D. Carmen Eloisa Prouvot, em foto realizada por seu marido Lucien Victor Prouvot na estação ferroviária da Praça São Jorge, em 1938, gentilmente cedida por D. Isa Prouvot e enviada por Rodrigo de Freitas (Construtora Sincorá).




Neste trecho, hoje interligado pela União e Indústria e BR-040, concentravam-se a estação ferroviária, a Praça São Jorge e o Hotel do “Ganha-Pouco”.

Na década de 40, sob a Ponte do Arranha-Céu, a prainha se debruçava sobre as águas ainda limpas do Rio Piabanha.

Na década de 60, o Hotel do “Ganha-Pouco” (Praça São Jorge), na cabeceira da Ponte do Arranha-Céu (do lado da BR-040) era uma modesta opção de hospedagem.

Em registro feito na década de 60, vê-se ao fundo da Praça São Jorge uma parte da estação.

Bem próximo à prainha, o posto telefônico da União e Indústria, em registro de 1929, oferecia a possibilidade de conexão com outras regiões.



No início da década de 20, os recém-construídos Castelo de Itaipava, entre a União e Indústria e a BR-040, e Hotel Fontes, precursor da atividade que é hoje uma das principais responsáveis pela projeção de Itaipava como importante destino turístico.

O portão do Sítio São Luiz ainda conserva a antiga placa.

Grande Hotel Itaipava que, após passar por várias reformas, ainda resiste na reta da União e Indústria.

Celina Prates, promoter, autora do livro Nos Caminhos da Memória, já no prelo.

A Ponte dos Arcos (em registro dos anos 60) não ficou imune à passagem do tempo.



Na época da construção do Galisco (1968), era difícil acreditar que Itaipava sofreria mudanças tão radicais e se transformaria em um dos centros turísticos mais badalados do Brasil.



Na porta de entrada do distrito, a extinta ponte ferroviária já não exibia mais seus trilhos em 1968.

Hoje se encontram ali o Posto de Informações Turísticas e a Delegacia de Polícia.

Da Ponte do Castelo de Itaipava ainda é possível observar o fenômeno que deu origem ao nome do terceiro distrito de Petrópolis.

Em documento datado de 1901, estabelecia-se o contrato de aforamento da Povoação de São José do Piabanha.

Há 30 anos o adminstrador de empresas Arlindo Sérgio Antunes da Silva vem reunindo informações sobre as origens de Itaipava.

Fotos: Henrique Magro


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Memórias da "água na pedra"



