O espaço construído pela arquiteta Tania Muniz Ferreira foi todo planejado com base nos princípios do Feng Shui





Lindíssimas mandalas translúcidas em acrílico sobre vidro.

Pelas mãos de Raquel Duran, espelhos, CDs e discos de vinil se transformam em belas mandalas.

        Fotos: Henrique Magro

Lar, doce lar

Feng Shui e Mandala

Harmonia e equilíbrio em todas as esferas

     Às vezes, sem que possamos perceber o motivo de uma maneira clara, um ambiente nos afeta de forma positiva ou negativa. O mesmo acontece de dentro para fora. Quantas vezes não percebemos que algum setor de nossas vidas – financeiro, afetivo, familiar ou qualquer outro – não está funcionando como deveria, a despeito de concentrarmos esforços para este objetivo específico?
     A resposta pode estar nas energias que fluem a nossa volta ou mesmo naquelas que internamente se encontram em desequilíbrio. Felizmente, existem formas simples de contornar estes problemas e, literalmente, com base em princípios milenares, arrumar a casa.
     O Feng Shui - cuja origem é atribuída comumente à China, embora estudos confirmem sua presença em várias civilizações antigas - remonta há cerca de 5 mil anos. A ciência de criar ambientes harmoniosos tem o Taoísmo como base filosófica. De acordo com a arquiteta e consultora em Feng Shui, Tânia Muniz Ferreira - que há dois anos radicou-se em Itaipava, onde construiu um ateliê inteiramente planejado a partir desta técnica – este é um guia essencial para se viver em harmonia consigo mesmo, com o ambiente e com a natureza.
     “Mais do que a simples prática da análise de localização ou planejamento de espaços, o Feng Shui é também uma filosofia que reflete uma maneira própria de se encarar o mundo. Seus princípios baseiam-se na lei universal da transformação e, hoje, modernos conceitos da física quântica, eco-arquitetura, psicologia ambiental, gerenciamento do meio-ambiente e sustentabilidade são incorporados a ele”, explica a especialista.
     Na forma desenvolvida na China, o Feng Shui, cuja tradução literal é vento-água, encontra alicerces filosóficos em princípios como o ying/yang, binômio que representa os opostos complementares para o equilíbrio do universo; a teoria dos cinco animais (tartaruga, fênix, tigre, dragão, serpente), com as características de cada um deles voltadas para algum aspecto fundamental para o bem-estar e a harmonia; os cinco elementos (água, terra, fogo, madeira e metal) cujas formas e cores determinam parte da aplicação do Feng Shui; e o I-Ching, livro da sabedoria, cujos trigamas também orientam a prática.
     Um dos instrumentos utilizados no Feng Shui é o Ba-guá. Este diagrama octogonal, que utiliza os trigamas é aplicado para detectar as áreas da vida de cada indivíduo – sucesso, trabalho, relacionamento, família, espiritualidade, criatividade, amigos e prosperidade – que precisam ser ativadas ou priorizadas, de acordo com os princípios desta sabedoria milenar.
     Ele está também no centro de uma celeuma entre os especialistas na área, que se dividem entre os que preconizam a utilização do Ba-guá chinês em qualquer parte do mundo e aqueles que recomendam a utilização do instrumento com adaptações para o hemisfério sul. Assim como o especialista australiano Roger Green – autor do livro Feng Shui para o hemisfério sul (Editora Vitória Régia – 2001) -, Tânia integra o segundo grupo. “É fundamental que esta questão seja esclarecida. A diferença está, por exemplo, nas estações do ano; enquanto no hemisfério norte é inverno, aqui no sul é verão. São energias muito diferentes”, argumenta.
     Algumas dicas – que podem ser adotadas em qualquer hemisfério do planeta – fornecidas pela profissional são bem fáceis de seguir. De acordo com ela, nunca se deve: dormir com os pés na direção da porta do quarto, em cama sem cabeceira (ou sem qualquer proteção entre a cabeça e a parede) ou sob vigas; deixar tampas de vaso e portas de banheiro abertas; e sentar de costas para portas. A explicação? Tudo por conta de energias que fluem nestas condições.
     Outra representação de relacionamento com as energias do universo e que pode ser incluída em um projeto decorativo realizado a partir do Feng Shui é a mandala. O termo vem do sânscrito e significa círculo, uma representação geométrica da dinâmica relação entre o homem e o cosmo. Na prática, as mandalas, mais comumente encontradas em formas de diagramas coloridos que se inserem em círculos, são usadas como focos de meditação, para captar energias e harmonizar ambientes.
     Existem diversos tipos de mandalas, tanto aquelas produzidas para fins específicos - como relacionamentos, abundância material, prosperidade ou harmonia familiar - quanto as pessoais. Estas têm o objetivo principal de canalizar determinados tipos de energias para promover um estado de equilíbrio físico, mental, emocional e espiritual. As figuras e símbolos que entram na sua composição expressam e vibram as energias específicas de cada indivíduo.
     Atribui-se a estas mandalas o poder de propiciar autoconhecimento e poder de concentração, capazes de auxiliar no controle do estresse e da depressão. Sua elaboração baseia-se na numerologia, nos signos e nas cores para a utilização de determinados desenhos e figuras geométricas. A mandala pessoal pode ser colocada em casa no setor da espiritualidade indicado pelo Feng Shui, de acordo com o resultado fornecido pela aplicação do Ba-guá.
     De acordo com a artesã Raquel Duran, que produz mandalas em seu ateliê, em Itaipava, este é um símbolo presente nas mais diversas civilizações. “Não podemos precisar a origem exata da mandala, pois, desde os tempos mais remotos, há registros de sua utilização em inúmeros povos orientais ou ocidentais. Se repararmos bem, mesmo nas igrejas católicas existem símbolos que remetem a elas”, observa.
     A circunferência que delimita o objeto tem como origem o ponto central e é a partir dele que se forma a representação gráfica da relação entre o homem e o universo. Algumas condições deste relacionamento podem também ser representadas através delas. “As mandalas podem ser feitas em diversos materiais. Os monjes tibetanos, por exemplo, utilizam areia colorida sobre o chão para desenhar uma mandala; depois que está pronta, a desmancham para demonstrar a impermanência”, explica.
     O método utilizado por Raquel para ensinar a confecção de mandalas, prioriza a intuição. “No primeiro momento, é importante que a pessoa não se prenda à perfeição de formas ou cores e o curioso é que muita gente, sem ter esta percepção, acaba utilizando uma combinação de números, formas e cores que se encaixam perfeitamente com ela ou o momento que está atravessando. Normalmente, isso acontece muito com as crianças”, observa.
     Intuição, por sinal, é o que não falta à artesã - ou “mandaleira”, em suas próprias palavras. Mesmo com um problema que vem, há anos, afetando progressivamente sua visão, ela é capaz de transformar qualquer superfície esférica em belíssimas mandalas. As bases que utiliza incluem vidros, espelhos, CD’s e até discos de vinil.


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