Da Rua D. Januária (atual Marechal Deodoro), esta foto de Klumb em1874 mostra no lado direito, em primeiro plano, a sede da Superintendência da Imperial Fazenda de Petrópolis, e a a residência da baronesa do Bonfim (terceira casa na sequência). - Museu Imperial/IBRAM/MinC

Studio da Mata
O registro do Armazém dos Víveres, em foto de 1874, também na Rua D. Januária, é um exemplo de obras de Klumb com foco no cotidiano de Petrópolis. - Museu Imperial/IBRAM/MinC

Auto retrato de Klumb, em foto extraída do livro Rio de Janeiro 1840 a 1900 - Uma crônica fotográfica, de George Ermakoff

Estrada do Taquaril (1861). - Museu Imperial/IBRAM/MinC

Estação de Pedro do Rio (1861). - Museu Imperial/IBRAM/MinC

Estação da Posse (1861). - Museu Imperial/IBRAM/MinC

Retrato de d. Pedro II, imperador do Brasil (cerca de 1865). - Arquivo Grão Pará




O Hotel Bragança e o Hotel dos Estrangeiros, ambos localizados na atual Rua do Imperador, já evidenciavam a vocação turística da cidade no ano de 1874. - Museu Imperial/IBRAM/MinC

George Leuzinger em foto de Insley Pacheco, extraída do livro Rio de Janeiro 1840 a 1900 - Uma crônica fotográfica, de George Ermakoff

Vista da antiga Praça da Confluência, da casa do Barão de Mauá e da Rua da Westfália, hoje Av. Barão do Rio Branco (cerca de 1865). – Museu Imperial/IBRAM/MinC

Palácio Imperial e trecho da Rua do Imperador (cerca de 1865). – Museu Imperial/IBRAM/MinC

Trecho do Rio Piabanha (cerca de 1865). - Museu Imperial/IBRAM/MinC

Trecho da Rua do Mordomo (atual Paulo Barbosa); na esquina, o hotel inglês; ao fundo, o palácio imperial (cerca de 1865). - Museu Imperial/IBRAM/MinC

Alto da Serra (cerca de 1865). - Museu Imperial/IBRAM/MinC

Peter Hees (1880), de autor não identificado, em reprodução fotográfica de Izsokovitz Arpad. - Coleção particular de Henrique Zander Armbrust, descendente da família Hees


A foto da família imperial na varanda da casa da Princesa Isabel, feita em maio de 1889, é de autoria de Otto Hees, que herdou do pai os clientes ilustres. - Arquivo Grão Pará

Residência de Philip Peter Hees, na década de 1860. - Museu Imperial/IBRAM/MinC

Autoria não identificada, a foto de 1890 mostra a residência de Hees, com o ateliê fotográfico ao lado, no Largo d. Afonso. - Museu Imperial/IBRAM/MinC

Pedro II, Imperador do Brasil (cerca de 1875). - Arquivo Grão Pará

Bebedores de cerveja em Petrópolis (século XIX). - Museu Imperial/IBRAM/MinC

Rua do Mordomo, atual Paulo Barbosa. Ao fundo, o Palácio Imperial; à direi- ta, em construção, a Casa dos Semanários, hoje palácio Grão Pará. Litogravura de Eugène Cicéri a partir de fotografia de Frond (1859). - Museu Imperial/IBRAM/MinC

Cascata do Itamarati - Litogravura de Eugène Cicéri a partir de fotografia de Frond (1859). - Museu Imperial/IBRAM/MinC


A litogravura de S. A. Sisson feita a partir da fotografia de Frond mostra as Princesas D. Isabel e D. Leopoldina (1859). - Museu Imperial/IBRAM/MinC

Vista do bairro da Presidência. Litogravura de Tirpenne a partir de fotografia de Frond (1859). - Museu Imperial/IBRAM/MinC

