De acordo com a tradição do povo judeu, o Pão Challah, ou trança judaica, é preparado de sexta para sábado para a comemoração do Sabath - dia de descanso semanal que equivale ao domingo dos católicos

O pão integral de trigo com linhaça, primeiro produzido por Ricardo e que acabou conhecido como o Pão da Salvação, não leva açúcar e é preparado sem sova,com período de 18 horas de descanso da massa

Patrícia e Ricardo: mão na massa, literalmente, para driblar as dificuldades financeiras

Os famosos Cinnamon Rolls (Rolinhos de Canela) são supermacios e podem ser consumidos puros, mas o padeiro recomenda acompanhamentos como fondant e / ou sorvetes e os classifica como um dos mais requisitados por sua clientela



Os Mini Challahs - pães judaicos com a massa semi-doce do Challah com gergelim - são macios, ricos em açúcar e ovos e muito apreciados no café da manhã

Muito macio, preparado com leite e uma mistura de açúcar e canela, o Pão Espiral de Canela deve ser levemente aquecido para que os ingredientes derretam




Fotos: Henrique Magro

Negócios nas alturas

Divino segredo

Depois da revelação, um negócio de sucesso

     Foi a necessidade de garantir o direito sagrado de consumir o “pão nosso de cada dia” o passo inicial para a montagem, em 2008, de uma pequena fábrica de pães artesanais em Petrópolis e que, apenas três anos depois, já se estabelece como uma marca respeitada no mercado de Slow Food. A panificadora Divino Segredo, dos empreendedores Ricardo Neves Gonzales e Patrícia Carvalho, nasceu de uma situação difícil na vida financeira do casal como forma de prover a alimentação básica da família, e hoje inclui mais de 200 itens em sua relação de produtos entre pães (cerca 140 variedades), bolos, biscoitos e sanduíches.
     “Comecei a pesquisar muito na Internet para fazer meu próprio pão. Encontrei uma receita revolucionária que o padeiro Jim Lahey estava ensinando numa padaria nos subúrbios de New York (EUA).  Era um pão integral de linhaça que não necessitava de sova e descansava por 18 longas horas. Fiz a receita e o pão foi uma benção divina”, conta.
     Um quilo de farinha foi o suficiente para que ele preparasse quatro formas de pão e vis­lumbrasse a possibilidade de empreender um pequeno negócio. “Iniciei a produção daquele pão de linhaça, depois passei a variar os grãos que adicionava à massa - aveia, girassol, quinua real e outros - e comecei a vender para amigos, vizinhos, parentes. Deu tão certo que tomei gosto pela coisa, fui estudando, fazendo novos pães com receitas que testava, aproveitava ou descartava. Fui aumentando a clientela, apurando qualidade, estudando e praticando cada vez mais”, lembra.
     Com a ajuda da companheira Patrícia, que descreve como uma “confeiteira de mão cheia”, ele desenvolveu ainda as embalagens e etiquetas para os produtos, fazendo com que a empresa, constituída formalmente em 2010, sobrevivesse e prosperasse de forma totalmente artesanal e auto-suficiente. Hoje a panificadora aplica a filosofia do movimento Slow Food (resposta aos efeitos padronizantes do fastfood, com incentivo às tradições culinárias regionais e atenção ao sabor e à procedência dos alimentos ou matérias primas e em como essa escolha alimentar pode afetar o mundo; conjugando o prazer e a alimentação com cons­ciência e responsabilidade) para fabricar seus produtos.
     Pães tão exóticos quanto os Challah (ou Trança Judaica), Barbari Iraniano, Naan Indiano e Polar, típico dos países nórdicos, além de muitos outros, de diferentes origens, são confeccionados pela panificadora Divino Segredo; assim como aqueles mais comuns por aqui, como os italianos, franceses e o brasileiríssimo pão de queijo, por exemplo. A comercialização também segue normas distintas das tradicionais: “como são artesanais e não levam produtos químicos, os produtos não sobrevivem muito tempo nas prateleiras; então, prefiro fazer a venda direta ao consumidor final, através de pedidos por telefone ou e-mail”, explica o padeiro.
     O sistema é simples: clientes regulares, de Petrópolis e do Rio, recebem por e-mail uma lista com cerca de 12 pães e três bolos que sairão do forno no dia seguinte e fazem seus pedidos. Mas Ricardo aceita também encomendas de quaisquer dos produtos listados no catálogo, com alguns dias de antecedência. “Estou montando um site para facilitar as solicitações e também para oferecer aulas virtuais. Com a Copa e as Olimpíadas, a demanda por estes produtos de padrão internacional vai aumentar e gerar grandes oportunidades de negócios para todos”, sugere.
     Concomitantemente ao trabalho na panificadora, montada em sua própria residência, e às consultorias que presta - além de ser responsável pela produção de pães servidos no Bomtempo Resort, em Itaipava e ministrar aulas no curso de Gastronomia da Faculdade Arthur Sá Earp Neto -, Ricardo participa ativamente, com suas oficinas, de projetos como o Maniva, que visa à valorização da mandioca como alimento base do brasileiro; e o CRMM (Centro de Referência das Mulheres da Maré), de apoio a mulheres que sofrem violência doméstica nesta comunidade do Rio de Janeiro. Trabalhos que objetivam o desenvolvimento social, sempre através da recuperação de conceitos mais simples e naturais da alimentação, sem abrir mão do respeito aos que produzem, ao planeta e ao prazer da boa gastronomia. Deve ter a mão de Deus nessa história mesmo.

Divino Segredo:
(24) 2237-7297 / 9833-9278
twitter.com/divinosegredo divinosegredo@gmail.com

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