foto: Waldyr Neto
Amanhecer visto do alto da Serra de Petrópolis, um presente da natureza reservado a poucos

foto: Waldyr Neto
Para apreciar o poente do sol no Morro do Açu é preciso muita disposição, mas o esforço compensa

foto: Waldyr Neto
O Caminho do Ouro - trilha aberta em 1723 por Bernardo Proença, seguindo um trajeto usado pelos índios – é um dos marcos na colonização da cidade, e o melhor: acessível até para sedentários convictos

foto: Waldyr Neto

foto: Waldyr Neto
Passeios ideais para o verão, quando as águas brotam em profusão, as trilhas que permeiam os circuitos das Bromélias e do Véu da Noiva, no setor Bonfim do Parque da Serra dos Órgãos, reservam gratas surpresas como o Poço dos Primatas e uma cachoeira com 40m de altura

foto: Arthur Guerra
Da série “coisas que não tem preço”: juntar um grupo de amigos e sair por aí com a bike em um dia ensolarado de inverno

foto: Waldyr Neto
O Vale (praticamente encantado) das Videiras tem trilhas ideais para adeptos das pedaladas

foto: Montanha Expedições
De Secretário a Sebolas, a trilha segue pela Estrada Real, um pedaço de bom caminho que corta trechos de natureza explícita

foto: Montanha Expedições

foto: Montanha Expedições
O céu incrivelmente azul, em contraste com o ocre da terra e a mistura de verdes da vegetação, é um dos cenários possíveis no circuito do Taquaril, que abriga em seu vale campos de cultivo de legumes e verduras

foto: divulgação
Os obstáculos enfrentados em trilhas radicais exigem grande perícia dos motoristas e o engenheiro mecânico Eduardo Veiga de Castro adverte: devem ser percorridas sempre em comboios

foto: Luiz Fernando Velloso
Parte da estrada Vale das Videiras- Miguel Pereira foi asfaltada recentemente; o que significa uma pausa nos solavancos, embora isso não seja exatamente o que interessa aos off-roaders. Ideal para aqueles que apreciam um tranquilo e confortável tour por antigas fazendas de café




Capa

Trilhas para todas as tribos



     Qual é a sua onda? Caminhar, pedalar ou pegar um veículo motorizado e sair por aí desbravando lugares desconhecidos? Para todos os gostos e níveis de disposição, existem opções ideais de passeios em Petrópolis, inclusive caminhos que levam a cidades vizinhas, e que podem ser percorridos de diferentes formas, mas com atrativos comuns: cenários de tirar o fôlego! Para quem nunca empreendeu uma dessas aventuras, o momento de começar é esse; com a estiagem de inverno, estamos agora na melhor época para aproveitar bem de perto essa fantástica porção de terra que a natureza muito gentilmente nos reservou.
     Mas antes de sair por aí se embrenhando por terras nunca antes visitadas, alguns cuidados básicos são imprescindíveis. Em pri­meiro lugar é preciso escolher a melhor forma de chegar ao destino pretendido; o segundo passo é avaliar as distâncias e graus de dificuldade de cada trilha e ainda levar em consideração o condicionamento físico dos que vão participar das expedições. Para aqueles sem qualquer experiência, recomenda-se, sempre, a companhia de um guia.
     Para os que se entusiasmarem com o que vem a seguir, o Centro Excursionista Petropolitano (CEP), entidade sem fins lucrativos fundada em 1958 na cidade, realiza passeios guiados, oferece cursos preparatórios para mon­tanhistas e certificados de formação pa­ra novos guias. Também tivemos a assessoria de diferentes especialistas em aventuras para indicar inesquecíveis caminhos para serem desbravados a pé, de bicicleta e veículos motorizados, ou mesmo fazendo uma combinação entre os dois transportes. Sempre de olho na segurança do grupo, avalie bem a dis­posição, a habilidade e a experiência dos membros da expedição antes de arrumar a mo­chila e partir para a aventura.

