foto: divulgação

foto: divulgação






Fotos: Henrique Magro

Especial

Origami
arte milenar como terapia



     Vida de adolescente é dura. Além de todos os afazeres exigidos pela escola, haja tempo para administrar o tempo e conseguir se dedicar a atividades extras, como cursos de idiomas, esportes e várias outras. Se o jovem demonstra pendor para a hiperatividade, então, como conciliar tantas tarefas e realizá-las de forma satisfatória?
     Foi ainda na infância, aos oito anos de idade, ao ingressar no Kumon (método de aprendizagem japonês que promete melhorar o desempenho escolar), que o adolescente petropolitano Andric de Souza conheceu a arte, também de origem nipônica, do origami. Para alguém que já desempenhava tantas diferentes atividades, essa seria apenas mais uma. Mas o talento do rapaz para as dobraduras de papel fez com que o interesse se transformasse em ofício. E não só isso, melhorou bastante sua capacidade de concentração: “quando estou fazendo um origami nem sinto o tempo passar, eu relaxo”, conta.
     Depois de aprimorar a técnica em cursos específicos, que freqüentou por 3,5 anos, e participar de diversas exposições e feiras na cidade, Andric passou a aceitar encomendas de seus trabalhos e também a fazer peças para presentear familiares e amigos. Hoje, aos 16 anos, o adolescente concentra grande parte de sua atenção aos estudos (no próximo ano vai prestar vestibular para Veterinária) e a confecção das dobraduras é voltada principalmen­te para os trabalhos escolares, mas ele também encontra um tempinho para produzir peças sob encomenda.
     Embora existam publicações especializadas que oferecem moldes e instruções detalhadas, grande parte dos origamis de Andric teve como modelos fotos dos objetos representados e mesmo inspiração em sua própria criatividade. Além dos animais, um tema constante na arte da dobradura e uma das preferências do futuro veterinário, ele aproveita para exercitar a técnica reproduzindo monumentos como o Partenon e a Catedral de Notredame, empreitadas que chegaram a durar alguns meses. “Como sou perfeccionista, gosto de reproduzir as peças em seus mínimos detalhes”, revela Andric. Nada mal para quem precisava apenas de um pouquinho mais de concentração para realizar tarefas cotidianas.


OFERENDAS AOS DEUSES

Origami (palavra derivada de oru, “dobrar”, e kami, “papel”) é a tradicional arte japonesa de criar peças que representam objetos, animais ou outras figuras através de dobras geométricas de uma peça de papel, sem cortá-la ou colá-la. De acordo com registros históricos, as primeiras figuras de origami surgiram na antiguidade, por volta do século VI, quando um monge budista levou da China para o Japão o método de fabricação do papel.
     No início, as dobraduras tinham caráter puramente simbólico nos rituais das cerimônias do xintoísmo (antiga religião politeísta do Japão, caracterizada pela adoração a divindades que representam as forças da natureza). Os noshi, oferendas que se faziam nos templos, eram envoltos em papel cuja função era separar o puro do impuro. A evolução desses embrulhos, com dobras cada vez mais complexas e atraentes, culminou nos origamis como hoje são confeccionados.
     Os princípios básicos ditam que o origami deve ser feito a partir de um papel plano, bidimensional, a fim de que o resultado seja um objeto com três dimensões, sem a utilização de outros materiais como tesoura, cola ou similares. A partir do século XVII, entretanto, as regras foram sendo alteradas e outras técnicas permitidas. Mas as superstições que envolvem a arte permanecem até hoje: de acordo com a cultura nipônica, aquele que fizer mil tsurus (garça japonesa que simboliza a longevidade e a fertilidade) em origami terá um pedido realizado.


Andric de Souza – Origamista:
Telefone: (24) 2243-1445
andricdesouza@gmail.com

Voltar Próxima matéria


Estações de Itaipava © Todos os direitos reservados