Studio da Mata

Studio da Mata
Espaços montados para refeições ao ar livre e jardins que incluam pequenas hortas refletem a necessidade crescente do convívio mais estreito com a natureza, comportamento observado por Rita em grande parte de seus clientes

Studio da Mata

foto: José tabacow

Cache-pot
Uma aula do mestre Burle Max: nos 1,5 mil m2 do jardim, projetado em 1954, foram utilizadas apenas sete diferentes espécies de plantas nativas, que criam um efeito surpreendente e refletem as mais atuais tendências do paisagismo: coerência ecológica, sustentabilidade e perenidade. O jardim, inserido na Fazenda Tacaruna, foi também restaurado pelo Cache-pot

foto: José tabacow

Cache-pot
Passeios ideais para o verão, quando as águas brotam em profusão, as trilhas que permeiam os circuitos das Bromélias e do Véu da Noiva, no setor Bonfim do Parque da Serra dos Órgãos, reservam gratas surpresas como o Poço dos Primatas e uma cachoeira com 40m de altura

foto: Sérgio Treitler

Cache-pot
O Jardim do século XIX (de autor desconhecido) é do Hotel Solar do Império, localizado no centro da cidade, e foi restaurado por Sergio Treitler e Márcia Raposo, do Cache-pot. Este é um exemplo típico do estilo europeu que por muito tempo predominou na paisagem de Petrópolis

foto: Sérgio Treitler

Cache-pot
O Vale (praticamente encantado) das Videiras tem trilhas ideais para adeptos das pedaladas

foto: Sérgio Treitler

Cache-pot
Seguindo o mestre: no jardim projetado para uma residência de Itaipava, Sergio Treitler aplicou os conhecimentos aprimorados nos nove anos de trabalho com Burle Max. Mínima interferência na natureza, utilização de espécies nativas e preocupação com a funcionalidade. Com boa variedade de árvores plantadas ao redor, o amplo gramado permite a utilização e circulação, com toda a segurança, de crianças, idosos ou qualquer pessoa que queira usufruir o espaço

Arteiro

Para Sonia Infante, o importante é chegar a um equilíbrio entre a preservação dos elementos naturais, o estilo do cliente e o resultado estético satisfatório. O resultado não deixa dúvidas de que a fórmula é infalível

Arteiro

Arteiro

No jardim projetado para uma residência de Itaipava, Sonia Infante adotou um conceito que privilegia a perenidade, com utilização de plantas que exigem manutenção simples, e ainda a diversidade de flores para manter o colorido durante o ano inteiro, inclusive nos meses de inverno

Arteiro

foto: divulgação
Patrícia do Lago

Neste ambiente projetado para uma residência no Vale do Cuiabá, a família determinou o tipo de uso pretendido para um espaço anteriormente pouco aproveitado, que depois da intervenção de Patrícia passou a ser mais um atrativo e outra opção de lazer

foto: divulgação
Patrícia do Lago

Em outra propriedade localizada em Nogueira, onde o jardim já apresentava elementos previamente desenvolvidos, Patrícia adicionou plantas como a cyca revoluta (popularmente conhecida como sagu), espécie que tem a aparência de uma pequena palmeira e grande aplicação no paisagismo

foto: divulgação
Patrícia do Lago

Parceria de sucesso em jardim executado no Distrito de Nogueira por Patrícia do Lago. Segundo a paisagista, a participação do proprietário, um apaixonado por plantas e jardins rochosos, foi determinante para o êxito do projeto

Studio da Mata

Nos projetos de Rita Ribeiro, como este executado em Itaipava, a inspiração que vem da natureza acende o sinal verde para o largo uso de flores multicoloridas e o vermelho para a rigidez e a formalidade

Studio da Mata

Rita prioriza o remanejo de elementos já existentes no terreno, como pedras que já sofreram a ação do tempo, para compor novos ambientes de forma que a intervenção humana não fique tão visível. A valorização do elemento água, segundo a paisagista, é outra característica dos jardins planejados para locais de contemplação

