Vista panorâmica do POP, na margem esquerda do rio Piabanha, ao lado da rodovia BR-040, nas proximidades do km 59 (sentido Rio-Juiz de Fora): possível modelo para futuros parques, o POP tem como uma das principais propostas o incremento da economia petropolitana




Passeios de bicicleta e caminhada substituem uma área atualmente sujeita ao despejo de lixo







Projeto do centro de convenções para mais de mil pessoas, que garantirá a auto-sustentação do POP













Rodovia BR-040 e rio Piabanha, hoje e amanhã, com o POP: tanto o rio como a estrada se converterão em vitrines para o passante, segundo Orlando Graeff, autor do projeto



Da esquerda para a direita, Aníbal Duarte, Roberto Penna Chaves e Orlando Graeff


Fotos: Henrique Magro


Capa

Vida nova

    Projeto Parque Orla do Piabanha (POP) prevê parque arborizado com espécimes da flora petropolitana, ginásio esportivo, centro de convenções, bromeliário e mercado de flores na margem esquerda do Piabanha.
    Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Se o “hino” inspirou corações nos anos 60, que sirva hoje como estímulo para a sociedade civil arregaçar as mangas e agir. E assim será feito, se depender do empenho da Associação de Moradores e Amigos de Santa Mônica e do Petrópolis Convention & Visitors Bureau, entidades envolvidas na criação do inédito Parque Orla do Piabanha. Nesta edição, os diretores da NovAmosanta, Roberto Penna Chaves e Aníbal Duarte, e o autor do projeto, Orlando Graeff, explicam detalhadamente como será o POP. Em breve, bons ventos soprarão em Petrópolis, especificamente em 4,5 quilômetros de Itaipava.


Roberto Penna Chaves
    Nós, da NovAmosanta, há tempos queríamos fazer algo por Itaipava, para manter principalmente a qualidade de vida que o lugar nos oferece hoje. Quando vimos a reportagem da Estações de Itaipava (edição verão/2006), que veiculava propostas para a urbanização de Itaipava dos arquitetos Andrés Cebrian, Mauro Otero, Pedro Quintanilha e do engenheiro agrônomo Orlando Graeff, no trecho desta localidade que mais cresce hoje (do trevo de Bonsucesso ao lugar popularmente conhecido como “arranha-céu”, incluindo as margens do rio Piabanha), percebemos que ali se materializava uma resposta para nossos anseios. Decidimos então procurar o Orlando Graeff, pois o projeto do Parque Orla do Piabanha (POP) nos parecia o de mais fácil execução, por não demandar trabalhos de engenharia viária, como requer qualquer intervenção na União e Indústria. Em seguida, tivemos a adesão do Petrópolis Convention & Visitors Bureau (PC&VB), que abriu nossos olhos para a importância do turismo de negócios, que será um dos atrativos do Parque e o responsável por sua auto-sustentação.

Orlando Graeff
    De repente, vimos pessoas se unirem em prol de melhorias para Petrópolis. A partir dessa motivação, formatamos o projeto POP, que terá como área- piloto a margem do rio que se prolonga do Hortomercado Municipal ao lugar conhecido como “arranha-céu”. Para isso, pesquisamos os principais problemas da região, que podem provocar, a longo prazo, seu esvaziamento econômico: favelização das margens do Piabanha; atividade econômica concentrada nos finais de semana e feriados, com predominância de veranistas; congestionamento do tráfego; falta de atrações turísticas; falta de espaços públicos de recreação devidamente arborizados; dificuldade de manutenção das margens e do leito do rio. Em seguida, levantamos os benefícios e estabelecemos os objetivos do POP (apontados nos dois boxes desta reportagem). Vale ressaltar que não pretendemos criar uma nova Itaipava na margem do rio, pois o projeto do parque prevê conectividades com a União e Indústria. Com ele, tornaremos tanto o Piabanha, como o comércio da União e Indústria que o margeia, uma vitrine, pois serão vistos pelo transeunte do parque e pelos que trafegam pela BR 040. Assim, o POP vai, indiretamente, incrementar a estrutura de comércio varejista e de serviços, atraindo mais visitantes. Por isso um dos objetivos é construir passarelas para pedestres e até mesmo pontes para veículos sobre o rio, a fim de ligar uma margem à outra. Imagine o viajante que vai para Juiz de Fora, Belo Horizonte ou Brasília estacionar no parque e utilizar uma das passarelas para visitar o comércio de Itaipava!

