Nos combates com o florete, especialidade do mestre d’armas Guilherme Giffoni, os pontos são validados por uma convenção específica que dá prioridade ao atleta que toma a iniciativa da ofensiva

Na esgrima, a diferença nos combates está nas armas utilizadas, na superfície válida do corpo do adversário e na maneira de dar os toques

O esporte exige 12 movimentos básicos de perna, além de uma série de diferentes combinações entre eles

Guilherme Giffoni – na foto com sua mulher, Fernanda, que também pratica a esgrima – é professor de Educação Física da rede pública de ensino do Rio de Janeiro, campeão carioca de florete nos anos de 2001, 2005, 2006 e 2008, e pretende levar o esporte para os colégios

A postura correta e o perfeito posicionamento de mãos, braços, pernas e pés são fundamentais para que os praticantes possam conduzir o animal de forma harmoniosa

Adriana Magro, pratica o dressage sob a orientação de Montarroyos há cerca de dois meses e já absorveu os fundamentos básicos do esporte

O instrutor João Montarroyos, que ministra aulas em Secretário, adota as mesmas técnicas praticadas na Escola de Viena, a maior referência mundial da equitação clássica



Para que possa transmitir as orientações ao cavalo de forma adequada, os iniciantes precisam praticar uma série de exercícios para desenvolver o equilíbrio e a coordenação motora


Fotos: Henrique Magro

Mexa-se

Para viver os romances de “capa e espada”



     Personagens da literatura clássica mundial como Zorro, criado pelo escritor canadense Johnston MacCulley, e os mosqueteiros Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan, do francês Alexandre Dumas, sempre povoaram os universos infantil e juvenil. Quem nunca improvisou uma capa com um lençol, empunhou uma espada de brinquedo e fez os móveis de casa de cavalos para empreender combates imaginários?
     Esses heróis vêm fascinando meninos e meninas há muitas gerações. Além da boa dose de coragem e irreverência que demonstram no trato com os bandidos, a destreza com as armas e a perfeita integração com suas montarias é o que faz desses mocinhos um objeto de admiração deles e um motivo de suspiros para elas.
     A boa nova é que as artes da esgrima e do adestramento (ou equitação clássica), dois esportes da mais alta linhagem e indispensáveis a qualquer personagem de “capa e espada” que se preze, podem ser praticadas aqui em Petrópolis com a instrução de mestres experientes. Os treinamentos são indicados para indivíduos de qualquer idade, sejam os fãs deste gênero de romance ou aqueles que buscam o condicionamento físico e o desenvolvimento de atributos como o autocontrole e equilíbrio, entre outros.

En Garde!
     O professor de Educação Física e mestre d’armas Carlos Guilherme Giffoni – que está iniciando a formação de uma turma em Itaipava – acredita que, além de benéfico para a saúde física, mental e emocional, o potencial educacional do esporte é elevado. “Por ser uma atividade que envolve o imaginário das crianças, a esgrima deve ter sua prática bem ajustada e em sintonia com as tendências pedagógicas da Educação Física, podendo causar influências positivas de comportamento nos alunos”, afirma Giffoni, que pretende levar a esgrima também para os colégios.
     A iniciação na arte de esgrimir se dá através da aprendizagem da empunhadura da arma, dos deslocamentos e do toque. Os movimentos básicos de perna, a partir da posição de guarda, são 12 - mais as combinações entre eles - e são capazes de desenvolver nos praticantes potência, destreza e elasticidade muscular, além das potencialidades sensoriais - visão, audição, tato, e senso de equilíbrio. O professor lista ainda ganhos ligados à combatividade, temperamento, instinto, fantasia, intuição, talento, malícia do combate, tenacidade, paciência, resistência, autocontrole, estabilidade emotiva, reflexo, lealdade, educação, espírito cavalheiresco e fair-play.
     De modo geral, são necessários 18 meses para que o esgrimista atinja um bom nível de desempenho no manejo das armas utilizadas no esporte. Mas tudo depende da aplicação do aluno e do tempo que cada um necessita para incorporar as técnicas. Os objetivos individuais é que, de acordo com Giffoni, devem definir a periodicidade dos treinos. “Para a prática recreativa, duas a três sessões semanais são suficientes para que os resultados sejam satisfatórios”, avalia.
     As regras do esporte são comuns a homens e mulheres e entre amadores existe um equilíbrio entre os dois sexos no número de praticantes. “Entre os atletas que participam de competições, há uma predominância do sexo masculino”, diz o mestre d’armas, que atribui o fenômeno ao espírito de competitividade mais presente neles. “Mas a mulher, quando é competitiva... sai de baixo!”, diverte-se.
     Junto com o atletismo, o ciclismo e a natação, a esgrima faz parte dos jogos desde a primeira edição das Olimpíadas da era moderna, realizada em 1896. Em 1936, nos Jogos Olímpicos de Berlim, surgiu o primeiro aparelho elétrico de esgrima para a espada, uma das poucas evoluções que a esgrima sofreu, além daquela que a elevou de meio de defesa e ataque, utilizado desde os primórdios da humanidade, a um esporte praticado, a partir do século XVIII, através do uso racional das armas brancas.
     O material necessário para a iniciação inclui um uniforme, uma luva e uma máscara; a arma é fornecida por Giffoni. “Posteriormente, quando estiver apto para os combates elétricos, o aluno precisará de uma arma elétrica, um fio de corpo e um colete metálico de florete. Todos esses equipamentos podem ser obtidos aqui no Brasil em lojas especializadas, inclusive pela Internet”, diz o instrutor.
Aulas de esgrima - Guilherme Giffoni:
(21) 2264.5558 / 9369.4619
guilhermegiffoni@yahoo.com.br