     O fenômeno, popularmente conhecido como “água na pedra”, observado no encontro da água do Rio Piabanha com pedras situadas abaixo da ponte do Castelo de Itaipava foi o que deu origem ao nome do 3º distrito de Petrópolis. Esta região - hoje repleta de pousadas e restaurantes requintados, condomínios residenciais sofisticados e shopping-centers que reúnem lojas de grifes renomadas em todo o Brasil – tem muita história para contar.
     Para conhecer parte dela, convidamos o leitor para uma viagem no tempo, através de imagens de arquivos pessoais, gentilmente cedidas por moradores locais. Informações fornecidas pelo administrador de empresas Arlindo Sérgio Antunes da Silva - que prepara um site para contar na Internet a história da origem de Itaipava, e pela promoter e editora do Guia de Itaipava, Celina Prates - que lança em breve o livro Nos Caminhos da Memória, uma coletânea de textos sobre o passado e curiosidades da região - completam o conteúdo deste baú.
     Não sem motivo, Itaipava – que já foi conhecida também como Roça da Ponte, Roça da Ponte do Magé e Povoação do São José do Piabanha – tem seu nome derivado do idioma indígena. Os índios de diferentes tribos que habitavam o Rio de Janeiro foram os primeiros moradores do lugar, escolhido para escondê-los dos colonizadores que chegavam pelo mar.
     Mas o distrito começou a ser delineado mesmo a partir da necessidade de encurtamento do caminho entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro para o transporte de cargas entre as duas províncias. Assim surgiu a importante variante do caminho do ouro – hoje conhecida como Estrada da Mineira - que diminuiu em quatro dias a viagem, até então com duração de cerca de 15 dias, realizada no lombo de cavalos ou animais de carga. A partir daí, o governo português começou a distribuir sesmarias na região.
     Um dos beneficiários das sesmarias foi José Cândido Monteiro de Barros. Coube a ele a sesmaria que compreendia toda a região de Itaipava e que, na época, tinha o nome de Quadra Magé, em função da divisão destas porções de terra em léguas quadradas. Posteriormente, esta quadra, que englobava uma grande extensão de terras que margeava pelos dois lados o Rio Piabanha, foi dividida em cinco fazendas. Pelo lado esquerdo (no sentido Petrópolis-Juiz de Fora), as fazendas Magé, Mangalarga (que chegava até às vertentes de Teresópolis), Ribeirão e Itaipava. Pelo direito, com a mesma extensão, a Fazenda das Arcas, que depois se subdividiu nas fazendas Carvão, da Divisa e Santo Antônio (única cuja sede ainda resiste).
     Outro marco importante que sobrevive por aqui é o Sítio São Luiz. A porção de terra comprada, no início do século XIX, por Otávio Prates (bisavô de Celina) do dono da sesmaria era, então, o posto de troca de cavalos dos tropeiros que negociavam mercadorias entre o Rio e Minas. O que conferiu à propriedade o título de Posto São Luiz, cuja placa original de identificação ainda pode se vista afixada no portão do sítio, localizado na União e Indústria. Não muito distante dali, cronológica e geograficamente, outras organizações e personagens tiveram grande relevância no desenvolvimento de Itaipava.
     Foi em 1926 que a região deu os primeiros passos rumo à descoberta de uma vocação econômica que perduraria por muitas décadas. Neste ano, o empreendedor paraense Alberto Augusto da Costa e o ceramista francês Henry Gonot abriram aqui a Cerâmica Itaipava. O sucesso do empreendimento atraiu outros ceramistas – em 1952 foi fundada a cerâmica Luis Salvador, que até hoje mantém suas portas abertas – e a arte de criar objetos em cerâmica foi, durante muitos anos, uma importante atividade local.
     Com a chegada do Padre Luiz Brasil Cerqueira, em 1944, para assumir a Capela de São José de Itaipava, uma importante instituição educacional começava a ganhar forma. Além de ministrar os cultos religiosos, o padre veio para cá com o objetivo de criar um instituto com fins educacionais e que, ao mesmo tempo, permitisse o desenvolvimento social, cultural e esportivo dos jovens do lugar. Com os donativos que conseguiu, o religioso inaugurou, em 1958, o Liceu de Itaipava, que até hoje contribui para a educação das crianças.
     Se hoje a região – consideradas as localidades vizinhas de Correas, Nogueira, Araras, Pedro do Rio, Secretário e outras - pode contabilizar cerca de 60 hospedarias, no início do século XX os visitantes não tinham um leque tão variado de opções. O Hotel Fontes, inaugurado nos anos 20, foi o primeiro a abrigar os viajantes. Depois dele vieram o Hotel Florilda, o Grande Hotel e o Hotel do “Ganha Pouco”, que funcionava no segundo andar de uma mercearia.
     Os restaurantes - que, assim como as pousadas, são hoje alguns dos principais atrativos de Itaipava e adjacências - também levaram tempo para atingir este status. Até meados dos anos 70, poucos representantes deste setor estavam estabelecidos por aqui. Um dos primeiros foi o Galisco, construído em 1968 e que até hoje está de pé, localizado na chegada a Itaipava por Petrópolis ou pelo Rio, era uma das poucas alternativas para refeições fora de casa. Atualmente, existem aproximadamente 100 destes estabelecimentos.
     Além destas atrações, o desenvolvimento da região nos últimos 40 anos trouxe para moradores e visitantes facilidades como a diversificação dos setores de comércio e serviços. E o melhor é que, ainda que o crescimento e a acelerada expansão imobiliária tenham causado profundas transformações nesta pacata paragem, ainda se encontram por aqui lugares que guardam características capazes de nos trazer à memória a simplicidade da água batendo nas pedras.

Colaboração:
Celina Prates, Isa Prouvot, Lucien Prouvot (filho), Rodrigo de Freitas, Raquel Duran, Mônica Serpa, Teresa Serpa e Arlindo Sérgio Antunes da Silva.






















































































































































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