Para frente é que se anda
     Caminhar é uma excelente forma de se fazer exercício - sem que para isso sejam necessárias habilidades ou técnicas específicas - e ainda aproveitar ao máximo todos os encantos proporcionados por regiões distantes dos centros urbanos. De modo geral, os clubes de montanhismo classificam as caminhadas pela dificuldade técnica das trilhas e pelo tempo que se gasta para percorrê-las, levando em conta apenas a duração da ida. As leves são trilhas fáceis e rápidas, com tempo aproximado de 1 hora; as leves superiores demandam um esforço maior e de 2 a 3 horas; as semi-pesadas exigem esforço considerável e chegam a durar 6 horas; as pesadas são aquelas que podem levar um dia ou mais e exigem o uso de mochilas cargueiras com agasalhos, cordas, lanternas, alimentos, etc.
     Com a ajuda do aventureiro Waldyr Neto - um paulista que veio para Petrópolis ainda criança e aqui iniciou a prática do montanhismo, além de presidir o CEP por quatro anos - traçamos um roteiro com algumas trilhas para serem percorridas a pé no Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Nossas sugestões incluem aquelas classificadas como de baixo nível de dificuldade (acessíveis a todos), médio (para andarilhos com alguma experiência) e alto (apenas para os muito experientes).

Caminhadas leves
     O Caminho do Ouro - também conhecido como Estrada da Serra Velha, Caminho Novo e Atalho do Proença - representa um marco da colonização da cidade. Esta é a ligação original entre a Baixada Fluminense e Petrópolis, localizada entre a Raiz e o Alto da Serra da Estrela (que hoje faz parte do Parque Nacional da Serra dos Órgãos) e foi aberta em 1723 por Bernardo Proença, seguindo um trajeto usado pelos índios. O acesso à trilha – que pode ser percorrida em cerca de duas horas e apresenta um baixo grau de dificuldade técnica – é pelo bairro Alto da Serra (setor Serra Velha do parque), a partir da antiga estação ferroviária. Neste caminho, os excursionistas vão encontrar um belo calçamento de pedras, ruínas de um aqueduto, caminhos planos pela floresta e riachos.
     Pelo setor Bonfim (com acesso pelo distrito de Corrêas) do parque, chega-se ao Circuito das Bromélias, que pode ser percorrido em um período de 1 a 2 horas (ida e volta) e oferece, em 1,1 Km, três belos poços (Poço das Bromélias, das Duchas e dos Primatas), além, é claro, de uma boa quantidade dessa família de plantas para observação em seu habitat natural. Ainda no mesmo setor do parque, outro belo caminho leva ao Circuito do Véu da Noiva, cuja maior atração é uma queda d’água com o mesmo nome que atinge os 40 metros de altura. Um pouco mais longo, o percurso de ida dessa trilha demanda de 1 a 2 horas e a distância é de 4,1 Km. Em ambas é preciso atravessar alguns trechos sobre pedras de rios.
     Outra boa opção para quem não pratica atividade física regularmente, crianças e membros da terceira idade é um passeio pelo Pinheirinhos. Ideal para a visitação no verão, a trilha - que não apresenta dificuldades e exige um tempo máximo de 1 hora e meia - reserva boas surpresas como um pequeno bosque de pinheiros e um poço com escorrega natural. O bosque fica localizado na parte inicial da subida do morro do Açu e a maioria do percurso é feito em terreno plano, com apenas alguns trechos de subidas suaves.