A arte de equitar
     Assim como a esgrima, o adestramento também exige um alto nível de concentração e coordenação motora dos praticantes. O objetivo do esporte – que com o salto e o CCE (Concurso Completo de Equitação) forma as três modalidades olímpicas do hipismo - é o desenvolvimento harmonioso das habilidades do cavalo. Em outras palavras, essa arte exige que o cavaleiro seja capaz de equitar adequadamente sua montaria, através da suavidade e leveza que imprime às ajudas (denominação técnica dos comandos transmitidos ao cavalo), de forma a oferecer conforto ao animal e sem que essas orientações sejam perceptíveis.
     É fundamental ainda no adestramento, ou dressage, que deriva do francês dresser (treinar), que o cavalo seja treinado a executar todos os seus movimentos naturais para se tornar um animal flexível, calmo e atento ao cavaleiro. Para tanto, é necessário que o praticante domine técnicas específicas - que incluem o correto posicionamento de coluna, braços, mãos, pernas e pés -, além de apresentar um bom equilíbrio.
     São esses os fundamentos que João Montarroyos, que ministra aulas de equitação clássica em Secretário, transmite aos alunos que estão se iniciando no esporte. Para instruir os aprendizes, ele segue rigorosamente as práticas adotadas na Escola Espanhola de Equitação - localizada na cidade de Viena, Áustria –, referência mundial na equitação clássica, onde são difundidos os ensinamentos deixados pelo grande mestre francês François Robichon de la Guérinière.
     A interação entre os movimentos do atleta e o animal deve ser nada menos do que perfeita e para que se chegue a este entrosamento ideal é preciso muito treino. Só para que o cavaleiro consiga, de forma natural, acompanhar o movimento da coluna vertebral do cavalo – uma condição indispensável à boa equitação - são necessárias, no mínimo, dez aulas.
     “Para quem está iniciando, o ideal é a realização de duas aulas por semana”, indica o instrutor, que não estabelece limites de tempo para cada aula. “O importante é que, nesta fase inicial, o praticante aprenda a montar da forma correta, respeitando a movimentação natural do dorso do cavalo; e cada indivíduo tem seu tempo próprio para que isso aconteça”, acrescenta.
     Uma peculiaridade do esporte é que – assim como nas provas de salto e CCE – homens e mulheres competem juntos, com as mesmas possibilidades de êxito; a divisão das categorias é feita pela faixa etária dos atletas. As provas de adestramento são chamadas de reprises e consistem na demonstração das diferentes andaduras exigidas do cavalo. Cada uma delas – passo, trote e galope - divide-se em diferentes categorias que devem ser demonstradas pelo conjunto (cavalo e cavaleiro) na pista.
     Outra característica marcante da equitação clássica é sua importância na preparação global dos conjuntos para o treinamento em todos os diferentes esportes eqüestres. “O adestramento é a base indispensável. É ele que propicia a cavalos e cavaleiros a possibilidade de um bom desempenho em provas de salto ou de qualquer outra modalidade”, diz Montarroyos. Para as aulas que ministra em Secretário, o instrutor fornece o cavalo e os equipamentos, mas os alunos devem usar calças e botas específicas para montaria.
     O hipismo fez parte do programa da primeira Olimpíada da Era Moderna, em 1896, em Atenas, apenas como esporte de demonstração. Foi em Estocolmo, na Suécia, nos Jogos Olímpicos de 1912, que foi definitivamente incorporado ao rol dos esportes olímpicos.
Aulas de equitação clássica - João Montarroyos:
(21) 8736-2121

Agradecimentos:
Selaria Flora – Pedro do Rio


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