Foto: divulgação Bohemia


Na primeira parte do roteiro, à esquerda, através de filmes de animação, cenas que mostram sumérios e outros povos antigos fabricando cerveja. À direita, o Túnel do Tempo, onde a história da cerveja é contada em painéis espalhados por extenso corredor

Mesopotâmia, Suméria e Egito são representados em painéis que descrevem os primórdios da bebida

Os “Santos Cervejeiros”, como São Venceslau, patrono da região da Bohemia (República Tcheca), são homenageados pela cervejaria; com um toque no monitor, mudam-se as “páginas” e as imagens que aparecem no vitral

Na “Linha do Tempo”, períodos marcantes na história da bebida

As tabernas, centros de grande consumo de cerveja na Idade Média, costumavam fixar escudos indicativos da procedência do produto em suas portas; nesta área, visitantes podem confeccionar digitalmente seus próprios brasões, escolhendo ícones, cores e nomes para tabernas personalizadas


A máquina a vapor representa o período da Revolução Industrial, também retratado no museu

Antiga linha de produção industrial da Bohemia Pilsen, que ostenta o segundo rótulo utilizado pela marca

Uma preocupação constante é a acessibilidade; rampas e corrimãos, além de elevadores, garantem a locomoção segura de idosos, cadeirantes ou portadores de lesões

Na “Praça Koblenz” (o termo alemão significa Confluência), uma homenagem à praça que foi o berço da criação da cidade, são exibidas peças em mosaico que representam um monge fabricando cerveja; Gambrinus, lendário rei de Flandres notabilizado pela qualidade da cerveja que produzia; e o hexagrama dos alquimistas, que representa seis elementos básicos no processo de preparo da bebida: água, germinação, sacarificação, ar (gás), fogo (calor) e fermentação


A “Sala do Mestre” exibe documentos e objetos que contam a história dos mestres-cervejeiros da Bohemia e da família Kremer, fundadora da marca

Na área dedicada aos ingredientes, o painel em movimento representa a observação, através de grandes lentes, das leveduras ou fermento cervejeiro

Na “Sala da Alquimia”, através das “janelas” abertas nas antigas tinas de cobre inteiramente reformadas, aprecia-se, em animação, a “etapa quente” do processo de produção nas telas instaladas em seu interior


Ao chegar ao espaço “Bohemia da Fonte”, os visitantes são brindados com o chope Bohemia, bebida servida exclusivamente nas dependências da fábrica




O museu privilegia a memória também através de peças antigas como as utilizadas para o envase e chopeira de bar confeccionada em madeira

Pausa para o recreio: o “Estúdio” é uma área de entretenimento, onde visitantes têm jogos à disposição e podem usar a tecnologia para confeccionar fotos com fundos especiais e enviar as lembrancinhas para endereços eletrônicos que cadastraram previamente na recepção

A degustação de linhas especiais é realizada na “Sala do Ritual”, onde o protocolo é seguido à risca: taças, temperatura e modo de servir a bebida são sempre adequados a cada tipo de cerveja

A atual linha de produção também faz parte do roteiro de visitação

Embora o acesso aos espaços não seja permitido, etapas como a filtração podem ser observadas por janelões de vidro

As tinas, internamente de aço inox e revestidas em cobre, hoje utilizadas na etapa de cozimento do mosto quase não diferem das de antigamente

O “Boteco Bohemia”, aberto ao público em geral, oferece pratos e petiscos e apenas ali é possível provar a Bohemia Pilsen produzida em Petrópolis

