No mapa, de autoria de Brenno Bonvini, ideia para ordenamento do trânsito de Itaipava, uma medida sugerida pelo arquiteto Andrés Cebrian e pelo grupo Amigos de Itaipava, prevê a implantação de novas rotatórias e muretas divisórias entre as pistas da União e Indústria em um trecho de cerca de 5 Km



O ponto (identificado no mapa pelo número 1) é, de acordo com Cebrian, uma ótima travessia para pedestres, porém gera caos no trânsito. Para o arquiteto, este é o ponto mais crítico - um encontro de quatro destinos, que provoca enorme engarrafamento em Bonsucesso, prejudicando também os que se dirigem a Itaipava. A solução proposta é a manutenção da passagem para os pedestres, com a inclusão de muretas divisórias entre as pistas para impedir o livre acesso dos carros pelas duas pistas.

Em frente à parada de ônibus, deveria possuir faixa de pedestres para quem se dirige ao Hortomercado

As soluções propostas pelos Amigos de Itaipava para as faixas de travessia de pedestres, são as que se encontram em frente aos Shoppings Vilarejo e Estação Itaipava (número 2 no mapa)

A grande rotatória situada nas extremidades do Shopping Estação Itaipava (entre os números 2 e 3 no mapa) é um exemplo de como este recurso pode aliviar o trânsito da União e Indústria



Outra ideia para construção de rotatória, entre o Colégio Alaor e o Shopping Estação (esta não consta no mapa da abertura)



O engarrafamento nos horários de entrada e saída dos alunos do Colégio Alaor é provocado por dois quebra-molas e pela faixa alta sem conexão com as calçadas. A solução que os Amigos de Itaipava propõem é a construção de muretas divisórias que obriguem que os retornos sejam feitos na rotatória do Shopping Estação e na prevista pelo mapa da abertura (indicada no número 4 no mapa) entre o colégio e o supermercado

A pintura de faixas para os pedestres antes e depois da rotatória localizada em frente ao supermercado Bramil é a sugestão de Cebrian para que se diminua o perigo da travessia

Em frente ao Colégio Chapeuzinho Vermelho, a proposta é pela retirada dos quebra-molas e construção de faixa alta, idêntica às dos shoppings Estação e Vilarejo. Um exemplo do prejuízo à fluidez do trânsito pela falta das rotatórias e das muretas é o grande caminhão dirigindo-se à ponte de acesso à BR-040

Veículos virando perigosamente à esquerda na saída da ponte do Arranha-Céu, seriam impedidos de fazê-lo com a construção de um muro divisório (número 6 no mapa)



Os veículos saídos da ponte do Arranha-Céu em direção a Pedro do Rio, seriam obrigados a seguir até à rotatória que poderá ser construída neste local (número 7 no mapa)

