foto: João Quental
Mamífero de hábitos noturnos, a jaguatirica (Leopardus pardalis) é muito ágil, sobe em árvores e também sabe nadar. É o terceiro maior felídeo do Brasil, só perdendo para a onça-pintada e para o puma. É um animal dócil e quase sempre solitário; sua área de uso pode variar de 100 a 1200 hectares e este espaço geralmente é ocupado por um único indivíduo. Estritamente carnívora, gosta de médios e pequenos mamíferos e também pássaros, cobras, lagartos, sapos e animais invertebrados que geralmente caça no chão. Ocupa o topo de muitas cadeias alimentares. Apesar de ainda ser encontrada com relativa frequência, é espécie ameaçada de extinção

foto: João Quental
Considerado pelo Clube de Observadores de Aves do Estado do Rio de Janeiro como a ave-símbolo do estado, o tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus), além de frutos, alimenta-se também de insetos (inclusive cupins, no cupinzeiro e em revoada), aranhas e ainda de ovos e filhotes de outras aves

foto: Fábio Rocha / Cond. Quinta do Lago
A maritaca-verde (Pionus maximiliani) é uma ave muito sociável e inteligente. Emite vocalização muito similar a do papagaio-verdadeiro. Não está classificada em nenhuma categoria de ameaça, embora o desmatamento e o comércio ilegal afetem suas populações

foto: João Quental
Com o nome derivado do tupi “akwa’ti”, que significa “nariz pontudo”, o quati (Nasua nasua) é encontrado na floresta atlântica, principalmente em regiões de mata fechada com árvores altas. É um animal ligeiro e hábil e se locomove pelas árvores tão bem quanto no solo, usando a cauda como um membro de equilíbrio. Sua alimentação inclui pássaros, rãs, ratos e outros pequenos animais, além de frutos encontrados na floresta. Com o focinho, bastante móvel, revolve folhas, pedras e tocos no chão para achar os alimentos

foto: João Quental
O jacupemba (Penelope superciliaris), mede cerca de 55 cm de comprimento e pesa aproximadamente 850 g. A ave – que vive em pequenos grupos familiares de 3 a 5 indivíduos e se alimenta de frutos, flores, folhas e brotos – é também conhecida como jacu, que em tupi, significa “o que come grãos”

foto: Mariana Ferraz
Quase uma exce­ção entre os mamíferos da Mata Atlântica, o sere­lepe (Scirius ingrami) tem há­bitos diurnos. Pertence a uma espécie arborícola, mas desce ao chão para buscar alimento ou enterrar sementes. Costuma ser muito arisco e tem grande habilidade para se locomover entre as árvores. Sua presença é notada pela observação, no solo, dos coquinhos roídos

fotos: Henrique Magro
O lagarto-teiú (Tupinambis merianae) pode atingir até 1,4 m de comprimento do focinho até a extremidade da cauda quando adulto e é um animal onívoro de hábitos diurnos. Para se proteger de possíveis predadores (um cachorro, por exemplo) ele costuma inflar o corpo e dar rabadas

foto: João Quental
O macaco-prego (Cebus apella) é extremamente ágil. Os indivíduos vivem no topo das árvores, onde passam a maior parte do tempo. Sua alimentação é variada, composta principalmente por frutas, sementes, ovos, pequenos vertebrados, aranhas e uma grande variedade de insetos. É um animal inteligente e hábil: para abrir algumas frutas de casca dura, utiliza pedras e outras ferramentas. Devido à destruição de seu habitat natural, assim como ao tráfico, o macaco-prego é considerado um animal ameaçado de extinção

foto: João Quental
Cuíca é o nome comum para diversas espécies de marsupial encontrados nas regiões de Mata Atlântica do Brasil. Estes animais vivem principalmente em árvores e alimentam-se basicamente de insetos. Sua observação é bastante rara e não há ainda descrição completa sobre esta espécie, mas alguns indivíduos vêm sendo avistados em Petrópolis recentemente

foto: João Quental
O nome preguiça (Bradypus variegatus) se origina do metabolismo muito lento do seu organismo, responsável pelos seus movimentos extremamente vagarosos. É um animal de pelos longos, que vive na copa das árvores de florestas tropicais. Aqui, na Mata Atlântica, se alimenta dos frutos da embaúba, conhecida por isto como árvore-da-preguiça

foto: Mariana Ferraz
Animal herbívoro de hábitos diurnos e crepusculares, a capivara (Hydrochaeris hydrochaeris) é facilmente encontrada nas margens dos rios, infelizmente muitos poluídos – assim como o desmatamento e a caça indiscriminada - vem afetando bastante a espécie e provocando o desaparecimento deste animal – o maior roedor do mundo, medindo até 1,30 m de comprimento e 50 a 60 cm de altura – em muitos lugares