Fotos: Henrique Magro


Capa

Muito além da beleza



     Quando se decidiu pela confecção da presente matéria para integrar esta edição de primavera, a intenção da equipe era receber a mais colorida das estações com imagens de belos jardins que traduzissem as tendências atuais do paisagismo. Logo na fase de apuração dos dados, entretanto, ficou claro que a idéia original, uma simples celebração da beleza que toma conta da nossa região no período que vai de setembro a dezembro, poderia ganhar uma importância muito maior.
     Foram as informações transmitidas por alguns dos maiores especialistas no assunto da região – os arquitetos e paisagistas Sergio Treitler, do Cache-pot; Sonia Infante, Arteiro; Rita Ribeiro, Studio da Mata; e Patrícia do Lago, da empresa homônima – que ampliaram enormemente a percepção da importância do tema que seria tratado, transcendendo o simples conceito de estética e trazendo as diferentes questões sobre o paisagismo para ocupar as páginas principais desta edição da Estações de Itaipava. Vamos a elas.
     “Jardim é a natureza organizada pelo homem para o homem, o que o difere da natureza pura e simples é o ordenamento realizado pelo homem. E é nesse ordenamento que devemos ter o cuidado de não causar tanta interferência, mas sim contribuir para que aquele espaço que estamos tratando tenha um impacto positivo na fauna e na flora locais”. A frase de Treitler foi definitiva para a mudança de rumo, assim como a citação de uma frase de Roberto Burle Max, com quem trabalhou durante 9 anos: “jardim é feito de sons e luz, as plantas são o cenário; se existem pássaros, insetos e animais silvestres, existe vida e ele fica muito mais interessante”.
     A procura pelas tendências, então, deixaram de ter apenas a conotação (um tanto quanto fúteis, assumo) daquilo que é esteticamente agradável e hoje está em voga quando se trata de compor o visual que circunda uma construção, seja ela residencial ou não. De acordo com o especialista, a principal e mais atual tendência nesses tempos tão incertos no que concerne à saúde da natureza é a coerência ecológica que se imprime a um jardim e a ambientes externos de forma geral. E para que se consiga essa relação harmônica, uma utilização predominante de espécies nativas é essencial.
     “Não é porque muitos acreditam que Petrópolis tem um ar europeu que devemos sair por aí plantando pinheirinhos, tuias, plátanos e espatódeas e outros exemplares estrangeiros, como temos visto acontecer em grande escala. Embora tenhamos um potencial vastíssimo de espécies ornamentais na Mata Atlântica, o mais comum é que as pessoas busquem exemplos de fora e privilegiem o exótico”, lamenta.
     Não é ufanismo. A recomendação para o uso das plantas nativas é fundamentada em aspectos muito relevantes. Com essa conduta, os efeitos do jardim não ficam restritos àquele terreno, são irradiados para além deste espaço, uma vez que as plantas nativas de uma região têm o poder de atrair, alimentar e abrigar a fauna local, que se encarrega de espalhar suas sementes em outros lugares. Há o ganho ecológico, além da fruição do belo. Outro aspecto apontado pelo especialista e que deve ser levado em consideração quando se fala de atualidade na arquitetura da paisagem é a sustentabilidade.
     “Quando se elabora um projeto, não se pensa em um jardim que terá de ser reformado daqui a dois anos e refeito daqui a cinco e sim em um projeto que terá uma certa perenidade. Hoje, algo que também se discute bastante nos congressos e eventos do setor é a importância de projetos que não exijam manutenção complicada ou de alto custo, mas aqueles que com um mínimo de cuidado possam ser eternizados”, observa Treitler.

MUITO ALÉM DA MODA
     Sonia Infante corrobora. Para ela a perenidade é um elemento fundamental e uma das características que considera como uma “assinatura” dos projetos elaborados pelo Arteiro. “Nossos jardins sobrevivem ao tempo, não têm aquela coisa momentânea de seguir modismos. Já dizia Coco Chanel que ‘etiqueta é aquilo que fica bem em você’; então, não é a moda que vai definir o estilo do jardim e sim todos elementos que integram aquela casa, assim como o estilo de vida de seu proprietário”, defende.
     Outra questão que a especialista levanta como um fator determinante nos projetos paisagísticos é a mudança de estilo que há cerca de dois anos vem dominando a arquitetura da Serra. “Hoje já não há muitas casas construídas de acordo com as linhas normandas, ou européias em geral, como havia antigamente. As novas levas de arquitetos e decoradores procuram imprimir um estilo mais moderno, um casual light, e os jardins acompanham este conceito”, diz.
     Ela também observa mudanças quanto à postura dos clientes, assinalando sua crescente preocupação com o meio ambiente. “Percebemos nas perguntas que eles nos fazem que esse cuidado com os elementos mais naturais e adequados à preservação está cada vez mais presente. Os componentes exóticos, assim como o estilo europeu, estão perdendo espaço. Independentemente de gostos e estilos pessoais, é a questão ambiental que hoje serve de base aos projetos”, avalia a paisagista.
     Mesmo que também tenha entre seus clientes aqueles que classifica como “verdes” – “tudo o que recomendamos em benefício da natureza é logo adotado por eles”, explica a alcunha –, Treitler ainda se depara com muitos que preferem estilos predefinidos, em detrimento da coerência ecológica e da sustentabilidade. “Não é que seja errado, mas dá pena ver que as pessoas voltam as costas para uma vegetação tão exuberante como a que temos aqui e preferem as fórmulas repetitivas como as que aparecem em revistas especializadas”, lastima.
     As aspirações e o gosto dos clientes, contudo, não podem ser deixados de lado. Afinal, são eles que vão usufruir daqueles espaços e, em alguns casos, orientar ou executar sua manutenção. “Considero fundamental conhecer bem esses aspectos para executar um bom projeto e adaptá-lo, dentro do possível, à realidade de cada um. Todo jardim exige manutenção e é ela que vai garantir sua longevidade. E esse trabalho pode ser facilitado se forem escolhidas espécies adequadas às diversas situações encontradas: sombra, sol, pouca ou muita água, etc. Também por esses motivos, gosto de priorizar as espécies locais; além disso, temos plantas nativas lindas como, por exemplo, a bromélia alcantarea imperiallis”, declara Patrícia do Lago, revelando uma de suas preferências.