Aníbal Duarte
    Para viabilizar o projeto Parque Orla do Piabanha, pretendemos, primeiro, escolher um conselho diretor e fazer do projeto uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), sem fins lucrativos, regida por legislação específica, seguindo critérios de transparência e de probidade administrativa, cuja finalidade é o bem social. Terá o apoio institucional da NovAmosanta e do PC&VB e será constituída também por um conselho fiscal e um núcleo operacional, que fará o dia-a-dia acontecer. É importante ressaltar que o POP não será mais uma despesa no orçamento da Prefeitura, isso não teria sentido. Ele foi concebido, fundamentalmente, para atender questões de natureza ambiental, e sua sustentação ficará a cargo da utilização do centro de convenções, que terá três auditórios, somando 1.500 assentos, além de salas de reuniões paralelas. Esse centro visará atender uma demanda dos próprios donos de hotéis e pousadas. Os próximos passos serão aprovar o POP nos comitês da Bacia do Piabanha, da Serla (Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagos), da FEEMA (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente), da APA de Petrópolis (Área de Proteção Ambiental de Petrópolis), do DNITT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes) e, claro, captar recursos para a implantação.

Benefícios do Parque Orla do Piabanha
• Parque público com espécimes da flora da região, bromeliário e ciclovia – ampliação das áreas de turismo e lazer de Petrópolis.
• Banqueta na orla – facilitar a limpeza do rio Piabanha e reduzir a probabilidade de enchentes, o que valorizará o comércio.
• Centro de convenções com 1.500 assentos – geração de empregos, aumento significativo da ocupação hoteleira, redução da economia informal e conseqüente geração de impostos e de receita para auto- sustentação do Parque.
• Ginásio esportivo e pavilhão de exposições para eventos culturais e esportivos – utilização pela rede escolar do município e geração de empregos.
• Conexões viárias potenciais (pontes e passarelas sobre o Piabanha e sobre a BR 040) – melhoria do tráfego em Itaipava, criação de corredores de lazer (bares e restaurantes) acoplados ao Parque e geração de empregos.
• Mercado das flores – comércio de produção local de flores.

Objetivos do Parque Orla do Piabanha
• Retirar e inibir construções irregulares no trecho do POP, visto que geram desvalorização do segmento imobiliário, o motor da economia regional, esvaziamento econômico e inibição do turismo, além de agravarem o despejo de lixo e esgoto no Piabanha. Existem também problemas técnicos que poderão ser resolvidos com a criação do POP. A proposta é tangenciar pontos de estrangulamento (como afluente Santo Antônio, na Estrada das Arcas, que desemboca a 90° no Piabanha) que hoje criam uma barreira de areia e detritos na época das chuvas.
• Gerar oportunidades para o turismo de negócios e para o incremento do comércio e de serviços de Petrópolis, por intermédio da construção do centro de convenções com 1.500 assentos e salas de apoio, de ginásio esportivo e de pavilhão de exposições. O turista de negócios gasta, em média, US$ 280/dia, enquanto o turista comum US$ 90/dia.
• Criar perspectivas de melhorias do sistema viário, a fim de evitar a formação de engarrafamentos nos finais de semana e feriados, pois o POP auxilia a pensar em uma futura reestruturação viária de Itaipava.
• Ampliar os espaços de lazer de Petrópolis, com a criação no POP de ciclovia, praças arborizadas, ginásio esportivo, pavilhão de exposições, mercado de flores e bromeliário.
• Criar novos espaços de suporte educacional e cultural em Petrópolis é um dos objetivos preponderantes do POP. A idéia é levar a criança para atividades esportivas e educativas no ginásio e no pavilhão de exposições do Parque.
• Facilitar a limpeza do leito do rio, com o acesso, pela ciclovia, de máquinas de desassoreamento e dragagem.
• Preservar ambientalmente as margens do Piabanha. O POP prevê um parque público com espécies da flora da região, mercado para a venda de flores e plantas e blomeriário. Uma banqueta na orla poderá servir para passagem de tubulações de fibra ótica, telecomunicações, energia, água e esgoto.

*O projeto Parque Orla do Piabanha foi desenvolvido pelo Conselho Gestor da APA-Petrópolis, a partir de estudos do engenheiro agrônomo Orlando Graeff, do engenheiro Luiz Campos Filho (falecido) e do engenheiro florestal Guilherme Siqueira. Tem apoio institucional da NovAmosanta e do Petrópolis Convention & Visitors Bureau. *Mais informações: fucapenna@terra.com.br conasp@terra.com.br










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