Construída pelo Barão do Catete, a casa que hoje abriga a Pefeitura de Petrópolis, na Avenida Koeler, hospedou o presidente Campos Salles em suas temporadas de verão na Serra


O arquiteto Joaquim Cândido Guilhobel, um dos projetistas do Palácio Imperial, foi um dos moradores ilustres do casarão da Avenida Kennedy


O Palácio Amarelo, erguido em 1850 na Praça Visconde de Mauá, funciona como sede da Câmara dos Vereadores desde a administração do prefeito Hermogênio Silva


O imponente solar da Rua Benjamim Constant, onde hoje está a reitoria da UCP, foi o cenário da lua-de-mel da Princesa Isabel com o Conde D'Eu

Na mais elegante avenida de Petrópolis, a Koeler, a casa de número 135 hospedou os presidentes Arthur Bernardes e Washington Luiz

        Fotos: Henrique Magro

Lar, doce lar

Lar dos nobres


     Petrópolis é realmente uma cidade privilegiada. Aqui, a convergência dos fatores climáticos, geográficos e históricos é capaz de transformar um simples passeio pela rua em momentos de puro deleite. Porque a estes atributos soma-se ainda a beleza arquitetônica dos palacetes instalados em suas praças, ruas e avenidas.
     Hoje, a maioria destes prédios – que ao longo de séculos abrigaram personagens importantes na vida do país, além de receber muitos hóspedes ilustres em suas dependências – é ocupada por instituições públicas ou privadas. Para conhecer um pouco mais de sua história, tivemos o luxuoso auxílio do historiador e professor Joaquim Eloy Duarte dos Santos – um petropolitano incondicionalmente apaixonado pela cidade –, que nos revelou alguns detalhes acerca de cinco destas antigas construções. Algumas delas foram erigidas quando Petrópolis sequer ostentava ainda o título de cidade – o que aconteceu em 1857, 14 anos depois de D. Pedro II ter fundado a Povoação-Palácio de Petrópolis na área em que se situava a fazenda do Córrego Seco.
     A casa que, desde 1996, abriga a Prefeitura de Petrópolis (na Av. Koeler, 260) foi construída em 1872 pelo Dr. Joaquim Antônio D’Araújo e Silva, o Barão do Catete. O médico, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1849, foi diretor do Hospício D. Pedro II e do Instituto Nacional de Oftalmologia além de presidir, em Petrópolis, a Sociedade Mantenedora do Hospital Santa Teresa. Neste palacete, considerado a primeira residência de verão da Presidência da República, o Barão do Catete hospedou Campos Salles, presidente entre 1898 e 1902, que adotou o costume de passar temporadas ali.
     Originalmente, o imóvel possuía apenas um andar, entretanto, depois de passar às mãos de outros proprietários - incluindo Cândido Gaffrée, um dos construtores do porto de Santos - foi sofrendo reformas. Os padres do Sion, que o ocuparam em determinado período, construíram um segundo pavimento e um anexo com capela para montar ali o Colégio São José. Tempos depois, a construção abrigaria ainda outra instituição de ensino: o Ateneu.
     Na Avenida Kennedy, antiga Rua Piabanha, está instalada uma das mais antigas construções de Petrópolis e que hoje abriga a Secretaria Municipal de Saúde. Ali residiu Joaquim Cândido Guilhobel, um dos arquitetos do Palácio Imperial. No período compreendido entre os anos de 1850 e 1855, ele projetou ainda outras obras representativas. O colégio Kopke, datado de 1850, a ponte do rio Piabanha (em frente à Rua Montecaseros), de 1855, e o chafariz da Praça Visconde de Mauá (antiga Praça Municipal), do mesmo ano.
     Foi em 1851 que o arquiteto veio morar na cidade, depois de ter sua reforma como Coronel de Primeira Linha do Corpo de Engenheiros assinada por D. Pedro II. Além dos projetos na cidade imperial, ele foi também responsável por outras importantes obras como a capela da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, datada de 1840. No casarão da Avenida Kennedy, habitaram ainda o ilustre diplomata, escritor, político e advogado Joaquim Nabuco e o Embaixador Luiz Gonzaga Nascimento e Silva.
     Outra instituição pública, a Câmara dos Vereadores, está instalada em um dos mais belos prédios históricos da cidade. O Palácio Amarelo foi erguido em 1850 pelo Conselheiro José Carlos Mayrinck da Silva, que o ocupou até 1891, ano em que foi comprado pelo Barão de Guaraciaba. Na administração de Hermogênio Silva, o palácio foi adquirido pela Câmara Municipal de Petrópolis, que o adaptou para as necessidades do Poder Legistativo.
     A reforma, que terminou em 1897, alterou sua fachada e introduziu um salão para as sessões plenárias, batizado com o nome do então administrador do município (na época não se usava o termo prefeito) e autor do primeiro código de postura de Petrópolis. Este salão, ricamente decorado, é hoje uma das maiores atrações do interior do prédio, que, entre os anos de 1916 e 1990, abrigou também o gabinete da prefeitura.
     O prédio da Rua Benjamin Constant comprado de Antônio José da Costa Dantas por Dom André Lamas, Ministro da República do Uruguai e grande amigo do Imperador D. Pedro II, é onde hoje funciona o campus que abriga a reitoria da Universidade Católica de Petrópolis (UCP). Em 1863, o ministro a vendeu para Joaquim Ribeiro de Avelar, o Visconde de Ubá, que a cedeu para a lua-de-mel da princesa Isabel com o Conde D’Eu. O solar foi um dos cenários da intensa vida social e política do Império. Em 1888, antes de viajar para a Europa, D. Pedro II passou uma temporada lá para descansar.
     Antes de pertencer à universidade, o prédio de estilo predominantemente renascentista foi adquirido pela Congregação das Religiosas de Nossa Senhora de Sion, que construiu ali um colégio. Ao longo do tempo, o solar passou ainda por outras modificações como a construção de uma capela e de mais um andar.
     O número 135 da Avenida Koeler, uma das mais sofisticadas da cidade, teve também seu auge como endereço de agitação política e social. Já no tempo da República, o palacete da família Gomensoro era o ponto de encontro de moradores da elegante vizinhança. Costumavam freqüentar a residência, que hospedou os presidentes Arthur Bernardes e Washington Luiz, os Francklin Sampaio, o Conde Pereira Carneiro e outros vizinhos ilustres. Hoje, funciona ali o Colégio Alaor.


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