O relógio de corda na torre da igreja do Sagrado Coração de Jesus, na rua Montecaseros, tem quatro faces e foi fabricado em Hanover, Alemanha, em 1896.




Foto: Fabiano dos Santos

Banco do Brasil: Na esquina da rua Alencar Lima com a rua do Imperador, o imponente relógio do Banco do Brasil é referência para quem visita o centro da cidade.



Campanário e maquinário do relógio da igreja Sagrado Coração de Jesus

Relógio da Estação: Localizado no mesmo lugar, em frente à Rodoviária de Petrópolis, desde que foi importado da Alemanha pela relojoaria Suíça, o relógio da Casa Comércio teve sua máquina trocada em 1950 e desde então passou a orientar a população e os horários de partida dos ônibus.

Igreja Luterana: O relógio que enfeita a torre em estilo gótico da Igreja Luterana de Petrópolis, também na Rua Ipiranga, foi doado pela família Schilick e inaugurado em 1º de Janeiro de 1945.

Lino Ângelo.

Casa dos Sete Erros: A cada sessenta e 30 minutos o meio-carrilhão do século XIX, primeiro relógio de torre da cidade, ecoa suas badaladas pelos jardins da Casa dos Sete Erros e por toda a rua Ipiranga


Fotos: Henrique Magro

Especial

No balanço das horas



    Desde sempre, o homem vem atribuindo valor histórico ao que está a sua volta. A determinados lugares, por sua importância como cenários de grandes acontecimentos; a pessoas, por se distinguirem como artífices de valiosas obras; e ainda a objetos, quando reúnem atributos artísticos ou representam períodos significativos na evolução das sociedades. No Centro de Petrópolis, a começar pelo próprio lugar, não é difícil encontrar preciosidades históricas. E o melhor: há sempre quem se ocupe de zelar por sua integridade.

     Para clicar algumas destas raridades (às vezes tão incorporadas ao cotidiano do lugar que passam despercebidas), nossa equipe foi, com o luxuoso auxílio do melhor cicerone, em busca de relógios que fazem parte da história desta cidade imperial. Acompanhados do relojoeiro Lino Ângelo Moreira Pinto Soares – que, apenas pelo prazer de fazer andar os ponteiros de relógios antigos, realiza gratuitamente a manutenção de várias peças antigas no Estado do Rio –, fizemos um tour que começou pela torre da Igreja do Sagrado Coração de Jesus.
     E foi no próprio Redentor - e também no clássico Um corpo que cai (Vertigo, no original), do mestre Alfred Hitchcock - que pensamos durante a aventura de subir vários lances de muitas escadas, em posição quase totalmente vertical, para alcançar a torre e apreciar a bela máquina que impulsiona o relógio de quatro faces da Igreja. Com uma dose bem menor de adrenalina, seguimos um roteiro que incluiu a Rua Dr. Porciúncula (onde fica o famoso relógio da estação), a Casa dos sete erros, a Igreja Luterana e a agência Centro do Banco do Brasil.
     Além de consertar, quando necessário, e fazer a manutenção destes relógios, Ângelo cuida também de exemplares que pertencem ao Museu Imperial, ao Colégio Santa Isabel e daqueles instalados nos mosteiros da Virgem e de Santa Terezinha – os últimos, infelizmente, protegidos da vista do público por estarem em local de acesso exclusivo das freiras que vivem em reclusão.
     A dedicação do relojoeiro – que vem de uma família portuguesa em que vários membros exerciam o ofício – a estes objetos começou com o relógio da estação, uma peça de duas faces importada da Alemanha pelo também relojoeiro Otto Jerke e instalada em 1922 em sua loja, na Rua Dr. Porciúncula, onde hoje funciona uma padaria. “Fui chamado pelo Arthur Sá Erp para reformar aquele relógio e foi ele que começou a me incutir o gosto por este trabalho”, conta Ângelo.
     A partir daí, muitas outras peças carentes de recuperação foram surgindo e o profissional, que começou a trabalhar na relojoaria do pai aos 12 anos de idade, nunca se furtou de atender aos pedidos. Ângelo considera o reparo realizado no relógio instalado na antiga estrebaria da Casa dos sete erros – um dos mais antigos da cidade - o mais empolgante. “Realizei este trabalho em várias fases, durante as tardes de sábado e domingo. A caixa do relógio estava cheia de cupins, o que dificultou bastante a tarefa, mas, no final, foi muito gratificante”, diz.
     Para os proprietários também. No jardim que cerca a construção foi instalada uma placa onde se pode ler a inscrição: Primeiro relógio de torre de Petrópolis, fabricação alemã, século XIX. Administração e manutenção: Lino Ângelo Moreira Pinto Soares – Relojoaria Ângelo.

Relojoaria Ângelo – Tel.: (24) 2242-7907






































































Estações de Itaipava © Todos os direitos reservados