A Werner foi uma das primeiras empresas instaladas no bairro do Bingen, que no ano de 1904 ainda apresentava vegetação farta. Os 25 mil m2 de área construída incluem os setores de criação, tecelagem, tinturaria, estamparia, revisão, expedição, manutenção, administração e vendas, além de uma vila com 33 casas destinadas à residência de funcionários e um espaço de recreação com quadra esportiva e churrasqueira.

No laboratório da tinturaria são desenvolvidas as pesquisas que originam as coleções. Nesta seção, modernos equipamentos preparam as soluções utilizadas em simulações de tingimento com diferentes concentrações de corantes.





O processo produtivo é iniciado com a retorção dos fios para que ganhem elasticidade e textura adequadas. As fibras passam ainda por conicaleiras (máquinas que enrolam os fios em carretéis cônicos), urdideiras (para seu entrelaçamento vertical) e engomadeiras (que conferem maior resistência) antes de serem introduzidos nos teares.

Depois de passar por tanques de lavagem, para que seja retirado o excesso de produtos utilizados na estamparia, e ainda por centrífugas e câmaras de secagem, os tecidos ganham o caimento desejado.

Na expedição, os tecidos recebem a marca Werner, são embalados e etiquetados de acordo com o destino e a especificação de cada cliente.

Para garantir maior precisão aos detalhes do trabalho de estamparia, as máquinas importadas da Itália imprimem os desenhos no tecido quadro a quadro.

A Estação de Tratamento de Afluentes, instalada há cerca de 20 anos no parque fabril, por onde circulam aproximadamente 40 mil m3 de água por hora, foi uma das primeiras do estado do Rio de Janeiro e é considerada uma estação modelo. Ali, a água captada do rio Bingen passa por uma série de procedimentos como filtragem e purificação para que possa ser utilizada nos processos industriais. Em seguida, uma nova bateria de procedimentos físico-químicos é realizada para que a água possa ser devolvida ao rio mais limpa do que quando foi retirada de lá.



A fábrica é equipada com teares computadorizados de última geração, em sua maioria importados da Suíça e da Itália, em que os fios são tramados em alta velocidade, propiciando a alta qualidade dos tecidos e um grande volume de produção para cada uma das três coleções lançadas anualmente pela Werner.



Há mais de cem anos, a Werner vem ocupando posição de destaque na indústria têxtil nacional com a fabricação de tecidos finos, especialmente com aqueles produzidos a partir das fibras da seda.

Registro fotográfico de 1913 reúne diretoria e parte dos funcionários da fábrica, que hoje gera 370 empregos diretos e cerca mil indiretos.



Fotos:Henrique Magro

Fotos em preto&branco: arquivo Werner



Capa

Werner:

na moda há 105 anos

     Estimulados pelo brilho inerente aos badalados eventos do mundo da moda - organizados nas principais capitais do país para promover marcas, estilistas, modelos, produtores e tantos outros elementos integrantes deste universo –, acabamos adotando tendências e atitudes em cada estação. Mas nem todos se dão conta de que um elo fundamental desta cadeia fashion – os produtos da indústria têxtil que se transformam nas cobiçadas peças que cobrem os corpos esguios das modelos nas passarelas – são um dos primeiros componentes da engrenagem a definir a predisposição dos consumidores para aderir a determinados estilos.
     Instalada em Petrópolis, mais precisamente no bairro do Bingen, a Fábrica de Tecidos Werner baseia a criação dos tecidos que produz para o vestuário feminino em pesquisas realizadas no mundo inteiro. Estabelecer formas, desenhos, texturas e cores, de acordo com as preferências dos mercados nacional e internacional é o passo inicial de uma cadeia produtiva que engloba ainda tecelagem, tinturaria e estamparia e, segundo dados fornecidos pela empresa, gera 370 empregos diretos, além de aproximadamente mil indiretos.
     Maior produtora de tecidos de seda das Américas, de acordo com estimativa oferecida pelo diretor executivo da empresa, Luiz Fernando D’Aguiar, a Werner confecciona, em seu parque fabril de cerca de 145 mil m2 (25 mil m2 deles de área construída), tafetás de seda pura e mistos, georgettes puros e mistos, crepes de seda natural, organzas de seda natural, chiffons, cetins estampados, crepes de acetato, viscose e crepes de chine, além de tecidos confeccionados, a cada coleção, com o emprego de novas tecnologias. “O volume mensal da produção varia enormemente, de acordo com a coleção e a moda”, explica o diretor.
     O processo de fabricação começa pela preparação dos fios para tecelagem. Antes que sejam introduzidos nos teares, os fios são tratados pelos setores de retorção, conicaleira, urdideira e engomadeira. Uma vez cumprida esta etapa, inicia-se o entrelaçamento nos teares computadorizados para que sejam compostas as padronagens pré-determinadas pelos estilistas responsáveis pela criação de três coleções anuais: verão, alto-verão e outono-inverno.
     Na tinturaria, através da utilização de técnicas sofisticadas e máquinas com tecnologia de ponta, as fibras, tecidos, corantes e fixadores passam por diferentes baterias de testes para que sejam alcançadas as cores desejadas.
     Amostras são tingidas e avaliadas para que os tecidos aprovados sejam separados em lotes de acordo com a procedência do fio. Em seguida, são submetidos a lavagens especiais que retiram das fibras resíduos e impurezas que possam comprometer a qualidade do tingimento. Para garantir a exatidão da cor determinada, cada fibra recebe tratamento individualizado, com diferentes temperaturas e tempo de exposição à tinta. O processo inclui ainda sistemas de acabamento e amaciamento para conferir maiores níveis de suavidade e delicadeza às fibras.
     A personalização é realizada no setor de estamparia, onde são elaboradas telas, quadros, cilindros ou moldes vazados que recebem mais tinta e realizam o processo de impressão dos desenhos nos tecidos. A este processo seguem-se as etapas de secagem e fixação das cores, através de diferentes câmaras de vapor. Assim como nos outros setores, neste também existe a preocupação fundamental com a escolha dos produtos utilizados e com a técnica na arte de estampar os tecidos, que variam segundo as tendências de cada estação do ano.
     Outros dois grandes departamentos que compõem a fábrica são a revisão e a expedição. No primeiro, as peças acabadas e semi-acabadas são inspecionadas e controladas de acordo com rigorosos padrões internacionais de qualidade; ali também são produzidas as cartelas de mostruários das coleções. No segundo, os tecidos aprovados recebem a marca Werner antes do envio para os clientes.
     Um elemento essencial a toda a produção é a água e a quantidade que circula nos reservatórios da fábrica alcança o impressionante volume de 40 mil m3 por hora. Extraída do rio Bingen, ela é tratada e beneficiada através de recursos sofisticados para ser usada nas diferentes etapas da produção, reutilizada nos processos de resfriamento das máquinas da tinturaria e depois devolvida ao rio livre de impurezas e dentro de padrões nacionais reconhecidos pela FEEMA.
     Se em sua atividade final a empresa se posiciona sempre na vanguarda, também em seus processos fabris adota o pioneirismo como prática. Há muitos anos, a fábrica mantém duas estações, que se destinam ao tratamento de afluentes e efluentes. “A Werner já tem em funcionamento sua Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) há cerca de 20 anos; foi uma das primeiras do Rio de Janeiro a implantar a ETE, que é considerada como modelo no estado. Além disso, a empresa - que mantém ainda um programa de redução de utilização de energia, tanto elétrica como térmica - trata seus gases de combustão das caldeiras, para evitar fuligem e diminuir emissão de CO2”, relata o executivo.
     Além da preocupação com a preservação do meio ambiente, a atuação da Werner estende-se também para o campo social. Com o objetivo de promover o desenvolvimento e o crescimento da empresa em paralelo ao respeito à comunidade em que está inserida, e ainda ao incentivo à cultura, realiza investimentos em três outras áreas de trabalho.
     No segmento de recursos humanos, afirma seus compromissos em relação a seus colaboradores no que concerne ao desenvolvimento profissional, saúde, segurança e transparência nas relações. No âmbito social, oferece apoio esportivo, assistencial e trabalho voluntariado. O amparo à cultura é realizado através de doações para a confecção de figurinos de grupos teatrais e ainda apoio a outras instituições culturais de Petrópolis como corais, escolas de música e grupos de danças folclóricas.
     Esta atuação já rendeu à Werner 17 prêmios, em diferentes categorias – meio ambiente, cultura, destaque empresarial e outras -, e ainda condecorações como a Medalha do Mérito Industrial, concedida pela Firjan em 2004, e a Medalha Tiradentes, maior honraria oferecida pelo estado do Rio de Janeiro, conferida pela Alerj em 2005.
     A Werner foi fundada em 10 de outubro de 1904 pelos irmãos Max, Leopoldo e Hilmar Bruno Werner, imigrantes alemães que se encantaram com Petrópolis e mantiveram-se no comando da empresa por quatro décadas. Em 1943, a fábrica passou para o grupo Peixoto de Castro, que a manteve em funcionamento até 1959. Em 1964, foi adquirida pela família Landau Remy - proprietária da Santa Júlia, que também já atuava no mesmo ramo.
     Foi nesta época – quando alcançou uma reconhecida posição de liderança no mercado de tecidos finos, tanto pelo volume como pela qualidade de sua produção - que a empresa teve seu boom em termos de modernização e desenvolvimento. Hoje, além de comercializar seus produtos para grifes de alta moda em todo o território nacional, a Werner exporta tecidos para Argentina e Chile e continua a investir na modernização de seus maquinários e técnicas, com vistas ao seu crescimento contínuo. Para 2010, a expectativa de crescimento e expansão da empresa é planejada entre 7 e 10%.

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