É um pássaro? Um avião? Não, é o Superman, o mais popular super-herói da cultura pop americana, retratado com as características físicas do ator Cristopher Reeve, como uma homenagem especial ao artista morto em 2004, a pedido do artista plástico responsável pelas esculturas do museu

foto: Daniel Pönks

A belíssima casa, construida no início dos anos 40, inteiramente reformada para abrigar o mais recente tesouro de Petrópolis


A história nacional, e de Petrópolis, em um cenário que reúne a Princesa Isabel e D. Pedro II. Todos os elementos do ambiente foram escolhidos para recriar fielmente a época do império

Santos Dumont, o “pequeno grande homem” que manteve residência em Petrópolis e até hoje é reverenciado pelos moradores da cidade, é quem recebe os visitantes na entrada do museu

Rowan Atkinson, ator que encarna o hilário personagem Mr. Bean e representa o humor britânico no cinema e na TV, é outra figura presente no museu

foto: Daniel Pönks

Batman, o defensor de Gotham City contra ameaças como o famigerado Pinguim, agora também “em pessoa” em Petrópolis. As esculturas dos personagens foram criadas a partir de fotos dos atores Michael Keaton e Danny DeVitto

foto: Daniel Pönks

A ciência é representada pela figura de Albert Einstein, físico alemão ganhador do Prêmio Nobel de 1921 que se tornou sinônimo de gênio e cuja face é uma das mais conhecidas em todo o mundo


A expressão um tanto quanto lunática do Dr. Emmet “Doc” Brown, do filme De volta para o futuro (1985), é fielmente retratada na estátua. O cenário – que apresenta riqueza de detalhes, como os relógios e as malas que remetem às viagens no tempo – contribuem para que os visitantes façam suas “viagens” particulares


O pirata Jack Sparrow, personagem de Johnny Depp, e seu figurino exuberante enchem os olhos dos fãs do filme Piratas do Caribe

Um dueto com Gilberto Gil? O segundo microfone foi estrategicamente instalado para que os visitantes possam ser fotografados ao lado do ídolo da MPB. O violão foi doado pelo músico Dadi Carvalho, que acompanhou Gil em muitos de seus shows

Um dueto com Gilberto Gil? O segundo microfone foi estrategicamente instalado para que os visitantes possam ser fotografados ao lado do ídolo da MPB. O violão foi doado pelo músico Dadi Carvalho, que acompanhou Gil em muitos de seus shows


O banheiro da casa dos anos 40 que abriga a reprodução do cenário de Psicose foi restaurado de acordo com suas características originais que guarda muitas semelhanças com o banheiro do filme, produzido por Sir Alfred Hitchcock (na foto), grande mestre do cinema de suspense, falecido em 1980

Foto: Henrique Magro


Especial

Museu de cera de Petrópolis

Cidade confirma sua vocação natural com a inauguração de novo espaço que privilegia a história e a cultura

