A peça Explosão (80x110cm) é uma criação de Cristina Sobreira em cerâmica feita a mão, esmaltada e vitrificada, pastilhas de vidro e marmorizadas, ágatas, seixos e pedra São Tomé














O painel Volcano (70x105 cm) é de cerâmica esmaltada e vitrificada feita à mão, pastilhas de vidro e de porcelana, pedras naturais e pedras semi-preciosas brasileiras
Foto: divulgação

O quadro entitulado Fissura mede 95x125cm e tem materiais distintos como pedra São Tomé, pastilhas de mármore e granitos diversos

Pastilhas de vidro e marmorizadas, pedras semi-preciosas brasileiras brutas e polidas, vidros da fábrica dos vitrais da Catedral de Chartres (França) foram utilizados para a composição do painel Fluxo (20x80 cm)

Cerâmica em raku, pedras semi-preciosas brasileiras e ardósia, compõem a obra Voyeur (70x70 cm)
Foto: divulgação

O painel Floresta, de 100 X 100cm, traz diversidade de materiais - azulejos industrializados e pintados a mão, madeira natural e moldura em sisal - e uma peculiaridade: quando se toca nele é possível ouvir sons da floresta




Em seu ateliê, Solange Mano ensina as técnicas para a produção de cerâmica, mas faz questão de que os alunos tenham total liberdade para criar

Para ganhar maior resistência, as peças em barro creme com esmalte branco de titânio e a folha em porcelana com esmalte verde foram queimadas a 1280°c.

A composição de barros nas cores preto e branco criam um efeito de pintura nas peças.

As luminárias em formato de bolas, com a utilização de barro branco, são desenhadas com agulhas de diferentes tamanhos; as jarras e o prato fazem parte da linha Verde da coleção 2010.

Em sua nova coleção, Solange usa diferentes tipos de barro misturados a diversas cores de esmalte.

As obras da linha Coral nasceram da necessidade da artista de “trazer o mar” para sua casa na Serra.






A escultura Segredo (14x26x16cm) foi feita em bronze com acabamento em pátina verde.

Para esculpir a peça Mãe e filho (35x42x66) Madja utilizou o cimento.

Integrante da série Grávidas, a peça Grávida Sentada (28x15x28cm) foi esculpida em bronze e levou acabamento em pátina marrom.



Também esculpidas em bronze, as obras Movimento I (55x37x7,5cm) e Movimento II (112x35x24cm), ambas com acabamento em pátina negra, são algumas das peças prediletas da artista.

Algumas das obras mais recentes de Madja, como a Allegro (120x95x110cm), produzida em aço carbono, foram idealizadas para a colocação em ambientes externos.

Fotos: Henrique Magro


Capa

Criadoras e criaturas

Artistas mostram suas novas produções

     Uma das melhores formas de se iniciar um novo ciclo é promover mudanças nos ambientes em que vivemos. Reorganizar a casa, alterando a disposição de móveis e introduzindo novos objetos decorativos, pode conferir um ânimo extra para uma nova fase da vida. E se entre as novidades forem incluídos objetos de arte, melhor ainda.
     Pensando nisso, a equipe da Estações de Itaipava foi conferir as produções mais recentes de artistas que mantêm seus ateliês na região e mostra em sua edição inaugural de 2010 peças que podem realmente fazer a diferença em qualquer decoração. De grandes painéis de mosaico para instalação em ambientes internos ou externos a esculturas produzidas em diferentes materiais e tamanhos, passando por objetos de todos os tipos moldados em cerâmica com técnicas especiais, há opções para todos os gostos.

