O casarão colonial construído no século XVIII ainda guarda suas características originais. No interior do prédio podem-se admirar a beleza e a solidez do piso em pedra e dos detalhes em madeira jacarandá

O sino localizado em uma área de jardins próxima à casa foi um presente da família real para os primeiros proprietários da Fazenda Samambaia. Com ele eram anunciadas as missas e as refeições para os viajantes que faziam dali um ponto para a troca dos animais

A fonte onde os escravos se banhavam será o cenário para as oficinas de jongo dirigidas a jovens das comunidades locais que o ISCA pretende implantar ainda em 2010



Os jardins projetados por Roberto Burle Marx na década de 40 estão passando por um projeto de revitalização para o resgate de suas características originais

A interação com animais domésticos e as visitas ao borboletário fazem parte da programação dos jovens que recebem orientações sobre as boas práticas ambientais no ISCA





O restaurante Taverna do Cônego, que ocupa um espaço antes destinado à estrebaria, é uma das opções de lazer da Fazenda Samambaia, que aceita reservas para comemorações de pequenos grupos

O altar da capela, construída na varanda superior da casa, foi todo entalhado em madeira pelo mestre Valentim, considerado um dos maiores artistas sacros do Brasil colonial. Naquele período, os óbitos e nascimentos de moradores da região de Petrópolis eram registrados ali



