Fotos: Henrique Magro


Capa

Queijos, queijos e mais queijos!

    E também um pouquinho de chocolate, cultura e artesanato

     Visitar a Queijaria Escola Suíça, na Estrada Teresópolis-Friburgo, é um programão; as atrações são muitas. Só tem um porém: corre-se o risco de voltar de lá com excesso de bagagem. Não apenas no porta-malas do carro, mas também onde quer que os quilinhos extras costumem ficar armazenados depois de algumas estripulias gastronômicas. Ali é possível experimentar (e praticamente impossível resistir a) dezoito diferentes qualidades de queijo, além de barras, bombons, trufas em 12 sabores, frutas banhadas, garrafinhas com licor e outras delicadezas produzidas com chocolate.
     Mas nem só de comilança é feito o passeio. Famintos por cultura e suvenires de viagem também fazem a festa. Além da queijaria, da chocolataria e do restaurante, o complexo inclui um memorial dedicado à colonização suíça em Nova Friburgo. Completam o programa espaços montados em parceria com terceiros: um horto para venda de plantas, um museu de taxidermia e um galpão para a comercialização de peças produzidas por artesãos locais.
     Voltando à principal atração, a produção dos queijos (ah, os queijos) e dos chocolates pode ser acompanhada pelo público através de aquários. Das 9h às 13h, visitantes avulsos (diariamente) ou integrantes de grupos guiados (apenas de quinta a domingo) podem apreciar o processo de fabricação antes de saborear as iguarias feitas ali.
     Para os que não se satisfazem em apenas apreciar o processo de produção, a queijaria oferece ainda cursos de fabricação. Na parte dos queijos, são ministrados três diferentes programas - queijos com leite de vaca, de cabra e queijos nível II – e de chocolate artesanal, um. Todos dão direito a fita de vídeo com a parte teórica do curso, apostila e certificado. A alimentação e a hospedagem ficam por conta dos alunos. Quem não está inscrito nos cursos, mas quer fazer seus próprios experimentos, também pode comprar os materiais didáticos e acessórios como fôrmas, termômetros etc.
     O processo de fabricação segue rigorosamente a técnica e a tradição dos imigrantes suíços. Além dos tipicamente nacionais (como o requeijão, a ricota e o minas) e os do tipo suíço, gruyère, reblochon, gorgonzola e provolone, entre outros, ali também é confeccionado o Moleson. Note-se bem: não o do “tipo molessom”, pois estamos falando de um queijo desenvolvido e patenteado pela Queijaria Suíça, que o produz em duas versões - com leite de vaca ou cabra.
     Ao todo, são nove toneladas de queijo (um verdadeiro paraíso!) produzidas mensalmente e de forma artesanal. Grande fatia desta produção, aproximadamente 45%, é comercializada na loja da própria fábrica, que recebe a visita de cerca de 5,4 mil pessoas - entre chocólatras, queijólatras (se me permitem mais este neologismo) e diletantes em geral - ao mês.
     Em agosto, entretanto, o número é drasticamente ampliado em função do festival Eu só quero chocolate. Em 2007, durante os três dias em que se desenvolveu o evento a fábrica recebeu cerca de 8 mil pessoas. O festival inclui palestras gratuitas sobre, por exemplo, utilização do chocolate em pratos salgados e harmonização do doce com vinhos e degustações. Seguindo o estilo dos festivais de cerveja, o visitante adquire uma caneca e consume todo o chocolate líquido que puder. Festa para os amantes do cacau!
     Ainda na esfera gastronômica, o Chalé Heidi serve, além de fondues e raclettes, uma grande quantidade de pratos à base de, claro, queijos (entradas, saladas, sopas, massas e trutas) e sobremesas elaboradas com o mesmo ingrediente (torta de ricota, romeu e julieta, entre outras) e também com chocolate (fondue, petit gateaux, mousse e mais). No cardápio do restaurante (que abre de quinta a domingo) figuram ainda alguns pratos de carne e frango, que fogem à regra e não levam estes ingredientes em sua composição.
     Para gastar todas as calorias acumuladas (e olha que não são poucas), a sugestão é um tour completo, que pode começar pelo memorial que conta a história dos dois mil imigrantes que, em 1819, chegaram à Nova Friburgo. As peças expostas incluem um quarto de dormir de uma fazenda do século XVIII, com mobiliário original trazido da Suíça e painéis tridimensionais que reproduzem a viagem marítima dos imigrantes, além de outros objetos representativos da migração e da cultura helvética.
     O memorial foi criado em 1996, a partir da fundação de duas associações - uma local e outra sediada no Cantão de Fribourg, na Suíça - cujo objetivo era impulsionar o movimento de aproximação e intercâmbio entre as duas cidades. Hoje, constitui o maior acervo da migração suíça fora da Europa. Em tempo: no memorial é possível também descobrir outras curiosidades sobre a história de Nova Friburgo: foi a primeira cidade planejada do Brasil e também pioneira na colonização por europeus não portugueses.
     No Jardim Guilherme Tell, que inclui uma loja mantida em parceria com o Horto Florestal de Conquista para comercializar as espécies exibidas ali, o visitante pode retomar o fôlego antes de partir para o Museu de Taxidermia. Nesta instituição estão expostos 254 animais, entre espécies nativas da Mata Atlântica e outras de variadas origens. Cerca de 90% dos animais empalhados são oriundos da caça ilegal, apreendidos pelo Ibama; os demais, como um cisne negro que pertenceu à Fundação Roberto Marinho, doados por particulares.
     Se o bagageiro do carro já não estiver superlotado com as compras feitas na loja da Frialp, que, além dos queijos e chocolates feitos ali, oferece ainda uma série de utensílios e produtos fabricados na região, dá para se esbaldar nas três lojas (situadas na entrada do estacionamento) e no galpão do artesanato (instalado no Jardim Guilherme Tell). São 22 boxes com peças em cerâmica, topiaria, patchwork, tecido, madeira e outros.

Queijaria Escola Suíça
Estrada Teresópolis-Friburgo, Km 49 (acesso pelo Km 77 da BR-116) Conquista – Nova Friburgo
Telefone: (22) 2529-4000




































Estações de Itaipava © Todos os direitos reservados