Para comemorar os 60 anos do seminário o prédio, inaugurado em 1953, acaba de receber nova pintura

No vestíbulo pode-se admirar uma imagem de Jesus Cristo com a cabeça ligeiramente inclinada e os braços estendidos, como quem acolhe os visitantes.

O prédio de 4.500m2, divididos em três pavimentos, inclui pátio interno, de acordo com a arquitetura espanhola do período colonial.

Em 1944, o fundador do seminário, Monsenhor Manoel Pedro Cunha Cintra, foi nomeado Visitador Apostólico dos Seminários do Brasil pelo Papa Pio XII; em 1948 foi publicada sua nomeação como Bispo da Diocese de Petrópolis.

A capela interna, integrada ao conjunto, tem 520 m2 de área útil e pé direito bem alto. Durante o dia a luz do sol é filtrada por dois grandes vitrais. O da esquerda retrata Jesus Cristo num largo gesto, em meio a um trigal, indicando aos jovens o caminho do apostolado. Na parte inferior está inscrita, em latim, a frase, Messis quidem multa operari autem pauci (A messe é grande, mas poucos são os operários).

À frente do prédio do seminário Jesus acolhe seminaristas e candidatos ao ingresso na Casa de Formação Sacerdotal; na inscrição: Venite, Ego Elegi Vos (Vinde, Eu vos Escolhi).

A sala de estudos instalada no prédio principal preserva o mobiliário antigo e é dotada de carteiras escolares com baú para que os estudantes possam guardar seu material.

Fotos: Henrique Magro

Especial

Seminário Diocesano de Corrêas

Seis décadas de dedicação à formação sacerdotal

     O Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, localizado no Distrito de Corrêas, comemora este ano o 60º aniversário de sua fundação. Neste período, a instituição, uma entidade filantrópica reconhecida pelo Governo, foi responsável pela ordenação de 109 padres. Hoje, abriga 52 seminaristas internos e ainda recebe 17 jovens seminaristas externos, que cumprem ali também o currículo regular do ensino médio.
     A congregação é dividida em duas grandes seções: o seminário menor, para alunos de ensino médio, e o seminário maior, para os que já estão cursando o programa do ensino superior. Aqueles já formados por outras escolas no curso secundário recebem ainda um ano de instrução no curso propedêutico, intermediário preparatório para as faculdades de filosofia, com duração de três anos e aulas ministradas na Universidade Católica de Petrópolis (UCP), e teologia, com mais quatro anos de estudos no próprio seminário de Corrêas.
     Por esta instituição de ensino já passaram cerca de mil alunos; deste número, aproximadamente 10% chegaram a concluir sua formação sacerdotal. Mas, de acordo com o Monsenhor Gilson, Reitor do seminário, isto não significa a diminuição da vocação encontrada nos dias hoje e sim mudanças registradas na própria sociedade. Se atualmente a procura pela formação sacerdotal não é tão grande como no passado, as características daqueles que a buscam são bem distintas.
     “O fenômeno da vocação para o sacerdócio não é algo que se possa discernir com facilidade, mas o que percebemos é que antigamente muitos rapazes nos procuravam pelas dificuldades que enfrentavam para conseguir matrículas em escolas convencionais; eles vinham para cá principalmente pela oportunidade de aprender e acabavam não concluindo o ciclo. Hoje, o ensino está mais acessível, há um número bem grande de escolas, e aqueles que chegam aqui, embora não sejam em tão grande número, são mais conscientes do passo que estão dando”, analisa.
     Assim como a sociedade, modificaram-se também alguns conceitos religiosos. Ao contrário dos tempos antigos, em que era consentido apenas aos padres lecionar em instituições como esta, a atual conjuntura permite que leigos e até mulheres ministrem aulas para os seminaristas. Em Corrêas, os alunos têm o aprendizado orientado por duas professoras, responsáveis pelas disciplinas História da Igreja e Sagrada Escritura. Apesar de dedicar grande parte de seu tempo às aulas e aos estudos de modo geral, os rapazes têm também uma programação que inclui atividades culturais e esportivas. Regularmente são organizados ensaios de grupos de música, encenações de peças teatrais e ainda partidas de futebol.
     A grande maioria dos estudantes frequenta gratuitamente o seminário, mantido com recursos angariados em diferentes fontes. Além dos rendimentos com aluguéis de imóveis obtidos por doações, a congregação é mantida através de taxas mensais coletadas nas paróquias que integram a Diocese de Petrópolis, donativos em dinheiro ou mantimentos feitos por grupos da liga católica e pessoas físicas e ainda com promoções, eventos e festas religiosas realizados ali mesmo.
     Na história recente da cidade de Petrópolis, poucos episódios foram marcados por atitudes de tão grande desprendimento como as que originaram o Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino. Graças ao empenho de Monsenhor Manoel Pedro Cunha Cintra, Bispo da Diocese de Petrópolis, que nutria grande interesse pelo tema das vocações sacerdotais, uma grande mobilização da alta sociedade local foi gerada em torno da formação da instituição.
     A começar pela área destinada a abrigar o seminário – doada pela Embaixatriz Lavínia Guimarães, viúva do Embaixador Luís Guimarães, sem qualquer condição, com posse imediata de tudo o que se encontrava no terreno –, o prédio principal foi erigido com donativos de organizações e cidadãos locais. “Como não tiveram filhos, o embaixador havia disposto em seu testamento que os bens do casal deveriam ser doados para a Igreja. Depois da morte do marido, a embaixatriz tomou conhecimento do projeto de Don Manoel e doou a Granja São Luís para que ali fosse construído o seminário e foi morar na casa do caseiro, em um prédio bem simples”, conta o Monsenhor Gilson.      As atividades da congregação foram iniciadas, com uma turma de 23 seminaristas, no palacete que servia de residência à embaixatriz e que hoje abriga o seminário maior. No dia 25 de março de 1949, D. Manoel Cintra lançou a pedra fundamental da construção em estilo colonial espanhol, inaugurada oficialmente em 1953 e onde se encontram agora a capela, o teatro, a biblioteca, a secretaria, os aposentos dos cinco padres residentes, dois dormitórios com capacidade para 130 internos, salas de aula e de estudo para os internos do ensino fundamental e ainda espaços destinados a outras atividades.
     O Reitor conta que D. Manoel tinha por hábito repetir as palavras do Bispo de São Paulo - responsável pela construção naquela cidade do Seminário Central, uma obra gigantesca - quando questionado sobre o porquê de uma edificação tão esplêndida como a que erigiu em Correâs: “Para que todos que entrem aqui sejam obrigados a pensar na grandeza do sacerdócio”, ele dizia.
     Além de seu jubileu, o Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino comemora agora outro evento representativo. Recentemente o papa Bento XVI declarou 2009 (em um período que vai de junho deste ano a junho de 2010) o Ano Sacerdotal, marcado para lembrar os 150 anos da morte de São João Maria Vianney, padroeiro dos párocos.

Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino:
Estrada União e Indústria, 3.441 Corrêas – Petrópolis (24) 2221-1459 / 2221-2187 www.seminario.com.br
Doações a partir de R$ 10,00 podem ser feitas através de depósitos bancários em um dos seguintes bancos:
BRADESCO - 237 Seminário Diocesano N.S. Amor Divino Agência: 0401 - Imperador Conta Corrente: 033.853-2
UNIBANCO - 409 Obras das Vocações do Seminário Diocesano de Petrópolis Agência: 0017 – Corrêas Conta Corrente: 200128-1


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