Fotos: Henrique Magro


Capa

Loucos por Petrópolis



    Nem todo apaixonado é cego em relação a seu objeto do desejo. Muitos enxergam nele, além das qualidades, os pontos fracos que precisam ser trabalhados e transformados em algo positivo para que a relação de amor possa ser vivida em sua plenitude. Apaixonados que somos por Petrópolis, procuramos saber de outros que compartilham este sentimento o que precisa ser melhorado em Itaipava e demais distritos, que concentram grande número de moradores, sitiantes e turistas que chegam à cidade em busca de qualidade de vida e da imensa oferta de atrações nos setores hoteleiro, gastronômico e de comércio.
     Junto com a inquestionável beleza natural, foram estes os atributos responsáveis por fazer a fama do lugar como um dos recantos mais charmosos do Rio de Janeiro e, consequentemente, a atrair cada vez mais pessoas para desfrutar destes encantos. Como efeito, um aumento assustador da população local, registrado nos últimos 10 anos. Para identificar os principais problemas causados por este fenômeno, e também os projetos sugeridos como possíveis soluções, tivemos a colaboração de representantes de algumas das entidades mais atuantes, e também entusiastas, da região: Roberto Penna Chaves, presidente da NOVAMOSANTA; Andrés Cebrian, um dos fundadores do grupo Amigos de Itaipava; Bruno Wanderley, presidente do Petrópolis Convention & Visitors Bureau (PCVB); e Luiz Fernando Velloso, presidente da Abrasel Serrana.
     Uma das questões unânimes foi a di­ficuldade hoje encontrada por quem transita pela Estrada União e Indústria, no trecho que vai de Bonsucesso até a ponte do Arranha-Céu, pertencente ao distrito de Itaipava, que concentra boa parte das atrações turísticas, além de uma ampla gama de comércio e serviços. Distribuídos ao longo desses cerca de 5 Km estão condomínios residencia­is, supermercados, colégios, shoppings, postos de combustíveis e outros estabelecimentos que fazem dali uma espécie de centro nervoso da região. Isso sem falar na Estação de Transbordo, no Parque Municipal e no Hortomercado, outros grandes polos de concentração de moradores e visitantes.
     “À medida que os distritos recebem novos investimentos imobiliários e moradores, imediatamente aparecem os pro­blemas urbanos comuns aos grandes centros, como engarrafamentos diários em Itaipava, seja na hora do banco, na saída do colégio, na saída do trabalho. As vias não estão preparadas para receber o grande número de carros, ônibus e caminhões que passaram a circular por elas”, avalia Bruno Wanderley.
     Na visão da NOVAMOSANTA, que participa do Grupo de Trabalho de Trânsito instituído pelo Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), as soluções viá­rias e urbanísticas são imprescindíveis para compor os requisitos básicos para um projeto de atendimento ao turismo da região. “Mesmo não estando concluído o planejamento estratégico da re­gião, já se pode notar que os distritos de Petrópolis tem como vocação primária e prioritária, o atendimento aos veranistas, turistas e agricultores familiares. Nes­­se sentido é preciso estabelecer, entre outros, programas de melhoria dos acessos”, afirma Roberto Penna Chaves, presidente da entidade que iniciou co­mo uma associação de moradores e hoje é constituída como ONG. Planejamento e investimento é o que recomenda Luiz Fernando Velloso, presidente da unidade Serrana da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Res­taurantes).” Planejamento em infraestrutura, principalmente. Um exemplo do que tem dificultado e muito a vida do morador e do turista é a confusão no principal acesso para Itaipava, aquele encontro de pistas próximo ao posto de polícia, não é possível que não haja solução para aquele nó! Os distritos fazem sua parte, geram empregos e arrecadação!”, reivindica Velloso.
     Com uma visão ampla acerca dos problemas de tráfego da região, o arquiteto Andrés Cebrian, começou, em 2003, com o grupo Amigos de Itaipava (que reúne informalmente moradores e veranistas para tratar de questões locais), a pensar em soluções. A conclusão a que chegou e que, depois de uma série de atualizações no projeto, acaba de apresentar a CPTRANS (Companhia Petro­politana de Trânsito e Transportes), foi que para que se consigam melhorias imediatas - “o que não se pode tratar como uma solução definitiva”, em suas próprias palavras - é necessário um projeto de ordenamento do trânsito.
     De acordo com ele, a colocação de mais três rotatórias - além daquelas já instaladas (em Bonsucesso, na frente do Hortomercado e na frente do supermercado Bramil) - em pontos estratégicos (a primeira entre Bonsucesso e Nogueira, a segunda na frente do Supermercado Compre Bem e a terceira próxima à ponte do”arranha-céu”) e a construção de muretas divisórias entre as duas pistas seriam fundamentais para este ordenamento.
     “Há três formas de se lidar com o problema: a imediata, que promoveria o ordenamento proposto no projeto; aquela para ser aplicada em médio prazo, com a duplicação das pistas; e outra de implantação em longo prazo, com a construção de estacionamentos ao longo da BR-040 e pontes para a passagem transportes coletivos que teriam exclusividade na União e Indústria. Além dos coletivos, seria permitido o tráfego a caminhões para carga e descarga apenas no horário compreendido entre 0h e 04 h. Somente com esta última opção teríamos uma solução definitiva para o trânsito caótico neste trecho” defende o arquiteto.
     Entre suas sugestões para o ordenamento imediato estão ainda a substituição de todos os quebra-molas por faixas de travessia para pedestres - a exemplo da já existente em frente ao Shopping Vilarejo e que, de acordo com o arquiteto “funciona perfeitamente bem” - e a construção de calçadas para o tráfego seguro de pedestres. Embora a inclusão das calçadas não seja algo tão fácil e ágil, existem limitações de espaço e a obra implicaria a instalação de um sistema eficaz para o escoamento da água das chuvas, com meios-fios e bueiros, esta é outra necessidade premente, segundo Cebrian: “as calçadas são fundamentais para a amenização dos problemas de trânsito, uma vez que sem elas não existe a possibilidade de se caminhar pela estrada de forma segura, o que acaba desestimulando as pessoas de estacionar o carro e fazer pequenos e médios percursos a pé”.
     Além de melhorar sensivelmente o trânsito, algumas dessas providências, aliadas à implantação de ciclovia e plantio de árvores ao longo de trechos críticos da União e Indústria, que em 2011 completa 150 anos, podem certamente trazer melhorias para a qualidade de vida de todos que, como nós, são loucos por Petrópolis.

UNIÃO EM PROL DE BENFEITORIAS
     Além de melhorias no trânsito de Itaipava, as entidades consultadas pela equipe da revista propõem outras soluções e projetos para que o lugar possa oferecer cada vez mais qualidade de vida a moradores e turistas que visitam a Cidade Imperial. Confira os principais deles.

