O DC-3 de Roberto de Carvalho, ainda em fase de construção, é equipado com dois motores OS-MAX.46 AX, trens de pouso à ar da Robart e rádio e servos da Futaba. A réplica é bastante fiel à aeronave utilizada pela Força Aérea Americana durante a Segunda Guerra e que teve seus quinze segundos de fama na cena final do filme Casablanca.



A asa baixa e a grande superfície de aeleron, leme e profundor do Funtana Arf, permitem ao modelo executar manobras radicais e realizar acrobacias.


O Mid-Star 40, construído por Roberto a partir de kit da Sig Models, é equipado com motor russo MSD.38, rádio e servos da Airtronics e trata-se de um modelo intermediário, destinado a pilotos que já sabem voar e querem mais velocidade.

Em sua pista particular, Roberto prepara para o vôo o Headmaster Sport 40, construído a partir de kit produzido pela Topflite Models Inc. e fora de linha desde o final da década de 90.

Célio Sondermann, que construiu a réplica do iate francês Oceanic com riqueza de detalhes, lamenta a escassa difusão da prática do nautimodelismo no Brasil.



A réplica do Demoiselle construída por Fernando Rocha é comandada por rádio controle e tem até um piloto em miniatura.

Relíquia de família: a lancha Chris Craft, em escala, foi feita pelo pai de Fernando, que o iniciou na paixão pelo modelismo.

A coleção de Fernando inclui modelos estáticos de automóveis e lanchas.


Fotos: Henrique Magro

Especial

Modelismo

Fascínio por construir e pilotar miniaturas

     À primeira vista, o modelismo pode parecer apenas um passatempo, hobby ou mania; mas, conversando com os adeptos desta prática, dá para perceber que é muito mais. O que alguns consideram ser também um esporte é, na verdade, pura paixão. Não fosse assim, o que levaria alguém a gastar muitas horas de seu tempo livre pesquisando modelos e os mais diferentes tipos de materiais para fazer com que seus equipamentos tenham o melhor desempenho possível?
     A recriação, em escala reduzida, de modelos de carros, trens, aviões, helicópteros, embarcações e outros tipos de transportes terrestres, aéreos e aquáticos é algo que exige, além de tempo disponível, uma grande habilidade para a manufatura das reproduções, assim como conhecimentos básicos relacionados a resistências mecânicas, aerodinâmicas, hidrodinâmicas etc. Os modelos obedecem a escalas específicas, normalmente escalas lineares, que servem para estabelecer uma relação entre as dimensões do objeto real e do modelo recriado.
     Em Petrópolis, encontramos alguns praticantes apaixonados pelo modelismo. E o fascínio é tanto, que alguns deles, como Roberto Bierdman de Carvalho, criam em suas próprias casas espaços totalmente reservados à construção e utilização das miniaturas. Além de uma bem equipada oficina, onde se dedica a montar vários modelos de aeronaves, ele está construindo em sua propriedade, em Pedro do Rio, uma pista para decolagem e pouso dos aviões, um lago artificial para a prática do nautimodelismo e ainda uma pista para automodelismo, destinada a réplicas do tipo off-road.
     No caso do aeromodelismo, além das habilidades para a montagem do equipamento, é necessária ainda grande destreza para pilotar. “O manuseio do controle remoto (atualmente, a categoria mais praticada é aquela em que se utiliza o rádio controlado) deve se feito de forma muito sutil para que haja um perfeito domínio do vôo e se evitem acidentes”, explica Roberto.
     A preocupação com estes reveses é tanta que existem restrições tanto quanto a áreas permitidas para a prática quanto para a permissão para pilotar equipamentos. Assim como os pilotos de aviões tradicionais, os aeromodelistas precisam de um número determinado de horas de vôo com a orientação de instrutores para conseguir habilitação. “Aeronaves a jato, por exemplo, exigem carteiras especiais, uma vez que atingem grande velocidade e podem até causar acidentes fatais”, acrescenta.
     A habilitação, conferida por associações e clubes de aeromodelismo, depende ainda de uma demonstração da capacidade do piloto, que deve, no mínimo, fazer a aeronave decolar, realizar determinadas manobras no ar e pousar o avião em pane seca (sem o funcionamento do motor). As classes de pilotos se dividem em instrutor, intermediário e principiante - a esta última só é permitido o vôo acompanhado por instrutores.
     Também os equipamentos se diferenciam por categorias. Além do RC (Rádio Controlado), encontram-se os VCC (Vôo Circular Controlado), com o aeromodelo ligado ao aeromodelista por meio de cabos, e Vôo Livre, em que, depois de lançado, o avião não sofre qualquer interferência durante o vôo. A RC, categoria mais difundida, subdivide-se ainda em outras, diferenciadas pelo tipo de motor: a explosão ou elétricos.
     Ainda que não exijam tanta destreza dos nautimodelistas para que entrem em ação, os modelos de embarcações demandam também grande habilidade para sua construção e montagem. Especialmente aqueles que primam pela riqueza de detalhes. Assim como acontece com as aeronaves em miniatura, estes também se dividem em categorias que navegam por controle de rádio ou não e utilizam como propulsão motores elétricos, a vapor ou apenas velas que aproveitam a força do vento. No nautimodelismo motorizado existem três categorias básicas: os modelos em escala lentos, as lanchas rápidas e os veleiros.
     O aposentado do INSS Célio Sondermann veio para Itaipava há cerca de dez anos e começou a se dedicar ao hobby desde então. Ele levou cinco meses para construir uma réplica de um iate francês, que batizou com o mesmo nome do original: Oceanic. Com exceção de algumas poucas peças, que comprou prontas, ele se encarregou de produzir todos os mínimos detalhes da embarcação. O pequeno iate, que navega por controle remoto, foi equipado com piscina, iluminação e buzina. Um luxo!
     “Infelizmente, no Rio de Janeiro não temos muitos praticantes. No Brasil, o lugar onde mais se encontram nautimodelistas é São Paulo, mas, mesmo assim, não em grande número. Nos países europeus, especialmente Inglaterra e Alemanha, é que esta prática é mais difundida”, observa Célio, que aplica a habilidade como artesão especializado em objetos de madeira para construir as miniaturas.
     Dono da carteira de número 9 da ACA (Associação Carioca de Aeromodelismo) Fernando Santos Rocha, morador de Nogueira, reúne todas as características de um genuíno modelista. O gosto pelas miniaturas – de aviões, embarcações e automóveis –, que ele mesmo constrói e pilota, foi herdado do pai e passado para os filhos e netos. O apreço pelas réplicas é tão grande, que ele também confecciona, em madeira, modelos estáticos de automóveis e lanchas.
     Uma de suas mais recentes produções, concluída há três meses, é uma réplica do Demoiselle, cujo original, projetado por Alberto Santos Dumont depois do 14 Bis, oferecia melhores condições de vôo que o antecessor mais famoso. “Desde que me conheço por gente, sou um apaixonado por este hobby, que tem entre suas grandes qualidades a capacidade de despertar o interesse dos jovens para uma atividade saudável”, diz Fernando. Entre seus cinco filhos, dois são praticantes do modelismo; entre os oito netos, o mais velho já começou a demonstrar entusiasmo pelas réplicas de aviões.
     Para todas as modalidades existem competições organizadas pelas respectivas associações e federações, mas o melhor da prática deste hobby não são as disputas. Além de ser um passatempo saudável, o modelismo constitui-se ainda em uma ótima oportunidade para reunir a família e os amigos em espaços ao ar livre para momentos de relaxamento, diversão e integração.

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