Molho Inglês


































Tokaia







































Contrabando


Fotos: Henrique Magro

Especial

Aumenta que isso aí é Rock'n'Roll!



    Jornalista rala. Mas, não vou te enganar: também se diverte bastante. Tem momentos em que a gente agradece a Gutenberg. Em que outra profissão teríamos a oportunidade de promover uma sessão de fotos de uma banda de Rock – com direito à canja privê com músicas de Beatles e Rolling Stones – na cozinha do baixista? Desculpe, mas não é para todos.
     Esta foi uma das etapas que nossa equipe percorreu para retratar neste Especial algumas das melhores bandas nascidas em Petrópolis. E, para nossa surpresa, acabamos por descobrir uma que acaba de se formar a partir da reunião de integrantes de outros grupos. Com vocês, Molho Inglês, Tokaia e o recém-nascido Contrabando. Pena que ainda não inventaram a revista sonora.


WE LOVE THEM; YEAH, YEAH, YEAH!
     Quem não ama os Beatles? Parafraseando, em uma versão brasuca, os compositores italianos (valeu, São Google!) Francesco Migliacci e Mauro Lusini: eram uns garotos que, como eu, amavam os Beatles e os Rollings Stones. E também o Pink Floyd, The Police e outras feras que fizeram a cabeça dos jovens das gerações dos 60, 70 e 80 e que continuam arrebanhando admiradores neste novo milênio.
     Foi o amor a estas bandas, principalmente à nascida em Liverpool, que, em 1986, juntou o cardiologista Juarez Von Seehausen (baixista e nosso anfitrião da bem-vinda sessão de fotos e som) a dois amigos para a primeira formação do Molho Inglês. Hoje, depois de idas e vindas de outros componentes, o engenheiro naval Cláudio Martins (guitarrista e vocalista mais conhecido como Cau), o bancário Fernando Berredo (baterista que integra também o Contrabando) e o advogado Diego Carbonelli (guitarrista e o mais novo da trupe, apresentado aos outros pelo pai, também músico) completam o time.
     Uma das principais características do grupo – cujos integrantes exercem o ofício de músicos paralelamente às respectivas atividades profissionais – é o diletantismo. “Nos shows, costumamos tocar como se estivéssemos em casa, para nos divertir. Já nos apresentamos bastante em vários bares e casas noturnas daqui e também do Rio, mas gostamos principalmente de tocar em festas particulares”, diz Juarez.
     Mas o elo entre os “quatro rapazes de Petrópolis” não foi estabelecido apenas pelo gosto musical e pela amizade. O interesse pela gastronomia é outro elemento de ligação entre eles. Cada ensaio realizado na casa de Juarez é precedido por almoços ou sucedido por jantares feitos a oito mãos. Sacou? A escolha da cozinha para as fotos não foi só para mostrar que somos criativos e também temos uma atitude Rock’n’Roll.

NOVO CD NA PRAÇA
     Os músicos da banda Tokaia, ao contrário de uma boa parcela dos que hoje estão na estrada, vivem exclusivamente da música. Ao longo de 15 anos de carreira, o grupo já se apresentou em todas as casas especializada de Petrópolis e fez uma série de shows no Rio, em locais como Hard Rock Café, Nuth, Bastidores, Café Etílico e outros. Recentemente, comemorou a maturidade musical com o lançamento de um CD (pelo selo independente Jardim Magnético) com composições próprias.
     Mas nem sempre foi assim. “Como costuma acontecer com a maioria das bandas pop, no começo era tudo farra”. O depoimento e a definição quanto ao estilo são do tecladista Rodrigo Fiorini, que - junto com o guitarrista e vocalista Ricardo Oliveira, o baixista Leandro Bassinger e o baterista e percussionista Ussiles “Urso” Nascimento – integra a atual formação da Tokaia.
     O grupo, que começou em 1993, trilhou um caminho iniciado por apresentações esporádicas em festas e bares da cidade, com um repertório dançante e recheado de hits do rock internacional e da MPB. A profissionalização propriamente dita aconteceu em 96, quando, animados com a quantidade expressiva de admiradores em Petrópolis, os garotos resolveram alçar novos vôos com a inclusão de composições próprias nos repertórios dos shows.
     No ano seguinte, uma estada de três meses na cidade do Porto, em Portugal, foi definitiva para a consolidação da banda. A temporada lusitana – ainda sem a participação do atual guitarrista e vocalista Ricardo Oliveira - rendeu nove shows e entrevistas em rádios locais, além da primeira briga, motivada pela convivência mais estreita. “Aqui no Brasil, o relacionamento entre nós era como um namoro; lá, virou casamento”, compara, rindo, o baterista.
     Atualmente, a banda, que mantém dois perfis no site de relacionamentos Orkut (um deles já ultrapassou a marca de mil integrantes), se dedica, além das apresentações em Petrópolis, a um novo projeto. Como convidados especiais, acompanham o músico Mariano San Roman, também petropolitano, na turnê de lançamento do CD Magical Fingers pelo Brasil.

AFINIDADES MUSICAIS
     Acaba de nascer, e tem todas as chances do mundo de permanecer por muito tempo nos palcos da vida, o Contrabando. O grupo - formado por Rodolfo Miranda (voz), Paulinho Cabral (guitarra), Fernando Berredo (bateria) e Roberto D’Ávila (baixo) - é uma reunião de músicos com larga experiência em outras bandas da cidade. Todos já passaram por grupos como Rixco, Bando da Esquina, Molho Inglês, Serrablues, Geribanda e outros.
     Mas o grande trunfo da banda, embora as experiências pessoais tenham sido variadas, é a afinidade musical que existe entre os quatro. Para o guitarrista, foi exatamente isso que os uniu. “Tudo começou de forma muito natural, surgiu da vontade que sempre tivemos de tocar juntos”, conta Paulinho. Ao falar sobre repertório, o baterista corrobora: “a gente toca o que gosta”. E isto quer dizer: Pink Floyd, The Doors, Elton John, Eric Clapton, além de muitas outras coisas boas do bom e velho Rock’n’Roll.
     Assim como o dublê de bancário e baterista Fernando, e de todos os integrantes do Molho Inglês, os membros do Contrabando não se dedicam apenas à música. O que para Paulinho significa uma vantagem “Quando você depende exclusivamente da música para viver, muitas vezes tem de fazer concessões, ceder ao mercado, tocar o que não está com vontade. Por isso resolvi fazer um concurso público e me dedicar ao instrumento apenas por prazer”, diz. O vocalista Rodolfo também é funcionário público e Roberto, além de baixista, corretor de seguros.
     O primeiro show do Contrabando aconteceu no dia 19 de janeiro deste ano, no Nucrepe, em Itaipava. E foi ali mesmo, cinco minutos antes de entrar no palco, que o grupo foi batizado. Para o futuro as expectativas são a inclusão de composições próprias no repertório e apresentações nas tradicionais casas de shows da região (o Tamboatá, locação escolhida para as fotos, é uma das que está na mira). Sempre com participações especiais de outros amigos. O saxofonista Bruno Guimarães e o tecladista Rodrigo D’Ávila são alguns dos que fazem parte da turma.

Contatos:
Molho Inglês: (24) 9222.4793
Tokaia: (24) 9832.6831
Contrabando: (24) 9919.2027 / (21) 8871.0145
Colaboração: Tamboatá; Estúdio Fábrica



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