CRISTINA SOBREIRA
“A diversidade de materiais utilizada no mosaico o transforma numa arte de possibilidades inesgotáveis. Do ouro à pedra mais rudimentar, tudo pode transformar-se em arte. E o mais interessante é que a beleza da obra não está necessariamente na riqueza do material, mas sim nos detalhes e na criatividade de sua concepção”.
     “A arte é uma expressão sem fronteiras, não apenas daquilo que você pensa ou sente, mas daquilo que você é.” Assim a mosaicista Cristina Sobreira define sua relação com o ofício de criar peças com a utilização de materiais naturais e, principalmente, das pedras tipicas brasileiras. A artista, formada em Letras pela PUC do Rio, cursou a Escuela de Artes Visuales Regina Pacci, em Buenos Aires, nos anos de 78 e 79, e teve o interesse pelo mosaico despertado em 1999.
     De lá para cá, foi sofrendo diferentes influências que determinaram seu estilo. “Através de pesquisas e viagens, fui percebendo as transformações que esta arte milenar estava passando rumo a uma modernidade denominada ‘mosaico contemporâneo’. Adotei as pedras, numa tendência internacional de linguagem abstrata apresentando uma nova interpretação deste segmento artístico: a linguagem das pedras”, conta.
     Cristina foi uma das fundadoras e coordenadoras do grupo Rio Mosaico e integra grupos internacionais dedicados ao mosaico no Estados Unidos e Europa. Alguns de seus trabalhos estão expostos em Montpellier, na França, e em Ravenna, na Itália, onde participou recentemente, em novembro de 2009, do 1º. Festival Internacional de Mosaico Contemporâneo, com cerca de 10 mil visitantes em sua abertura e apoio de autoridades locais. Também em seu ateliê em Itaipava é possível conferir os belos murais e outras peças que produz.
www.cristinasobreira.com
cris.mosaico@globo.com


















































SOLANGE MANO
“Quando o barro se transforma em cerâmica nunca mais volta ao seu estado anterior. E essa é uma propriedade única que fez com que os objetos produzidos com este material atravessassem os séculos para contar a história da humanidade.”
     A ceramista começou a desenvolver seu trabalho em 1997. Dez anos (e muitas oficinas e exposições no Brasil, Europa e America Latina) depois, estabeleceu-se definitivamente em Itaipava, onde funciona seu ateliê. As coleções, lançadas anualmente, são produzidas com técnicas específicas de temperatura e esmaltagem – todas as etapas do processo são realizadas em fornos a temperaturas altíssimas (acima de 1,2 mil graus).
     “A queima do barro realizada de forma lenta e em alta temperatura confere uma resistência muito maior à cerâmica. Também na etapa da esmaltagem é importante que a temperatura seja elevada para que essa substância faça parte do corpo cerâmico e não crie diferentes camadas no objeto”, explica a artista. Entre outras, são essas as técnicas que ela utiliza para criar peças com efeitos visuais extraordinários e que também passa adiante em oficinas realizadas no próprio ateliê.
     Solange também ensina procedimentos para a formulação dos esmaltes, que em seu trabalho são, invariavelmente, produzidos por ela e compostos de pigmentos não sintéticos para que se incorporem perfeitamente ao barro. Na coleção que “saiu do forno” em dezembro de 2009, a artista também incluiu novas peças inspiradas no fundo do mar, com um tratamento que lhes confere o aspecto de corais, uma de suas marcas: “quando vim morar na Serra, resolvi trazer o mar para dentro de casa”, diz.
ceramicasolangemano.blogspot.com
ceramicasolangemano@globo.com



































MADJA MESQUITA
“Como Carlos Drummond de Andrade, que privilegiava textos escritos em poucas palavras, também considero que o menos é mais. Não gosto de nada rebuscado, procuro sempre as formas leves e retas.”
     A observação do cotidiano é a principal matéria prima da artista, que encontrou seu meio de expressão através da força e da simplicidade das formas que imprime nas esculturas que cria com a utilização de uma grande diversidade de materiais. Ela começou a se dedicar a esta arte em 1992 e, além de contabilizar em acervo um grande número de peças – produzidas em, barro, resina, pó de mármore, bronze, aço e outros materiais -, acumula na bagagem incontáveis participações em mostras coletivas e individuais no Brasil e no exterior e ainda premiações diversas.
     Seus mais recentes trabalhos, que compõem uma série batizada com termos ligados à música, demonstram a versatilidade da artista que iniciou sua produção com pequenas peças representativas de figuras humanas. As novas obras, idealizadas para a colocação em jardins, são figuras abstratas, realizadas em grandes dimensões e com o uso de aço carbono e aplicação de tintas.
     Atualmente, além das peças que conserva no ateliê, a obra de Madja pode ser encontrada nas galerias que a representam: Sheila Athayde, no Rio de Janeiro, e Deljou Art Group, em Atlanta, Geórgia, EUA. Seus planos para 2010 incluem a volta à produção de peças menores, trabalhadas em bronze, em uma série alinhavada por um mesmo tema. “Todas elas procuram retratar, de uma forma muito contemporânea, nossas viagens internas e externas”, adianta a escultora.
www.madjamesquita.com
madjamesquita@terra.com.br


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