Fotos: Henrique Magro


Capa

Retratos do século XIX


Imagens de Petrópolis registradas por pioneiros da fotografia no Brasil

     Com sua paisagem e arquitetura privilegiadas, a Cidade Imperial sempre foi fonte de inspiração para fotógrafos, que captaram, pelos mais diversos ângulos, não apenas suas belezas naturais, mas também o estilo de vida de seus habitantes e daqueles que, desde a fundação da cidade, elegeram Petrópolis como o lugar ideal para as temporadas de férias.
     A família imperial, por exemplo, foi clicada aqui nas mais diversas situações - embora, em todos os momentos, com toda a pompa e circunstância que o título exigia - por diferentes artistas pioneiros da fotografia no Brasil, atividade introduzida no país, primeiramente no Rio de Janeiro, em 1840. Mas os registros da cidade não mostram somente a presença da realeza. Alguns dos mais importantes fotógrafos com atuação em Petrópolis no século XIX procuraram mostrar nuances tão diferentes do lugar como as paisagens, as ruas do centro, o comércio, personagens anônimos em situações cotidianas, entre outras.
     Muitos artistas que ajudaram a introduzir a atividade fotográfica no Brasil passaram por aqui e, com seu olhar especial, ajudaram a difundir essas belas imagens pelo mundo. Para contar um pouco da história de alguns deles, tivemos o auxílio luxuoso da historiadora Maria de Fátima Moraes Argon. Com o trabalho A Fotografia em Petrópolis: 1851 a 1960, desenvolvido a partir de bolsa concedida pelo instituto VITAE — Apoio à Arte, à Cultura e à Promoção Social, a também pesquisadora e arquivista traçou um panorama da fotografia na cidade de Petrópolis nos séculos XIX e XX.
     A pesquisa privilegiou informações sobre a fotografia e os profissionais que atuaram em Petrópolis neste período, revelando um grande número de dados novos – assim como de imagens igualmente inéditas - acerca do desenvolvimento da fotografia na cidade serrana fluminense. O estudo também reúne informações importantes para a história da dessa atividade no Brasil do período oitocentista e apresenta fatos curiosos e inéditos do século XIX como, por exemplo, Petrópolis ter sediado a primeira fábrica de equipamentos fotográficos na América do Sul.
     O trabalho de Fátima estabelece a família imperial e as próprias características da cidade como um elo fundamental para o desenvolvimento da atividade em Petrópolis. “Quando o imperador passava temporadas aqui, vinham também os nobres e aqueles dotados de status político e poder aquisitivo, que podiam pagar pelo então dispendioso serviço de fotografia - o que motivava a presença de fotógrafos na cidade. Além disso, a beleza local contribuía para transformar o lugar em cenário ideal para os retratos, que, com muita freqüência, eram levados para o exterior como prova do refinamento do retratado. Já naquela época, ter uma residência em Petrópolis era sinônimo de sofisticação”, conta.
     Para o presente ensaio, a historiadora, que agora busca patrocínio para a publicação de um livro com o resultado de seu trabalho, nos forneceu dados que reuniu acerca dos artistas Revert Henrique Klumb, George Leuzinger, Philip Peter Hees e Jean Victor Frond. Vamos a eles.

KLUMB
     O francês Revert Henrique Klumb, fotógrafo de Suas Majestades Imperiais e de Suas Altezas Imperiais e da Academia das Belas Artes, foi uma das figuras de destaque na fotografia oitocentista e se estabeleceu em Petrópolis em 1865. Sua produção sobre a cidade, realizada no período compreendido entre 1862 e 1878, é grande. Além de retratos da família imperial, o artista registrava imagens de personagens ilustres que vinham veranear aqui e também e dos moradores locais. Em 23 de julho de 1861, documentou a inauguração da primeira estrada de rodagem macadamizada do país, a União e Indústria, e durante um período chegou a ser professor de fotografia das princesas Isabel e Leopoldina.
     Klumb ficou também conhecido pelo registro de paisagens, plantas, aves e naturezas-mortas, temas pouco comuns na fotografia oitocentista, e costumava organizar exposições de seus trabalhos. Em 1872 publicou a obra Doze Horas em Diligência. Guia do Viajante de Petrópolis a Juiz de Fora, um dos primeiros livros de fotografia editados no Brasil, com textos e fotos de sua autoria. Embora sua passagem pelo Brasil tenha registros em vários documentos da época, pouco se sabe sobre os períodos que antecederam sua chegada e tampouco sobre o fim de sua vida; mesmo as datas de seu nascimento e morte não são estabelecidas com precisão.

