Ilustração: Orlando Graeff

Segundo a ótica do engenheiro florestal Orlando Graeff, que apresentou, na edição verão/2006 da Estações de Itaipava, as soluções que deram origem ao POP: trecho do rio Santo Antônio, na confluência com o Piabanha;...



Ilustração: Orlando Graeff

... visão noturna do rio Piabanha, sobre a ponte da rua Gerônimo Ferreira Alves (ponte do Bramil);



Ilustração: Orlando Graeff
... e trecho do Piabanha entre as pontes da rua Gerônimo F. Alves (ponte do Bramil) e a ponte do Arranha-Céu.













































































Foto: Arquivo Yara Valverde


Foto: Arquivo Yara Valverde

Considerado um modelo de parque fluvial em nível mundial, o Montemarcello-Magra, localizado entre as regiões da Ligúria e da Toscana, abrange um território de 4,3 mil hectares e atravessa 18 pequenas cidades. Muito rico em recursos naturais, históricos e culturais (ao longo das margens dos rios que compõem a bacia encontram-se casas e castelos tombados) o parque é também um laboratório de projetos certificados de conservação e requalificação ambiental. Ali estão instalados um centro regional de proteção e de estudos da fauna, um horto botânico e um centro de estudos de parques fluviais protegidos.

Foto: Yara Valverde

As ciclovias como a do Parque Regional da Bacia do Ticino, na região da Lombardia - funcionam como eco-barreiras para impedir a ocupação das margens dos rios. Ainda que nem todos os parques fluviais tenham esta importante via de transporte ao longo de toda a sua extensão, ela é uma condicionante fundamental para a fiscalização da área e outros aspectos envolvidos em sua conservação.

Foto: Yara Valverde




Ilustração: Márcia Carvalho

































Ilustração: Sérgio Treitler

Ilustração: Sérgio Treitler

Fotos: Henrique Magro


Capa

Efeito borboleta



     O termo, relativo a determinadas condições da teoria do caos, indica que quando uma pequena ação, por infinitesimal que seja, é empreendida vai, invariavelmente, surtir algum efeito; tenha ele qualquer proporção. Se, de acordo com a teoria, o bater de asas de uma diminuta borboleta é capaz de influenciar o curso natural das coisas de modo a provocar até mesmo um tufão do outro lado do mundo, imagine do que não são capazes pessoas que se agregam em prol do desenvolvimento sustentável de uma região?
     Foi com um pequeno impulso dado por arquitetos e engenheiros - que apresentaram, em matéria publicada na edição verão 2006 da Estações de Itaipava, soluções urbanísticas para um trecho de 4,8 quilômetros da União e Indústria (entre o trevo de chegada ao distrito de Itaipava e a ponte popularmente conhecida como “ponte do arranha-céu”) - que um grande movimento começou a ganhar forma e está cada vez mais próximo de sua materialização.
     Exatamente um ano depois de publicada esta matéria, novos elementos foram agregados à cadeia e, no verão de 2007, a revista veiculava uma reportagem anunciando o POP – Projeto Parque da Orla do Piabanha. O programa - nascido das propostas do engenheiro agrônomo Orlando Graeff, desenvolvido pelo Conselho Gestor da APA-Petrópolis, instituição então presidida pela bióloga e especialista em planejamento ambiental Yara Valverde, e apoiado pela NovAmosanta (Associação de Moradores e Amigos de Santa Mônica), pela Associação de Moradores da Mangalarga e pelo Petrópolis Convention e Visitors Bureau – ganha agora novo impulso.
     Com ventos soprando a favor, o POP acabou chegando à Secretaria Estadual do Ambiente, que, através da Serla (Superintendência Estadual de Rios e Lagoas) e de seu departamento de Parques Fluviais, abriu licitação para a contratação de um plano básico para a recuperação de trechos do Piabanha e do Santo Antônio, um de seus afluentes. Mas a adoção da idéia pela Secretaria, que deverá apresentar o projeto em novembro, não imobilizou as entidades envolvidas desde o seu início. Elas continuam a trabalhar pela causa.
     Atualmente, os esforços são empreendidos no sentido de se criar um comitê para o acompanhamento dos trabalhos realizados pela Serla (veja quadro com detalhamento do projeto) e ainda de desenvolver ações paralelas que viabilizem a implementação do maior número possível de itens previstos no POP. “A sociedade civil quer acompanhar este projeto de perto para que ele não se desvie dos princípios básicos que constituem o conceito do parque”, afirma Roberto Penna Chaves, um dos diretores da NovAmosanta.
     A manutenção da rota prevista inicialmente significa a adoção de uma série de medidas. Estas ações permitirão a preservação das margens do Piabanha, a facilitação da limpeza do leito do rio, a retirada e inibição de construções irregulares no trecho de abrangência do POP, a ampliação dos espaços de lazer de Petrópolis, a criação de perspectivas de melhorias do sistema viário e outros avanços para a orla.
     Um dos pontos para onde o foco se dirige com grande intensidade é a conscientização da população local, especialmente de proprietários de faixas de terra ao longo da orla, da necessidade de criação de reservas particulares de uma forma ordenada, com um delineamento básico da concepção destes espaços. “Hoje já temos o Governo do Estado fazendo obras estruturais nos rios, mas o complemento fundamental, que é a interação da sociedade para a viabilização de ações paralelas, como a recuperação do verde em determinados trechos e mesmo a materialização dos parques, com suas ciclovias e outros benefícios para a população, depende da mobilização geral”, avalia Aníbal Duarte, também integrante da NovAmosanta.
     O POP foi desenvolvido com base em projetos implantados em países europeus que, de acordo com Yara Valverde, que hoje integra a Cooperativa Estruturar, têm a tradição de trabalhar a recuperação e a conservação ambientais nos territórios das bacias hidrográficas. Esta é a unidade principal de gestão ambiental de países como França, Itália e Alemanha, por exemplo.
     “Na época do desenvolvimento do POP, fomos buscar inspiração nestes modelos. As bacias do Estado do Rio de Janeiro têm uma característica bastante peculiar, que é a grande ocupação humana das margens dos rios, a maioria pode mesmo ser considerada como área urbana. Por isso a necessidade de criação de um parque, uma forma de recuperar as margens e ao mesmo tempo trazer uma área de lazer para a população, integrando a conservação à vida da população”, explica a bióloga.
     Que o parque nos traga ainda mais borboletas!