Fotos: Henrique Magro e
Marcello Bravo



Capa

Cervejaria Bohemia

A fantástica fábrica de ouro líquido

     Você pode nem ser um apreciador da bebida, mas não vai conseguir ficar imune às atrações reunidas na construção da Rua Alfredo Pachá, no Centro de Petrópolis, onde em 1853 começou a ser produzida a Bohemia. Já se for um fã confesso, ao percorrer o circuito proposto pelo memorial montado ali corre o risco de experimentar, quase com igual intensidade, as mesmas sensações do menino Charlie ao visitar os ambientes oníricos da fábrica de chocolates de Willie Wonka, ou seja: virar um pinto no lixo e apreciar tudo sem um pingo de moderação.
     Depois de um período de inatividade – a linha de produção foi interrompida em 1998 e retomada em 2012, com o prédio completamente reformado e embrulhado para presente –, a cervejaria hoje se encontra a pleno vapor e responde pela produção, de forma exclusiva, das linhas especiais da marca, além de abrigar o maior museu da América Latina dedicado à cerveja.
     Antes de completar seis meses de funcionamento, o memorial já registrava um número significativo de visitantes; entre os dias 5 de maio, quando abriu as portas para o público, e 26 de agosto, a conta fechava em 14.494 pessoas, o que corresponde uma média de mais de 2 mil por semana. Desde sua inauguração a variedade de atrações é grande, mas as novidades não param de ser introduzidas. No início do mês de agosto começou a funcionar também ali um simulador que transporta os visitantes – ou “aprendizes de cervejeiro”, como são tratados desde o instante em que pisam no interior da fábrica – por todas as etapas da produção da bebida como se fossem matérias primas do produto: em uma espécie de elevador, experimentam movimentos, sons e aromas que integram o processo fabril.
     Um restaurante com capacidade para 60 pessoas deverá entrar em funcionamento em novembro e ali vão acontecer regularmente oficinas com diferentes temas, inclusive “harmonização com cervejas”. Ao lado do restaurante, no segundo piso, um gramado está sendo preparado para o plantio de hortaliças e temperos que irão abastecer a cozinha. Por enquanto, já é possível apreciar alguns pratos e petiscos acompanhados por uma “geladinha” no bar inaugurado por ocasião da 23ª edição Bauernfest e que, devido à grande procura por locais e turistas, já teve de ser ampliado.
     Também já estão em fase de obras, na parte do complexo que data do século XIX, espaços que irão abrigar uma sala de exposições e uma cave para o envelhecimento de cerveja em barris de carvalho. As paredes originais da área onde irá funcionar a cave, com uma espessura impressionante, demonstram que os primeiros mestres-cervejeiros da Bohemia já se preocupavam com aspectos importantes para o armazenamento do produto. Espaços entre as camadas de tijolos – que datam de diferentes épocas – garantem o controle da temperatura do ambiente durante todo o ano.
     E as boas novas não param por aí. “Vamos incluir ainda cinco novas áreas para disponibilizar cada vez mais informações ao público. Neste primeiro momento, optamos por oferecer dados mais básicos; mas, à medida que o consumidor começar a mergulhar mais fundo neste universo, vamos aumentar e aprofundar as informações”, informa Arno Krug Junior, gerente da cervejaria que, muito gentilmente, acompanhou nossa equipe durante todo o tour.
     Outra grande novidade é o lançamento de mais um produto para integrar a família composta por Bohemia Pilsen, Escura, Weiss e Confraria. E aqui cabe uma curiosidade: apenas nas dependências da cervejaria é possível degustar o primeiro tipo, o mais comum entre todos da marca, produzido em Petrópolis; no resto da cidade e de todo o país o consumo é da Pilsen produzida em outras unidades espalhadas pelo Brasil. “Estamos testando diferentes períodos de maturação para lançar mais uma cerveja especial”, adiantou o gerente, sem oferecer maiores detalhes sobre a novidade.

O CIRCUITO
     As sensações são a principal atração do museu. Em todo o percurso é possível experimentá-las das mais diversas formas: através da ambientação, que ilustra a história da cerveja no mundo e ainda da evolução da Bohemia no Brasil; da tecnologia, em diferentes jogos e brincadeiras interativos nos computadores presentes em grande parte do circuito; e da degustação de alguns ingredientes que entram na fórmula da Bohemia além, é claro, do “ouro líquido” (epíteto conferido localmente à bebida) ali produzido.
     “Subvertemos a ordem em relação a outros museus: a ideia é que aqui o público toque em tudo. Queremos que o visitante não só toque, mas mexa, experimente, sinta, brinque”, afirma Krug. De acordo com ele, a ideia de montar o memorial nasceu do objetivo primordial de trazer o consumidor brasileiro para o mundo cervejeiro. A flecha acertou o alvo em cheio; ou existe maneira melhor de se conhecer um universo que não seja pelo seu lado lúdico?
     Ao entrar no museu, os aprendizes recebem, imediatamente, uma pulseira eletrônica com código de barras para sua identificação digital. É por meio dela que podem enviar para seus endereços de e-mail ou redes sociais os souvenires que vão amealhando durante a visita, como brasões de tabernas personalizadas e fotos ou cartões postais montados sobre diferentes fundos que privilegiam o tema cerveja. Pura alegria.