Leve superior e semi-pesada
     Classificada como leve superior, a caminhada no Morro do Alicate é indicada para quem tem boa disposição; são de 2 a 3 horas de subida e o percurso de ida compreende 5 km. O acesso é pela portaria de Petrópolis, a partir do caminho que leva ao Morro do Açu. A trilha é iniciada por uma forte descida que leva a um riacho, mas a maioria do percurso é realizada em subida. De acordo com Waldyr Neto, o caminho não é fácil nem bem definido e a maior parte segue pelo leito do rio.
     A travessia Cobiçado-Ventania está inserida no que os especialistas classificam como semi-pesada. A duração do passeio pode chegar a 8 horas e existem dificuldades técnicas para que os 12,4 Km sejam vencidos. Pelo caminho, que passa por todas as montanhas que formam o Vale do Caxambu (Alto da Ventania, Pedra do Inferno, Tridente, Pedra do Diabo, Vândalos e Cobiçado), se encontram ruas e trilhas com lajes de pedras, trechos bem fechados e ainda passagens expostas. Do ponto mais alto da travessia – o Pico dos Vândalos, com 1.740m de altitude – é possível, em dias abertos, avistar toda a Baia da Guanabara. A entrada para a trilha fica na localidade de Três Pedras, no bairro do Caxambu, em frente à Igreja de Nossa Senhora da Penha.

Pesada
     Restrita àqueles dotados de muita disposição e habilidades técnicas - e indicada apenas em dias de tempo seco, com a companhia de pelo menos um guia experiente -, a mais bonita e conhecida trilha da Serra é a que leva a Teresópolis. Da portaria do Bonfim até a da cidade vizinha são 31 km em que muitos trechos de longas subidas precisam ser vencidos – a maior parte do trajeto é realizada em altitudes superiores a 2.000m e o ponto mais alto, a Pedra do Sino, atinge os 2.275m. A recomendação do aventureiro Waldyr é que o percurso seja realizado em três dias, com pernoites no Açu e no Abrigo 4, onde os acampamentos são permitidos. Não só a magnífica paisagem avistada, muitas vezes por cima das nuvens, é o que atrai montanhistas do mundo inteiro a este lugar. Algumas espécies da vegetação típica dos campos de altitude podem ser admiradas apenas ali. Embora possa chegar a ser extenuante, a aventura é cheia de recompensas.
     Estas são apenas algumas entre as muitas opções para andarilhos no Parque Nacional da serra dos Órgãos. Outros roteiros - com farto material explicativo, que relaciona os itens classificação, duração, dificuldade técnica, distância aproximada, altitude, croquis, melhor época para visitar, equipamentos indispensáveis e curiosidades – estão no blog http://amagiadamontanha.blogspot.com e nos livros lançados por Waldyr Neto. As duas obras, Guia de trilhas de Petrópolis (2008) e Parque Nacional da Serra dos Órgãos - Guia de trilhas, cachoeiras e montanhas (2009), esta em co-autoria com Ernesto Barros Viveiros de Castro, funcionam como um verdadeiro mapa da mina para os aventureiros.