MUITO ALÉM DO INTERIOR
     A organização de espaços que permitam a harmonia entre atividades de lazer nas áreas externas de residências e a preservação do ambiente natural como fonte de vida e sobrevivência de espécies vegetais e animais é, felizmente, uma prática que vem se avolumando. Para Rita Ribeiro, este é um reflexo da crescente necessidade das pessoas de um convívio mais estreito com a natureza.
     “Como o ritmo de vida está cada vez mais alucinado, o que temos visto é uma grande valorização do hábito de ficar em casa, e, preferencialmente, do lado de fora. Como forma de relaxamento, as pessoas procuram meios de contemplar a natureza e essa postura determina o uso crescente das áreas externas e a implantação do projeto paisagístico”, avalia. Ela lembra que a implantação do paisagismo não é algo restrito a grandes áreas fora dos centros urbanos. Mesmo em um apartamento é possível criar espaços que permitam o convívio estreito com a natureza.
     Quando se fala em estilo, a palavra-chave é, de acordo com ela, “natural”. “Como a própria natureza tem sido a fonte maior de inspiração, o estilo que fica mais contemporâneo é o rústico, que não é muito formal ou rígido, e com farta utilização de cores. Como se o jardim não tivesse sofrido intervenções pelo homem”, diz. Para ela, outros aspectos importantes são a harmonia entre as cores uma mistura de plantas que garanta um jardim florido durante todo o ano. “Assim, as pessoas podem ter uma noção mais clara do ciclo da natureza, percebendo suas mudanças a cada estação”, observa Rita.
     Com este mesmo objetivo, o reflorestamento também vem sendo adotado com freqüência nos projetos. Além de permitir o acompanhamento total do desenvolvimento das árvores, o plantio de determinadas espécies tem sido bastante utilizado como forma de resguardar espaços de ruídos ou vistas indesejáveis, especialmente em condomínios, onde, não raro, a distância entre duas propriedades vizinhas é pequena. Normalmente, este plantio é realizado em áreas inclinadas e acaba sendo útil também para evitar a erosão do solo e problemas como o desbarrancamento.

MUITO ALÉM DO JARDIM
     Hoje, a integração entre variados espaços destinados ao lazer e a natureza tornou-se bastante comum. Uma simples churrasqueira ao lado da piscina é coisa do passado. Agora, a construção de ambientes para as refeições, ou mesmo cozinhas gourmets totalmente equipadas, em estruturas anexas às principais tem ganhado a preferência de moradores e veranistas da Serra. E se as refeições são preparadas e consumidas no jardim, nada melhor do que colher ali mesmo a matéria-prima. “Temos recebido muitos pedidos para que canteiros com flores comestíveis, temperos e mesmo algumas hortaliças sejam integrados aos projetos”, conta a paisagista.
     A crescente preferência por este estilo de vida mais natural tem influenciado também os projetos arquitetônicos. As novas construções não são mais enormes como antes e sim desmembradas em anexos. “Uma tendência atual é que diferentes ambientes venham sendo erguidos aos poucos, separadamente da estrutura principal, e o paisagismo, muitas vezes é o que determina a distribuição desses novos espaços. As duas disciplinas têm uma ligação muito estreita e, por isso, o ideal é que os projetos de arquitetura e paisagismo sejam elaborados ao mesmo tempo”, defende Rita.
     Para Patrícia do Lago, a receita para um projeto de sucesso está na parceria entre o cliente e o profissional. “Nada mais gratificante do que criar um espaço que vai ser realmente utilizado. Por este motivo, creio que todo projeto bem sucedido é uma parceria que deu certo. A participação do cliente é fundamental, ele é o co-autor”, conclui.

Cache-pot: (24) 2222-3211 / 8815-3666
www.cache-potpaisagismo.com.br
Arteiro: (24) 2222-1172 / 2222-3013
www.arteiro.com.br
Studio da Mata: (24) 2222-4634 / 2222-5046
www.studiodamata.com.br
Patrícia do Lago: (24) 2242-2368 / 9965-0259
www.patlago.arq.br

Para adquirir plantas ou serviços de manutenção de jardins:
Itaverde / manutenção de jardins: (24) 2222-4640
www.itaverde.com.br
Árvores do Brasil / mudas de árvores: (24) 2221-7328
arvoresbrasil@yahoo.com.br
Gil Gramas / venda e plantio de gramas
(24)2222-9130 / 9272-7968 / 9827-3686 / 8816-9495
Mudas Katsumoto / mudas de hortaliças, flores e outras:
(24) 2222-1704
www.mudaskatsumoto.com.br
Chácara da Serra / floricultura: (24) 2222-6155
Shopping Tarrafa’s, quiosque 5
Itaipava Garden / floricultura: (24) 2222-4444
Est. União e Indústria 11.805 / Itaipava


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