A HISTÓRIA
     O percurso pelo complexo de mais de 7 mil m2 e com 20 ambientes, em que os visitantes podem permanecer pelo tempo que quiserem dedicando maior atenção a aspectos de sua preferência, se inicia com a história da cerveja e sua influência sobre diferentes civilizações ao redor do mundo. Em um extenso corredor, é possível conhecer os primórdios da produção da bebida – passando por ambientações que remetem aos povos sumérios, egípcios e mesopotâmios – e ainda curiosidades sobre figuras religiosas e divindades relacionadas a ela.
     Reúnem-se ainda nesta primeira etapa ambientes que retratam vários períodos: da Idade Média aos dias atuais, passando pela revolução industrial e outros momentos importantes da história de humanidade. Há também um recinto dedicado a outras marcas importantes e mundialmente reconhecidas, além, é claro, daquele que apresenta a evolução da Bohemia, desde seu lançamento pelo colono alemão Henrique Kremer.
     Ao fim desta etapa chega-se à “Praça Koblenz”, ornamentada por três grandes peças em mosaico (com cerca de 2 metros de altura e peso de 1 tonelada) confeccionadas no século XIX, na Alemanha, e que hoje passam por um processo de restauração. A partir dali inicia-se a história da Bohemia e sua interação com a cidade de Petrópolis. A “Sala do Mestre” ostenta objetos e documentos que pertenceram aos mestres-cervejeiros que passaram pela fábrica e ainda peças referentes à marca doadas pela população da cidade. O ambiente guarda ainda a história da família Kremer e homenagens a seus integrantes, especialmente à Caroline, neta do fundador retratada nos rótulos, proprietária da cervejaria a partir de 1898 e responsável por um período de revitalização da marca.

A ALQUIMIA
     Ali, através de áudio e projeções em uma tela em formato de quadro negro, começa também a preparação dos aprendizes para a apreciação da alquimia realizada na fábrica, que vai se revelando na etapa dedicada aos ingredientes. Enquanto se observam painéis descritivos (muitos deles interativos) dos elementos que compõem a cerveja e dos processos a que são submetidos antes que se transformem em “ouro líquido”, é possível experimentar os maltes (de cevada, trigo e aveia) que compõem a bebida. Com o conhecimento acerca dos elementos, parte-se para mais uma volta ao passado; desta vez, em visita a espaços que guardam equipamentos antigos da cervejaria, como as imponentes tinas (ou panelas) de cobre, e peças curiosas como a chopeira de bar de 1910.
     A esta altura, começa a bater aquela vontade de provar o conteúdo dos tão preciosos recipientes. Felizmente, depois de uma breve explanação sobre os processos quente e frio da fabricação, chega-se ao espaço “Bohemia da Fonte”, onde o aprendiz vivencia um “momento mestre-cervejeiro” com a degustação do chope Bohemia. Outra prerrogativa dos que visitam a fábrica, uma vez que este produto é reservado ao consumo exclusivo em suas dependências. A experiência gustativa prossegue em um ambiente reservado ao ritual, onde – com a observação de todo o protocolo necessário: taça adequada, temperatura ideal e forma de servir apropriada – são oferecidas doses de uma das variantes da marca.
     O circuito continua com uma parada no “Estúdio Bohemia”, de onde se pode enviar para o e-mail, ou para as redes sociais cadastradas no início do roteiro, as lembrancinhas confeccionadas durante o tour e ainda testar habilidades em três diferentes jogos, e é encerrado pela observação, através de janelões de vidro, das linhas de produção da fábrica em atividade. Bem, encerrado oficialmente; porque, fechando o percurso, está estrategicamente localizado o “Boteco Bohemia”, único local que se deve aproveitar com moderação.

Cervejaria Bohemia
Rua Alfredo Pachá, 166 – Quarteirão Nassau – Centro
cervejaria@bohemia.com.br
http://www.bohemia.com.br


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