Especial

Animais silvestres

Interferência humana põe em risco espécimes da Mata Atlântica

     Para quem mora aqui, ou é frequentador assíduo da região serrana, a experiência de travar contato estreito com um animal silvestre é algo praticamente corriqueiro. Embora o momento pos­sa ser muito gratificante, algumas regras importantes devem ser observadas para que essa convivência, aparentemente muito saudável, não traga prejuízos a qualquer das partes envolvidas na aproximação.
     Enquanto para o homem o perigo se limita a possibilidade de mordidas, picadas e contágio de zoonoses – “doenças ou infecções que se transmitem, naturalmente, entre os animais vertebrados e o homem, ou vice-versa”, de acordo com descrição do médico veterinário Dr. Felipe Facklam – para os indivíduos que habitam nossa porção de Mata Atlântica, carente de preservação, o risco é bem maior. Populações inteiras podem ser dizimadas por um gesto simples como o de oferecer algum tipo de alimento a um desses bichinhos.
     O especialista em animais silvestres – há dois anos estabelecido em Petrópolis, em uma clínica no Morin – cita como exemplo o vírus de um tipo de herpes comum no ser humano e que para outros primatas é letal. “Se a pessoa for portadora deste vírus, que, muitas vezes, não apresenta qualquer tipo de sintoma, e oferecer o alimento que manipulou a um mico pode contaminá-lo e causar não apenas a sua morte, mas também a de todos outros indivíduos da espécie que estão em contato com ele. Ao contrair a doença, a estimativa é de que este animal morra em sete dias”, explica.
     Outra atitude aparentemente inócua, mas ex­tremamente prejudicial, são os tipos de alimentos que são oferecidos aos animais silvestres por leigos, que costumam usar biscoitos e outros pe­tiscos inadequados para atrair os bichos. “As pessoas acreditam estar praticando uma boa ação, quando, na verdade, podem estar causando danos muito graves. A maioria dos animais selvagens que chegam à clínica apresentam problemas nutricionais ”, salienta o médico veterinário.
     A falta de apoio para o desenvolvimento de pesquisas e campanhas de conscientização da população sobre a fauna da região e de como a interferência humana, por mais bem intencionada que seja, pode causar prejuízos a ela é apontada pelo Dr. Felipe como um dos principais fatores de diminuição e mesmo extinção de algumas espécies. “A desinformação é crucial na questão. Não existem estudos completos acerca da fauna de Petrópolis e nem incentivos para a realização destas importantes pesquisas. O que temos são estimativas das espécies locais, em função de relatórios sobre as espécies que habitam a Mata Atlântica”.
     Ele acrescenta que outro equívoco cometido com o intuito de contribuir com a saúde dos animais que vivem nas matas da região são as tentativas de salvamento de indivíduos acidentados ou daqueles que saem de seus ambientes – ameaçados por queimadas, falta de alimentos ou de abrigos naturais – e acabam perdidos nos centros urbanos. “Geralmente, as pessoas ficam penalizadas e resolvem levar estes animais para casa, sem se dar conta de que podem estressá-los ao ponto de baixar ainda mais sua imunidade e também de que este contato representa um grande risco de transmissão mútua das zoonoses”.
     Por isso, o que o médico veterinário recomenda para esses casos é o contato com equipes especializadas, como o Corpo de Bombeiros ou a Secretaria de Meio Ambiente, para fazer a remoção do animal e entregá-lo aos cuidados de um especialista. E adverte: o contato muito estreito com animais silvestres pode fazer mal à saúde; a sua e, principalmente, a deles.



Fontes:
Dr. Felipe Facklam | Veterinária Morin |
Av. General Marciano Magalhães, 226 – Morin
(24) 2245-7095 | 8817-5752 |
www.felipefacklam.com

Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade
www.ra-bugio.org.br

WikiAves – A Enciclopédia das Aves do Brasil
www.wikiaves.com.br

Agradecimentos: Mariana Ferraz (Pousada Paraíso)
João Quental (fotógrafo)
Arquivo do Condomínio Quinta do Lago


Voltar Próxima matéria


Estações de Itaipava © Todos os direitos reservados