O PIABANHA AGRADECE
O Projeto da Secretaria de Estado do Ambiente, desenvolvido pela Serla e por seu departamento de parques fluviais, para a bacia do Piabanha está em sua fase inicial (em processo de licitação para contratação de projeto básico, que precede o projeto conceitual e antecede o de implantação propriamente dito) e prevê uma série de ações com o objetivo de valorização desta bacia hidrográfica como patrimônio ambiental a ser preservado.
As intervenções previstas serão realizadas ao longo da faixa marginal do Rio Piabanha, entre o 1º e 5º Distritos de Petrópolis a partir da “Ponte do Retiro” e a localidade conhecida como Barra Mansa e ainda no Rio Santo Antônio, desde a confluência com o Rio Piabanha até a ponte de acesso ao Bairro Madame Machado.
No dia primeiro de agosto, em uma reunião organizada em um shopping de Itaipava, o projeto conceitual foi apresentado para autoridades municipais e representantes de entidades não governamentais de Petrópolis.
Veja os objetivos gerais do projeto:
- estancar o processo contínuo de ocupação por assentamentos humanos subnormais constituindo situações de risco de enchentes; - providenciar o plantio de espécies nativas visando à recomposição de mata ciliar;
- propor soluções para a questão do lançamento de esgotos domiciliares de edificações residenciais e comerciais existentes consolidadas nos rios;
- estudar a criação de espaços visando o lazer contemplativo, prática de esportes, atividades culturais e educação ambiental;
- definir áreas para equipamentos urbanos que contribuam à atividade do turismo ecológico privilegiando a regeneração da biota natural;
- definir acessos para equipamentos de forma a permitir operações de recuperação ambiental dos rios;
- propor medidas não estruturais visando à prevenção da degradação das áreas ribeirinhas,
- apontar medidas para a redução da suscetibilidade ou das conseqüências danosas resultantes de enchentes e inundações.  

SEGUINDO O EXEMPLO EUROPEU
De acordo com a bióloga e especialista em planejamento ambiental Yara Valverde, no Brasil os parques fluviais traduzem-se em uma inovação em termos de políticas públicas, além de uma oportunidade para experimentar na prática uma gestão integrada para alcançar o que há de melhor nos instrumentos das políticas de recursos hídricos e de conservação da biodiversidade.
“Os parques fluviais podem representar uma nova categoria de unidade de conservação. Hoje, eles são, possivelmente, a melhor proposta para as regiões do território nacional onde a presença humana é dominante e as estratégias para sua gestão precisam incorporar a capacidade de lidar com os conflitos já estabelecidos ou potenciais”, diz.
Ela acredita a revitalização da bacia do Piabanha é uma forma de se conservar não apenas a biodiversidade silvestre, mas também a agrobiodiversidade. “Deste modo, podemos apoiar economias locais sadias em áreas rurais, apoiar e recompensar a gestão adequada de recursos naturais e culturais em propriedades privadas, gerar retorno financeiro através do turismo e dar espaço para a restauração ecológica”, explica.
As reservas italianas Parque do Montemarcello-Magra e Parque Regional da Bacia do Rio Ticino, são dois bons exemplos de parques fluviais europeus. Ambos contam com ciclovias e outros elementos importantes para a gestão ambiental das bacias hidrográficas.





