Fotos: Henrique Magro

Especial

Fazenda Samambaia

Um cenário histórico onde se pensa o futuro

     História, cultura, educação, inclusão social, meio ambiente, lazer e gastronomia; tudo em um só pacote. Essa é a proposta da Fazenda Samambaia, situada na localidade de mesmo nome, e que, recentemente, com a implantação do ISCA – Instituto Samambaia de Ciência Ambiental, passou a fazer parte do roteiro ecológico da região.
     Anterior à fundação de Petrópolis e tombada pelo IPHAN (Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1951, a fazenda, com bela sede colonial datada do século XVIII, localiza-se no Caminho do Ouro, percurso percorrido por viajantes na ligação entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ao longo dos anos, suas terras, parte da sesmaria concedida ao Capitão Francisco Muniz Albuquerque, em 1741, foram sofrendo divisões até que em 1780 a porção onde se localiza a casa grande que ostenta a Capela de Santo Antônio, primeira Matriz da cidade - passou ao Cônego Luis Gonçalves Dias Correia.
     Em 1843, o religioso foi nomeado, por D. Pedro I, Cônego Honorário Imperial da Capela. Entre as relíquias históricas que sobrevivem na Fazenda Samambaia, a capela, em estilo barroco e oficialmente reconhecida pelo Vaticano como local de oração, foi construída na varanda superior da casa, com altar entalhado em madeira pelo mestre Valentim da Fonseca, um dos principais artistas do período colonial, filho de um fidalgo português com uma africana.
     É nesse cenário rico em episódios, personagens e peças – ainda hoje se conservam ali um sino de ferro com o brasão imperial usado para anunciar as missas e refeições, um pelourinho onde se açoitavam escravos e uma fonte onde os negros cativos se banhavam - que atualmente crianças e jovens realizam visitas guiadas com vistas à educação ambiental. Além da importância histórica, a fazenda, inserida em um oásis verde, é dotada de grande variedade de espécimes da flora e da fauna e desenvolve projetos de caráter ambiental, cultural e social.
RESPONSABILIDADE AMBIENTAL
     Os programas, orientados por uma equipe multidisciplinar formada por pedagogos, biólogos e engenheiros agrônomos, são dirigidos a escolas das redes pública e particular e visam à formação da consciência ambiental. Através da vivência de questões como o reflorestamento, despoluição de rios, redução da geração de resíduos e da poluição atmosférica e conservação da biodiversidade, os estudantes aprendem e assimilam ações que podem fazer a diferença no futuro do planeta.
     A interação com animais domésticos – pôneis, coelhos, avestruzes, gansos, patos, galinhas, faisões, pavões e outros -, assim como a observação de insetos no borboletário e do cultivo de alimentos na horta orgânica também estão no programa. Para os menores, são reservadas ainda atividades lúdicas, como brincadeiras de roda realizadas nos jardins projetados pelo paisagista Roberto Burle Marx na década de 40, que passam agora por um plano de revitalização, e um parquinho montado no pátio interno da propriedade.
     Alunos da rede pública de ensino participam gratuitamente do projeto e, eventualmente, se beneficiam também de ações desenvolvidas em parceria com outras instituições. Em dezembro de 2009, o Departamento de Ação Social da Editora Paulos doou kits com livros infantis e juvenis – entre eles clássicos da literatura brasileira como Casa de Pensão, de Aluizio Azevedo, e Dom Casmurro, de Machado de Assis – para a distribuição entre esses visitantes do instituto.
CULTURA
     “Fizemos uma parceria com a Secretaria de Educação e a editora para que aproximadamente 80 mil kits com livros fossem entregues aos alunos das escolas municipais. Os primeiros exemplares foram distribuídos aqui mesmo em uma grande festa - com mágicos, palhaços e outras atrações – para cerca de mil alunos da rede municipal de Petrópolis; o restante foi entregue à Secretaria para que sejam encaminhados às escolas”, conta Sônia Meira, diretora e coordenadora de eventos do instituto, que realiza esse tipo de ação com regularidade.
     Outro evento de cunho cultural realizado ali em 2009, e que pode entrar para o calendário fixo do instituto, foi uma comemoração especial pelo Dia da Consciência Negra, com a apresentação do grupo folclórico Jongo Banto, especializado no jongo. A dança de roda, formada por homens e mulheres, é embalada pelo ritmo que veio para o Brasil da região africana do Congo-Angola trazido pelos negros de origem banto que trabalhavam nos cafezais, atividade originalmente desenvolvida na Fazenda Samambaia.
     A intenção, de acordo com Vanessa Ribeiro, bióloga e coordenadora de projetos do ISCA, é realizar oficinas de jongo para jovens das comunidades locais e promover, sempre no último domingo de cada mês, apresentações no pátio onde se localiza a fonte utilizada pelos escravos “Era ali que eles dançavam em seus momentos de descanso e o que pretendemos é resgatar esse aspecto importante da cultura negra”, diz.
INCLUSÃO SOCIAL Promover e apoiar iniciativas que beneficiam as comunidades locais e que, ao mesmo tempo, contribuem para a sustentabilidade é outra característica do instituto. O Eco Ponto, uma oficina destinada à triagem de materiais reutilizáveis, é mantido pela instituição, com o trabalho desenvolvido por membros da Cooperativa D’Esperança uma das primeiras formadas na cidade.
     “A seleção e a comercialização dos resíduos sólidos são feitas por membros da cooperativa, em sua maioria mulheres, que hoje conseguem uma produção de cerca de 300 toneladas desses materiais. O Instituto participa através da disponibilização do espaço e com ações como a realização de palestras sobre temas ligados à saúde”, explica a bióloga.
     Na Casa do Artesão, artistas e produtores locais expõem e comercializam alimentos orgânicos, arranjos florais e uma grande variedade de objetos feitos com bambu, papel, tecidos e outros materiais. A loja, que tem como um dos objetivos contribuir para a qualificação e o aperfeiçoamento do artesanato local, fica em frente ao portão que dá acesso ao instituto e funciona de terça a domingo.
EDUCAÇÃO E LAZER Além dos projetos em andamento, a intenção para um futuro próximo é estabelecer convênios com universidades para abrigar centros de pesquisa na área ambiental. “Estamos catalogando toda a vegetação presente aqui e firmando essas novas parcerias para que o instituto possa, a partir de 2010, funcionar como um campus, inclusive com alojamentos, para a iniciação científica”, adianta Vanessa.
     Embora tenha sido planejado para funcionar como um centro de estudos das ciências ambientais, o ISCA também oferece atividades de lazer e está preparado para receber grupos desvinculados de outras instituições às sextas, sábados e domingos. O espaço está aberto à visitação por particulares, que podem ainda promover eventos de pequeno porte no restaurante Taverna do Cônego ou no bar localizado nas proximidades do borboletário. Nessas ocasiões, os visitantes podem solicitar guias para mostrar o lugar e alugar pôneis para as crianças.
     O restaurante oferece as opções de buffet e serviço a la carte e da cozinha saem especialidades como carne de porco e frango, torresmo, feijão, couve, quiabo, farofa e outros quitutes com gostinho de fazenda. A decoração segue o mesmo estilo, com grandes mesas e bancos de madeira instalados no local onde originalmente eram instalados os cavalos que serviam de transporte aos tropeiros em suas viagens pelo Caminho do Ouro.
Fazenda Samambaia / ISCA – Instituto Samambaia de Ciência Ambiental
Estrada da Samambaia, 138 - Samambaia – Petrópolis/RJ (24) 2246-2248 / (24) 2242-3478
www.isca.org.br / info@isca.org.br


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