NOVAMOSANTA
     A ONG tem como plano de ação para os próximos dois anos, entre outros, projetos voltados para o Parque Fluvial do Piabanha, soluções habitacionais, soluções ambientais e de saneamento e áreas de risco e segurança ambiental.
     O Projeto do Parque Fluvial do Piabanha nasceu da concepção do Parque Orla Piabanha que buscava uma solução para a preservação do rio, mantendo suas margens com as matas ciliares protegidas, o leito do rio dragado, impedindo as ocupações irregulares e propiciando áreas de lazer e turismo para os distritos.
     As soluções habitacionais para a população de baixa renda prestadora de serviços nos distritos é uma necessidade e a Ong pretende contribuir com o poder público apresentando sugestões e avaliando o impacto das áreas escolhidas para os novos empreendimentos de forma a não conflitarem com a vocação dos distritos.
     A NOVAMOSANTA participa ainda do Comitê da Bacia Hidrográfica do Piabanha e do Paraíba do Sul, objetivando soluções para os problemas ambientais e de saneamento nessas bacias hidrográficas. Propôs aos Comitês a elaboração de um Sistema de Informações Geográficas para a bacia dos rios Piabanha, Preto e Paquequer, a ser elaborado pela Fundação José Bonifácio (UFRJ). “Esse sistema facilitará a elaboração de planos e projetos ambientais e de saneamento nessas áreas. As ocupações irregulares nas margens dos rios e encostas de risco são também alvo das preocupações da organização, que vem procurando manter contato com as autoridades públicas apresentando trabalhos e sugerindo soluções”, enumera o presidente Roberto Penna Chaves.

PETRÓPOLIS CONVENTION & VISITORS BUREAU
     O desmatamento, a interrupção constante no fornecimento de energia elétrica nas localidades que se afastam das vias principais, telefonia móvel e banda larga indisponível em vários locais e a necessidade de um grande centro de convenções são hoje, de acordo com o PCVB, os maiores desafios dos distritos. O órgão indica como ações prioritárias: investir em educação ambiental, aplicar imediatamente as leis de meio ambiente e construção civil em vigor, buscar soluções rápidas para o trânsito e para o lixo e mostrar à população que ela é parte fundamental deste processo.
     “Temos como principal finalidade divulgar as empresas do setor turístico e apoiar eventos que tragam recursos para a cidade. A entidade trabalha atualmente também na renovação da sinalização de estabelecimentos ligados ao turismo no município, em mudanças no Petrópolis Gourmet, em um grande evento de fotografia ainda em fase de formatação, no corredor do turismo e em feiras e encontros comerciais, além de fantour e press trip, pois precisamos gritar ao mundo que estamos bem e, melhores do que nunca, recebendo a todos com fidalguia”, afirma Bruno Wanderley.
     Para o Corredor do Turismo, o PCVB desenvolve um piloto em Araras para o projeto Beleza Pura, a ser aplicado nos 2 km iniciais da Estrada Bernardo Coutinho. “Partimos do princípio de que beleza é fundamental para quem vive e para quem visita esta região. Queremos mudar o visual e o funcionamento daquilo que não vem correspondendo às expectativas; o que for feito em Araras servirá de base para outros lugares do município”, revela Wanderley. “O investimento no turismo gera uma melhor qualidade de vida imediata para quem mora aqui; moradores felizes resultam em turismo de qualidade”, conclui.

ABRASEL SERRANA
     Para a unidade Serrana da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, é necessário que se entenda que hoje Petrópolis é mais do que o Centro Histórico. “A importância do Centro Histórico para o município e para o país é inegável, Petrópolis é a única cidade imperial das Américas, mas temos que analisar o desenvolvimento dos distritos no que se refere ao turismo. São este locais, principalmente Itaipava, que nos últimos anos vêm impulsionando o turismo no município; a cada ano surgem novos condomínios, restaurantes, shoppings, lojas e novas pousadas, isso obviamente gera mais empregos e um aumento considerável na arrecadação de impostos que poderiam se transformar em investimentos em infraestrutura para recebermos turistas - e ai incluímos não só o visitante, mas também o chamado ‘turista de segunda casa’ ou ‘veranista’ -, é preciso que nossa casa esteja arrumada, é necessário que o caminho esteja limpo e bem cuidado”, adverte Luiz Fernando Velloso.
     No que concerne à infraestrutura, a Abrasel aposta no projeto Papa Óleo, com o objetivo de que 100% dos restaurantes instalados na região façam a coleta de óleo culinário para reciclagem, evitando assim que seja derramado na rede de esgoto causando entupimentos ou vá parar nos rios. Para colocá-lo em prática, a associação pretende pedir o apoio da Águas do Imperador, que seria a empresa diretamente beneficiada por esse projeto, uma vez que o óleo é um dos principais fatores de entupimento nas tubulações de esgoto, causando um elevado custo de manutenção. “Os ganhos são enormes, os estabelecimentos participantes seriam também pontos de coleta para residências próximas a eles; se todos participarmos, em pouco tempo não haverá mais óleo saturado sendo despejado em nossos rios”, considera Velloso.
     A Abrasel Nacional está presente nos 27 estados e em vários municípios. Além do Papa Óleo, vários outros projetos são implantados pela entidade, entre eles o Caminhos do Sabor, que, com o apoio do Ministério do Turismo, visa a qualificar e certificar as empresas na aplicação das novas normas para o setor, como por exemplo, em segurança alimentar. Em Petrópolis, 20 empresas já foram certificadas por este programa. “Os projetos são muitos, mas é preciso contar com a participação efetiva das empresas do setor”, afirma o presidente da associação.


Voltar Próxima matéria


Estações de Itaipava © Todos os direitos reservados