedor fogão de lenha.
     Até chegar a este recanto, Luís atuou no Rio de Janeiro como corretor de imóveis, chefe de segurança do Arquivo Nacional e comissário de vôo da Vasp. Hoje, faz do bambu seu meio de vida, criando e fabricando móveis e objetos de decoração com o material, além de empregá-lo em construções, como fez na própria casa. Quando questionado sobre o porquê desta opção, sua resposta é tão simples como o estilo de vida que adotou. “Sempre gostei do mato e quando encontrei este lugar...”, suspira.
     Há 5 anos, ele, a mulher e o filho dividem o sítio com três cães, três gatos, um papagaio e mais toda a fauna local: esquilos, tatus, ouriços, quatis e outros animais silvestres, além de uma grande variedade de pássaros. Mas o panorama, segundo o empresário e também ecologista de carteirinha, não foi sempre este. “Quando chegamos aqui, não havia qualquer animal, nem mesmo pássaros. O lugar estava repleto de jiraus montados nas árvores por caçadores; então, derrubei todos e instalei várias placas indicando a proibição da caça, além de fazer pessoalmente a fiscalização. Com o tempo, os animais foram voltando”.
     Voltando e ficando à vontade. Os esquilos agem como membros da família e não fazem a menor cerimônia para adentrar a casa e reclamar os pedacinhos de polpa de coco que lhes são oferecidos habitualmente. Sua presença é tão constante que não causam estranheza nem mesmo aos cães ou aos gatos. Todos convivem em perfeita harmonia. A consonância entre pai, mãe, filho, mascotes e a natureza explícita que transborda por todos os lados já renderam, inclusive, os sugestivos apelidos de Tarzan, Jane e Mogli aos representantes da espécie humana do clã.
     Para o pequeno Felipe, a alcunha caiu como uma luva. Com a mesma destreza que manuseia o joystick do videogame (os aparelhos eletrônicos só chegaram ali há bem pouco tempo, com o advento da energia gerada por uma roda d´água instalada por Luís na propriedade), ele passeia com cordas por entre as árvores e brinca de skyboard – mistura de balanço e skate que permite giros de até 180 graus. Nada mal para quem tem apenas dez anos de idade e mais de um milhão de fantasias na cabeça para viver...



















































































































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