     Que tal uma visita ao gabinete presidencial do Palácio do Planalto, a uma nau pirata do século XVII ou ao set de filmagem do clássico do cinema Psicose (1960)? Um passeio pelos universos da história e da ficção, através de esculturas em tamanho natural de alguns de seus personagens marcantes, é o que propõe o recém-inaugurado Museu de Cera de Petrópolis, uma versão ainda tímida no que concerne ao número de peças, mas muito bem produzida, do famoso Madame Tussauds, com sede em Londres e filiais em mais oito cidades ao redor do mundo.
     O museu foi aberto ao público no início de setembro de 2011, com 14 figuras representativas de diferentes áreas. Inseridas em cenários que reproduzem características de suas épocas, de ambientes em que se notabilizaram ou dos filmes que simbolizam, a impressão causada nos visitantes de que estão diante de pessoas reais é ainda mais forte.
     Com um pouco de imaginação, é possível se colocar em situações tão diferentes quanto instigantes. Em debates políticos com o ex-pre­sidente Lula e sua sucessora Dilma Rousseff, vivendo aventuras sobrenaturais ao lado do comandante Jack Sparrow (interpretado por Johnny Depp no filme Piratas do Caribe), conversando com o mestre do suspense Alfred Hitchcock no banheiro em que a personagem de seu filme mais famoso é assassinada (é impossível, diante deste cenário, não lembrar a estridente trilha sonora que embalava a cena) ou mesmo fazendo um dueto com o cantor, compositor e ex-ministro da cultura Gilberto Gil.
     Logo na entrada, os visitantes são recepcionados por Alberto Santos Dumont; e muitos se surpreenderão com a estatura do Pai da Aviação, que media 1,50 m. “Para mim, ele era um gigante, mas, na fase das pesquisas, descobrimos esse detalhe curioso e não podíamos representa-lo de outro modo”, conta Bruno Villas Boas, empreendedor da área de produção cultural que, junto com Renato Bomtempo, que atua no mesmo segmento, fundou o museu.
     A escolha do personagem para o início do circuito - percorrido em 11 cômodos, de uma casa de dois andares, construída na década de 40 - não poderia, segundo ele, ser outra: “Santos Dumont tinha de ser o anfitrião, sua casa fica localizada aqui ao lado e ele sempre foi uma figura muito querida na cidade”, defende. Outras personalidades históricas muito representativas para Petrópolis, D. Pedro II e Princesa Isabel, também não poderiam ficar de fora. Mas a escolha das figuras foi feita de forma a contemplar todos os públicos. “Pensamos em atender a todas as faixas etárias e como temos uma gama bem eclética de personagens - reais e ficcionais, de diferentes épocas da história do Brasil e do universo da cultura mundial - fizemos questão de pesquisar muito para criar ambientes e figurinos que marcassem bem os diferentes contextos em que estão inseridos. O que não acontece nos outros museus de cera espalhados pelo mundo, em que vários personagens com características muito distintas em relação a diversos aspectos dividem uma mesma sala”, observa o fundador e curador da instituição.
     Os bonecos - produzidos com riqueza de detalhes, como expressões faciais fiéis reproduzidas a partir de fotos, glóbulos oculares feitos com próteses para humanos e implante de cabelos verdadeiros, com texturas e cores iguais às dos personagens retratados - foram encomendados a Henry Alvarez, artista plástico norte-americano que domina com maestria a técnica da escultura em cera, trabalho que vem realizando há vários anos para outros museus e também para produções cinematográficas. Mas nem todos os elementos são importados, os figurinos das figuras nacionais foram todos produzidos no Brasil, por uma confecção petropolitana, o Ateliê 55; e peças de mobiliário, garimpadas em antiquários locais .
     Para se chegar ao resultado final foram necessários cerca de três anos de trabalho, incluindo as etapas de concepção do projeto, pesquisas e confecção de esculturas, cenários, figurinos e aquisição de mobiliário, inclusive alguns originais de época, e outras peças. “O processo todo é muito lento; então, inauguramos com 14 figuras, mas o projeto prevê, em um prazo de dois anos, a inclusão de mais 26. Acreditamos que 40 é um número ideal para nossas possibilidades aqui”, avalia Villas Boas.
     A escolha dos novos personagens já foi iniciada através de estudos, e também pesquisas realizadas informalmente pelos curadores, que, a partir das opiniões populares, consideram incluir personagens como Roberto Carlos, Chico Xavier, Pelé, Ayrton Senna e Papa João Paulo II. Outra ideia é aumentar a ala dos presidentes, com a inclusão de esculturas de Tancredo Neves, Fernando Henrique Cardoso e outros. Quanto à opção por Petrópolis para a realização do empreendimento, de acordo com o curador, a motivação foi a sua tradição como cidade brasileira com o maior fluxo de turistas para museus. Uma vocação natural que aplaudimos!

Museu de Cera de Petrópolis
Rua Barão do Amazonas, 35
Centro Histórico de Petrópolis
Tel.: (24) 2249-1595
Visitação: de terça a domingo, das 10h às 17h

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