Na força da pedalada ou do motor
     João Carlos Andrade, da Montanha Expedições, que organiza passeios de bicicleta, de carro e também alguns que combinam os dois veículos, foi nosso consultor para aventuras por lugares que reúnem belezas naturais e episódios representativos da história do país.
     Para quem curte pedalar, e tem disposição para tanto, a região está repleta de roteiros interessantes, que passam por fazendas históricas ou mesmo por locais que já abrigaram quilombos. Uma ótima oportunidade para realizar atividade física ao mesmo tempo em que se acumula bagagem cultural.
     Tendo como ponto de partida a praça do Vale das Videiras, o circuito que abrange as Fazendas Históricas do Vale do Rio do Fagundes é percorrido em meio a fazendas cafeeiras do começo do século XIX. Os caminhos são os mesmos pelos que se escoavam o café para os grandes centros e permitem a observação das construções das fazendas centenárias, em excelente estado de conservação, como as fazendas da Cachoeira, Santanna, Conceição, Ribeirão e Santa Rita. O tempo previsto para o circuito completo é de 3 horas e o percurso totaliza 18km.
     Saindo do mesmo local e pedalando em direção ao caminho das nuvens até o Catete, chega-se à Estrada do Imperador, que leva à Gruta do Congo, já no município de Miguel Pereira. De acordo com registros históricos, foi nesta região que , em 1838, 300 escravos liderados por Manoel Congo fundaram um quilombo. Já no percurso de volta, em trajeto conhecido como Caminho dos Louros, os ciclistas podem observar comunidades de portugueses, que ali chegaram na década de 50, dedicadas ao plantio do louro. Dali, parte-se em direção à Praça Quicinho Português, passando pelo lugar conhecido como Prata, e chega-se à Praça do Vale das Videiras. O circuito, com 28 km, dura em média 3 horas e meia e exige boa disposição, além de preparo físico.
     Se o condicionamento físico não anda lá essas coisas, a dica é partir para a aventura de moto ou de carro, de preferência com tração nas quatro rodas. Duas boas opções são o circuito do Taquaril e o que liga Secretário a Sebolas.
     O primeiro parte de Santa Mônica e a etapa de ida compreende o Vale do Cuiabá e o Vale do Taquaril, até o território de Paraíba do Sul. Por todo o percurso é possível admirar a produção local de verduras e legumes, além de belíssimos campos de cultivo de flores. O caminho de volta é feito a partir da ponte da Jacuba, localidade que merece um parêntese histórico. No início século XIX, o português Ferreira Bastos construiu ali um pouso para abrigar os retirantes que viajavam para a capital. Uma das iguarias preparadas no pouso, a jacuba - uma mistura de mandioca com rapadura que ficou famosa - acabou dando nome ao local. Dali, pega-se o caminho de volta pela União e Indústria, em trechos de vale estreito, ainda com baixa ocupação e imensas paredes de granito.
     A partir de Secretário, localidade integrante do Distrito de Pedro do Rio, o roteiro que leva a Vila de Sebolas, no município de Paraíba do Sul, é percorrido pela Estrada Real, passando por fazendas e vários trechos que guardam ainda suas características rurais originais. Ao chegar a Sebolas, mais um pouco de história: um museu dedicado Tiradentes conta detalhes das andanças do herói por estas bandas. No caminho de volta, também pela Estrada Real, uma das atrações é o Sítio Humaytá (visitas devem ser agendadas – www.sitiohumayta.com.br), onde são produzidos, de forma artesanal, doces, compotas, geléias, conservas e outras delícias. Dali retoma-se o caminho para Secretário.
     Além dessas, estão à disposição de quem se aventurar uma série de outras trilhas ideais para veículos com tração 4x2 ou 4x4, algumas delas leves e outras bem radicais. O engenheiro mecânico Eduardo Veiga de Castro, fundador do Imperial Jeep Club e do Jeep Club de Petropolis, indica a travessia do Facão - trilha leve para veículos 4x2 ou 4x4, com entrada pelo Rocio, atravessando a serra do Cindacta e chegando ao Vale das Videiras – que classifica como um passeio imperdível. Ele ressalta que as trilhas radicais nunca devem ser realizadas de forma isolada, mas sempre em comboios e por motoristas com muita experiência. “As possibilidade de contratempos como atolamento, quebra de peças, pneu furado, etc. são muito grandes”, alerta o engenheiro.
     Seja qual for a aventura escolhida, o mais importante é lembrar que responsabilidade ambiental é bom e não faz mal a ninguém; muito pelo contrário. Com atitudes simples - como respeitar a fauna e a flora locais, não deixando lixo por onde passa ou cedendo à tentação de levar plantas, pedras ou outras “lembrancinhas” do passeio para casa – você estará contribuindo para a conservação desse incrível pedaço do planeta.

Fontes:
Centro Excursionista Petropolitano – Rua Irmãos D’ângelo, 39 / sobreloja 05 – Centro (24) 2231-9557 – www.cepetropolitano.org
Waldyr Neto – http://amagiadamontanha.blogspot.com
Guia de trilhas de Petrópolis (2008); Parque Nacional da Serra dos Órgãos - Guia de trilhas, cachoeiras e montanhas (2009)
Montanha Expedições – (24) 2225-2069 / 9266-8150
contato@montanhaexpedicoes.com.br
www.montanhaexpedicoes.com.br


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