Julia também aplica o scrap décor para produzir peças únicas como caixas e jogos americanos

O ateliê onde a scrapper ministra aulas presenciais para pequenas turmas abriga todo o tipo de ferramentas e materiais necessários à atividade, inclusive kits produzidos por ela

Os scrapbooks podem ser confeccionados nos mais diferentes formatos, mas devem seguir uma única regra: equilíbrio na utilização de cores e elementos

Os mini-álbuns - produzidos em quaisquer materiais, como MDF ou tecido - são ideais para levar na bolsa, mantendo as lembranças sempre à mão

Julia produz os papéis decorados que utiliza para forrar as páginas dos álbuns e lança mão de macetes como a aplicação do mesmo tecido que aparece na fotopara compor o lay-out



O texto – que pode ser inspirado em músicas, poesias ou qualquer outra fonte - tem papel fundamental nos scrapbooks


Fotos: Henrique Magro

Lar, doce lar

Lembranças customizadas e eternizadas



     “Contar uma história” é, de acordo com a artista gráfica e scrapper Júlia Cotrim, a principal função dos scrapbooks – álbuns de fotos decorados de forma personalizada; mas, “encher os olhos” de quem os folheia pode ser também uma fiel descrição destes objetos. Nos mais diferentes formatos, e com a utilização de quaisquer técnicas ou materiais que se possa imaginar para sua confecção, é possível montar álbuns que são pequenas obras de arte. Mesmo para aqueles sem qualquer habilidade manual, a missão não é impossível.
     Hoje existe uma verdadeira indústria voltada para a técnica do scrapbooking que oferece todos os apetrechos necessários: elementos decorativos, papéis apropriados, ferramentas para furação de páginas e recorte de figuras com precisão, carimbos, colas especiais e muitos outros. Isso sem falar nas revistas, sites e blogs especializados, que ensinam passo a passo como fazer os álbuns e servem ainda como espaços para o intercâmbio de informações úteis para os que se dedicam à atividade.
     No ateliê Julia Cotrim Scrapbooking&Design, localizado em Itaipava, a scrapper não só aplica a técnica artesanal para confeccionar álbuns próprios - e para terceiros, sob encomenda - como ainda oferece oficinas e cursos e desenvolve kits de materiais, que comercializa pela Internet, para a montagem dos álbuns. “O diferencial desses álbuns é que - além deles realmente contarem as histórias das pessoas, lugares ou eventos que estão ali retratados, através de títulos e textos nas páginas (journaling, no jargão) e de outros elementos - eles preservam a integridade das fotos. Ao contrário dos materiais utilizados em álbuns tradicionais, cujos níveis de acidez causam o perecimento das fotos, só utilizamos aqueles com PH neutro”, explica.
     Nas aulas que ministra, de forma presencial ou virtual, Julia faz questão de incentivar a criatividade dos participantes, apresentando as diferentes técnicas, ferramentas e materiais, sem interferir diretamente nas composições individuais. Segundo ela, não há certo ou errado e sim trabalhos que apresentam maior ou menor harmonia. “O fundamental é que as páginas do álbum sejam harmoniosas, principalmente no que diz respeito ao equilíbrio das cores e dos elementos. O mais importante no lay-out (termo usado para designar cada página decorada do álbum) é a foto; se ela não for percebida ao primeiro olhar é porque houve excessos na composição”, ensina.
     Como peça principal, é a própria foto que fornece subsídios para a escolha dos outros elementos do conjunto. Para isso, valem macetes de todo o tipo. Um bom exemplo - e que Júlia aplica costumeiramente – é o uso nos lay-outs de tecidos iguais ou semelhantes aos que aparecem nas roupas dos fotografados. Mas, como o céu é o limite para a utilização de produtos nos álbuns, a criatividade e o equilíbrio de formas e cores é que contam quando se trata de ter as memórias eternizadas de forma original e esteticamente agradável.
     O journaling é outra parte fundamental do scrapbook; é ele que o torna autoexplicativo e o diferencia dos álbuns fotográficos tradicionais. E os textos não são meramente descritivos. Títulos inspirados, pensamentos soltos, trechos de poesias ou letras de músicas – vale tudo para imprimir nas páginas os sentimentos e lembranças evocados pelas fotos e contar suas histórias.
     O scrapbooking começou com a Rainha Vitória da Inglaterra, que, já no século XIX, tinha o hábito de compor fotos, recortes e textos em seus álbuns. Sua propagação pelo mundo começou a partir dos EUA, mais precisamente pelas comunidades mórmons americanas, que o utilizavam como forma de preservação da memória de suas tradições. Além de ser uma forma bacana de organizar fotografias, hoje, com uma indústria que não para de crescer e de lançar novidades, é o modo mais seguro de mantê-las íntegras e guardar para sempre momentos inesquecíveis.

Julia Cotrim Scrapbooking & Design
(24) 2237-7017 / 8811-7870
http://juliacotrimscrapbooking.com.br


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