O jovem artesão Leonardo aceita encomendas para as maquetes, que confecciona com riqueza de detalhes.








Fotos: Henrique Magro

Hobby

Maquetes

Oficinas mecânicas em réplicas perfeitas

     A não ser em momentos de sufoco, aquelas velhas e inóspitas oficinas ou borracharias de beira de estrada, normalmente, não oferecem atrativos para ninguém. Normalmente, é bom frisar, porque para o estudante Leonardo Nina Barbosa Soares, morador de Itaipava, elas são extremamente fascinantes. Hoje com 14 anos de idade, desde os doze o estudante dedica quase todo o seu tempo livre à confecção de maquetes que retratam fielmente estes estabelecimentos.
     Para isso, abusa da inventividade para recriar ambientes que não costuma freqüentar. Como fonte de consulta e inspiração, o adolescente, e não poderia ser diferente nestes tempos high tech, utiliza a Internet - ferramenta que, inclusive, foi responsável por despertar seu interesse pelas miniaturas.
     Também a habilidade necessária para produzir e trabalhar com peças de dimensões minúsculas e a perseverança em vasculhar os guardados da família e dos amigos na busca por materiais que sirvam a seus propósitos fazem parte dos atributos do jovem.
     Além de adaptar objetos prosaicos – como pregadores de roupas, molas, embalagens longa vida ou de ovos e outros –, que vai garimpando e amealhando em depósitos domésticos, ele lança mão de materiais distintos como madeiras, metais, tintas, colas e diferentes tipos de papel para produzir, ele mesmo, alguns dos elementos das maquetes. Para construir as miniaturas de mesas, estantes e ferramentas o material escolhido é o durepoxi. Na seleção das matérias-primas vale tudo, até levar bronca da mãe por desmontar ventiladores e outros eletrodomésticos antigos, mas ainda não totalmente descartados.
     Ele também se utiliza de diferentes materiais para criar texturas que conferem aos ambientes retratados uma aparência fiel àquelas das garagens que costumamos ver com frequência nas estradas do interior do país ou no cinema, especialmente em exemplares americanos do gênero road movie. As miniaturas de carros, caminhões e motocicletas são compradas em lojas especializadas e recebem um tratamento de “envelhecimento”, para ganhar um aspecto idêntico ao de veículos sucateados, em um processo inverso ao desenvolvido nas oficinas reais.
     Tudo é reproduzido à perfeição nos modelos. Não faltam sequer detalhes como letreiros, calendários pendurados nas paredes e componentes de instalações elétricas e hidráulicas. Para concluir as obras - em um trabalho que inclui concepção, confecção e seleção de peças e montagem – o artesão costuma levar cerca de 15 dias durante o período escolar e metade deste tempo nas férias. Atualmente, ele mantém apenas quatro das muitas maquetes que já produziu.
     “Uma delas, que representava uma oficina de motos, dei de presente; as outras, acabei desmontando porque não ficaram muito boas”, conta. Como a maioria dos adolescentes, Leonardo não se contenta com menos do que a perfeição em suas atividades preferidas; entretanto, o rapaz - que é bastante jovem, mas não é bobo - hoje guarda com carinho e cuidado todos os modelos que constrói e aceita até encomendas de terceiros.

Leonardo N. B. Soares:
(24) 9829-1170
leonbs@hotmail.com


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