LEUZINGER
     George Leuzinger (1813-1892), nascido no Cantão de Glaris (Suíça), foi o primeiro fotógrafo radicado no Brasil que recebeu uma premiação internacional, na Exposição Universal de Paris, em 1867, e um dos primeiros a comercializar vistas e paisagens fotográficas do país para o exterior. Dele são conhecidos alguns álbuns com vistas, além das captadas em Petrópolis, das cidades do Rio de Janeiro, Niterói e Teresópolis, datadas das décadas de 1860 e 1870.
     O artista, que também teve d. Pedro II entre seus clientes, se estabeleceu no Rio em 1832. Além de atuar como fotógrafo, adquiriu, em 1840, uma papelaria que viria a se transformar na Casa Leuzinger para funcionar como oficina de gravura, tipografia e litografia, e onde, a partir da metade da década de 1860, instalou um ateliê fotográfico. O estabelecimento teria destaque também como centro de divulgação de um repertório de paisagens do país, em gravura e fotografia, e como casa editorial, que publica, entre outros, o Catálogo da Exposição de História do Brasil, realizada na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, entre 1881 e 1882.

HEES
     Philip Peter Hees (1841-1880) chegou a Petrópolis em 1845, ano da chegada dos primeiros colonos alemães na cidade, acompanhado dos pais Christian Sebastian Hees e Anne Catharine Michel e de sua irmã Marie Catharine. Sua especialidade era o retrato e a sua clientela era formada de por políticos, diplomatas, comerciantes, membros da nobreza e da família imperial, mas o artista documentou praticamente todas as ruas da cidade de Petrópolis no período compreendido entre 1865 e 1875. Na Coleção Thereza Christina Maria, da Fundação Biblioteca Nacional, há dois álbuns intitulados Vistas de Petrópolis, cada um com 15 imagens.
     Em 1861, casou-se com Marie Frederike Glassow, com quem teve 11 filhos. Dois deles - Otto Frederico Guilherme Carlos (1870-1941) e Numa Augusto (1877-1961) - assumiram o ateliê do pai em 1889. Otto Hees atuou na cidade por trinta anos e manteve a família imperial entre seus clientes. Sua fotografia mais famosa é a da família na varanda da residência da princesa Isabel, em Petrópolis, conhecida como o último retrato tirado antes do exílio.

FROND
     O francês Jean Victor Frond (1821-1881) esteve em Petrópolis nos anos de 1858 e 1859, ocasião em que procurava subscritores para a sua obra Brésil Pittoresque (Brazil Pittoresco), com texto de Charles Ribeyrolles, mas aproveitou para tirar retratos durante a sua permanência na cidade. Da produção de Frond sobre a cidade de Petrópolis só se conhecem as versões litográficas (impressões de gravuras em pedra) dos originais fotográficos publicados no livro.
     Entre 1858 e 1862 manteve um estúdio no Rio de Janeiro e foi o primeiro fotógrafo aqui instalado a conceber um projeto de longo fôlego para documentar as terras brasileiras em toda a sua extensão. Embora não tivesse conseguido realizar completamente o projeto, tornou-se, em 1859, o autor do primeiro livro de fotografias realizado na América Latina. A obra Brazil Pittoresco apresentou pela primeira vez um registro fotográfico do trabalho escravo e da vida rural no país.


Fontes: A fotografia em Petrópolis: 1851 a 1960 (Maria de Fátima Moraes Argon/2002) Itaú Cultural Enciclopédia Artes Visuais
Contato com Fátima Argon: argon@quatra.com.br
Agradecimentos: Vera Leuzinger Carvalho


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