NOVAS IDÉIAS
Desde o lançamento do POP, o interesse de moradores, veranistas e visitantes de Itaipava pela revitalização da bacia do Piabanha só vem aumentando. A cada dia surgem novas opiniões e idéias para a preservação deste patrimônio natural. Veja as soluções urbanísticas sugeridas por arquitetos da região para trechos do Rio Santo Antônio.

PARQUE ESTRADA DAS ARCAS
Marcia Leuzinger de Carvalho
Com o aproveitamento da área de remanejamento do rio Santo Antônio, de forma a criar uma área que possa ser desfrutada pela comunidade na época de estiagem e que sirva de área de escoamento do rio na época das chuvas, os moradores terão uma opção de lazer mais próxima de casa. O local pode ainda tornar-se ponto de encontro de amantes da natureza, praticantes de atividades físicas ou terapias alternativas, assim como de idosos, que poderão utilizar as mesas para jogos e fazer caminhadas em local plano.
A idéia é criar áreas fixas de lazer, como uma pequena arena, que pode servir para eventos, demonstrações de terapias corporais e até mesmo como local de patinação. Outro elemento seria uma rampa de skate, com o muro de contenção como “cenário” (pode ser grafitado ou pintado). Como acesso, uma rampa no local mais largo da calçada, com descida para ambos os lados. Contaria ainda com uma pista para caminhadas e a ciclovia, prevista no projeto geral.
Todo o terreno terá cobertura de grama e plantio de árvores na direção da margem do rio – o que irá ajudar a amortecer a força das águas na época das cheias. Os equipamentos propostos devem ser em concreto, pedra e alvenaria, de modo a suportar uma possível enchente. O caminho para passeio será em cascalho e a ciclovia deverá obedecer aos mesmos critérios do projeto principal.
Marcia Leuzinger de Carvalho é arquiteta graduada pela Universidade Santa Úrsula e pós-graduada em marketing pela ESPM. Estabelecida em Itaipava há mais de uma década, é também produtora rural de plantas ornamentais e proprietária da Billbergia - loja de decoração e paisagismo, em Itaipava.


RIO SANTO ANTÔNIO (trecho situado na estrada Itaipava-Teresópolis
Sérgio Treitler
Margem direita (ciclovia):
A ciclovia deverá ser em saibro compactado, para melhorar a drenagem e não absorver calor, além de ser tratada com um mínimo de vegetação, por questão de segurança, proporcionando total visibilidade aos usuários. Nos pontos onde a ciclovia se aproximar da margem do rio, haverá uma cerca, feita com moirões de eucalipto tratado e cordas como anteparo. Deverá haver o predomínio de vegetação rasteira (coberturas e forrações) e utilização de espécies ornamentais rústicas e comprovadamente adaptadas a região. Em alguns trechos poderão ser criados remansos, onde haveria bancos e equipamentos de ginástica, todos confeccionados em eucalipto. As placas de sinalização também seriam feitas com toras de eucalipto, contendo programação visual específica. Poderia ser feito um concurso público para escolher a marca e o nome do parque.
Margem esquerda:
Manter vegetação ruderal com porte baixo através de roçagem periódica, como forração. Plantar espécies frutíferas nas margens, para atrair, alimentar e abrigar a fauna, principalmente a alada. As frutas que caíssem na água do rio seriam levadas pela correnteza, se espalhando ao longo de todo o percurso, irradiando sua ação para além das áreas tratadas. Utilização de espécies frutíferas como acerola, jabuticaba, pitanga, caqui, nêspera, goiaba e amora, além de algumas ornamentais como aroeira-salsa, eritrinas, quaresmeira, manacá-da-serra e muito, muito ipê-amarelo.
Sérgio Treitler é arquiteto e paisagista, com pós graduação em Engenharia de Meio Ambiente e especialização em Ecologia da Paisagem. Integrou a equipe de Roberto Burle Marx entre 1976 e 1984. Atualmente é arquiteto do IPHAN, especializado em jardins históricos, professor de paisagismo da Universidade Veiga de Almeida e sócio da Cache-pot paisagismo, em Itaipava.


Estações de Itaipava © Todos os direitos reservados