Foto: Márcia Carvalho

Ao longo da estrada União e Indústria é possível observar exemplares da paineira rosa (Chorisia speciosa), também nativa da Mata Atlântica, que ultrapassaram os 100 anos de idade. Em geral, a floração é iniciada em dezembro e pode se estender até o mês de março.

Foto: Orlando Graeff

O ipê amarelo (Tabebuia ochracea) ocorre com mais freqüência no Cerrado, mas, existem exemplares também ao norte do estado de São Paulo e Mato Grosso do Sul e alguns em nossa região, onde apresenta lentidão em seu crescimento.

Foto: Márcia Carvalho

Muito comum no distrito de Secretário, o mulungú (Erythrina verna) ocorre na Mata Atlântica em locais descampados de mata aberta e a cor vermelha de suas flores típicas de inverno se destaca na paisagem.

Foto: Orlando Graeff

Árvore que chega a atingir os 20m de altura, o ipê amarelo (Tabebuia sp.) está presente em diversas formações florestais de forma esparsa e também na Mata Atlântica. Existem exemplares belíssimos em nossa região e sua utilização é muito comum em recomposições de áreas degradadas.

Foto: Orlando Graeff

Frequente em regiões de altitude, o tucaneiro (Vochysia tucanorum) é bastante comum na região de Petrópolis e seus frutos constituem o principal alimento dos tucanos.

Foto: Márcia Carvalho

Espécie nativa da Mata Atlântica, o ipê amarelo (Tabebuia crysotricha) possui florada exuberante, porém, de muito curta duração. É muito utilizada em arborizações de rodovias e no paisagismo em geral.

Foto: Orlando Graeff

O vassourão (Vernonia discolor) tem porte que varia de 8 a 15m de altura e ocorre em quase todas as formações florestais. Sua floração acontece na primavera e, por ser uma espécie muito frágil deve-se evitar seu plantio em arborizações urbanas.

Foto: Sérgio Treitler

A aleluia (Senna multijuga) apresenta florada, quase sempre exuberante, em todas as estações do ano e é nativa das regiões de altitude da Mata Atlântica.

Foto: Orlando Graeff

O jequitibá rosa (Cariniana legalis), espécie nativa da Mata Atlântica, pode atingir 50m de altura. Por ser uma árvore de grande porte, uma das maiores do nosso ecossistema, suas flores brancas são pouco visíveis. Existem exemplares cujo tronco pode ultrapassar 1 metro de diâmetro e há registros desta espécie com aproximadamente dois mil anos de idade.

Foto: Henrique Magro

A quaresmeira roxa (Tibouchina granulosa), nativa da Mata Atlântica, é muito comum em nossa região e atinge até 12 metros. Floresce de março a junho, sendo muito utilizada no paisagismo e na recomposição de áreas degradadas. De crescimento rápido e florada abundante.


Especial

Itaipava

em todas as estações

     Como em poucos lugares do Brasil, na região de Itaipava e arredores um fenômeno natural de extrema beleza pode ser admirado durante todo o ano. Aqui, em altitudes que variam em torno de 800 a 1000 metros, podemos sentir e perceber claramente as mudanças das estações; não só pelas variações de temperatura, mas, especialmente, pela observação da rica vegetação de Petrópolis, com seus espécimes espalhados pelo centro da cidade e por todos os distritos.
     Os tons e coloridos das árvores, com suas épocas de floração bem marcadas, atraem os olhares e deslumbram pela diversidade. Esse é um dos motivos que fazem com que as temporadas na serra tenham charme e beleza especiais, que se renovam sazonalmente. O amarelo vivo dos ipês e o vermelho dos mulungús no inverno, o branco dos vassourões na primavera, o amarelo dos tucaneiros no verão e o rosado das paineiras no outono são apenas alguns exemplos do festival multicores que se apresenta em nossas paisagens.
     Em retribuição a esse espetáculo da natureza, trazemos um texto do especialista Sérgio Treitler (Cache-Pot Paisagismo) sobre a arborização de Petrópolis, além de imagens e informações fornecidas pelos colaboradores Márcia e Vera Carvalho (Billbergia), Orlando Graeff (Graeff Consulting) e Ailton Alves (Árvores do Brasil). Deleite-se.

Paisagismo na serra Por Sérgio Treitler
     A região serrana fluminense encantou os viajantes que nela estiveram no final do século XIX. Von Martius, Spix, Langsdorf e outros relataram com entusiasmo a exuberância da natureza local. Köeller teve tanta sensibilidade ao idealizar o plano urbanístico de Petrópolis – o Plano Köeller – que previu que as áreas acima de uma determinada cota seriam mantidas como áreas de preservação.
     Após a segunda guerra, com a difusão da aviação e, principalmente, das viagens nos transatlânticos, as classes mais abastadas passaram a ir à Europa com maior freqüência. Lá, encontravam cidades inteiras sendo reconstruídas e, nelas, observavam o uso maciço das espécies nativas locais sendo utilizadas em projetos de paisagismo e arborização urbana. O pós-guerra trouxe o conceito de cidades-jardins e foram muitos os parques e praças construídos. E isso causava certo deslumbramento nos visitantes, chegando a provocar em alguns a sensação de que tudo aquilo era “a cara da serra”, mais especificamente das cidades fluminenses de fim de semana, como Petrópolis, Teresópolis e Friburgo.
     Essa visão européia foi responsável pela adoção maciça, no nosso paisagismo, de espécies como pinheiros, tuias, diferentes ciprestres e outras árvores semelhantes, em detrimento da flora local. O chique era ter no jardim plantas que remetessem o observador às cidades européias. Hoje, alguns dos pinheiros introduzidos naquela época nos jardins residenciais de Petrópolis já ultrapassaram trinta metros de altura – equivalentes a um prédio de dez andares, e assustam e preocupam os vizinhos.
     Por outro lado, na década de 1930, quando assumiu a direção de parques e jardins em Recife, Roberto Burle Marx daria início ao uso – por certo ainda de forma tímida, porém já bastante inovadora - de espécies autóctones da flora brasileira em suas praças. Um dos maiores exemplos desse uso se daria num jardim projetado por Burle Marx aqui em Petrópolis, na década de 1950, na antiga residência Odete Monteiro, em Corrêas. Ali se destacam acácias (Senna multijuga), quaresmeiras (Tibouchina granulosa) e mulungús (Erythrina speciosa). Burle Marx usou estas árvores com tal maestria, adensando-as em grupos, próximo ao limite do terreno, que se torna difícil ao observador identificar onde termina o jardim e onde começa a mata nativa.
     Foi através de sua nova visão sobre a nossa paisagem que Burle Marx foi desmistificando aos poucos a idéia de que nossas plantas eram “mato”. Ele brincava com isso, dizendo a um cliente que determinada planta tinha vindo, por exemplo, de Sumatra. Depois de ver sua satisfação por ter no jardim algo tão raro, o paisagista se desmentia e dizia: - “Que nada. Esta planta é brasileiríssima, é uma taioba!”

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