Na sala da locomotiva, os teares mostram o resultado dos trabalhos dos participantes da oficina realizada por Vera Patury pelo período de uma semana no Museu Imperial

Vera Patury

A Instalação Floresta 2 (3,00m x 3,20m x 3,00m), também integrante da mostra no Museu, foi complementada com a inclusão de trabalhos executados por crianças em oficinas ministradas por Vera

Assim como a produção em tear, as telas de Vera também privilegiam o tema “natureza, preservação e sustentabilidade”

Amazônia (0,60m x 1,00m): tela inspirada em cena do filme Solaris (1972), do cineasta russo Andrei Tarkovski, que apresenta uma visão espacial da floresta amazônica

foto: José Franceschi (reprodução)

A instalação Mata Atlântica (3,00m x 4,00m) fez parte de uma exposição de Vera no Japão em 1992

A Florestinha (0,35m x 0,25m) é uma das obras classificadas pela artista como “relíquias”, segundo ela, alçadas à condição de preciosidades tanto pela ameaça que sofrem as florestas hoje quanto pelas molduras e outros acessórios garimpados em antiquários

Tati Guerra

Em Carrossel (1,20m x 0,70m) a artista começou a experimentação da sobreposição de desenhos e materiais em fundos de tecido para criar “efeitos especiais”, como a tridimensionalidade

Produzida este ano, a obra sem título com dimensões de 0.50m x 0,36m, foi realizada durante o curso em Veneza, a partir da técnica que utiliza o Smalti: uma espécie de pasta de vidro colorida artesanalmente e que permite grande variação de cores, texturas e volumes às peças

Telefone (0,96m x 0,76m) tem o vidro como base e explora os efeitos causados pela iluminação; a intenção da artista foi experimentar a transparência, o que resultou em uma obra de impressionante delicadeza

Dálias (0,82mX 1,22m), de 2005, em fundo de compensado, foi o primeiro mosaico de Tati utilizando azulejo estampado e cacos de pratos

A obra Risoto (0,90m x 0,90m) consiste na sobreposição de azulejos e vidro sobre tecido

O trabalho mais recente, Eu Não Queria Ser Dourado (0,87m x 0,37m), tem fundo de tecido e camadas de azulejos e vidro, com sobreposição de molduras que enquadram espelhos quebrados

O vaso de 0,65m de altura com mosaico aplicado em cerâmica e é a única peça da artista a sair do padrão de painel. “Quero exercitar isso um pouco mais e até experimentar trabalhar com esculturas em mosaico”, diz Tati

Fotos: Henrique Magro


Especial

Novas percepções

Artistas formam consciências através do tear e do mosaico

     A preocupação em transmitir conceitos intimamente ligados à arte – inquietação, libertação e responsabilidade quanto a questões sociais, políticas e ambientais, só para citar alguns – faz com que duas artistas plásticas radicadas em Itaipava extrapolem os limites de seus ateliês, levando para diferentes públicos as ferramentas necessárias para a formação de outras visões do mundo. Vera Patury e Tati Guerra se dedicam a formas distintas de criar o belo: a primeira, ao urdir tramas de sisal em teares para produzir grandes instalações; a segunda, ao formar imagens a partir da junção de pequenas peças sobre diferentes superfícies. Além da formação acadêmica (ambas são arquitetas), elas têm em comum este afortunado tipo de desassossego. A beleza de suas obras dispensa comentários, mas as iniciativas merecem todas as observações.


     As oficinas ministradas pela baiana que se mudou para o Rio de Janeiro ainda na infância são realizadas em diferentes partes do país e têm como tema central a importância da preservação das florestas e matas brasileiras. Uma das mais recentes, e que culminou na exposição Em torno da floresta, reuniu 300 crianças no Museu Imperial, por ocasião da Rio +20, em junho deste ano. Mas, pelas suas contas, mais de 50 mil crianças e jovens do Brasil e de outros países – a primeira oficina aconteceu na Itália, durante uma exposição com tema ligado à ecologia – já passaram pela experiência.
     O trabalho consiste em reunir os pequenos aprendizes para tecer em sisal painéis que posteriormente são integrados às instalações da artista, que, invariavelmente, representam a natureza. Antes de colocar as mãozinhas à obra, entretanto, eles assistem a palestras e vídeos sobre a importância da preservação ambiental. “A proposta é que, através das peças que produzem, as crianças participem de uma obra de reflorestamento”, explica a artista, que já rodou meio mundo com suas obras – sempre com exposições individuais – e coleciona vários prêmios por elas.

Vera Patury
(24) 2222-2385 / 9911-7179
www.verapatury.com.br
patury1@terra.com.br



     Uma oficina promovida em 2001 pela Universidade Federal de Juiz de Fora, onde se formou em arquitetura e urbanismo, foi a porta de entrada da petropolitana no universo da arte musiva. De lá para cá, não parou mais de produzir peças em mosaico. Mesmo sem muito tempo para se dedicar à arte, já que mantém um escritório de arquitetura em Itaipava, Tati já participou de três edições da mostra carioca Rio Mosaico, que reúne mosaicistas de todo o Brasil, e ainda aproveita suas viagens para se aprimorar. “O mosaico está tão ligado à minha vida que me fez passar um mês na Itália, onde visitei vários centros de referência e também fiz um curso, em Veneza, em que aprendi a trabalhar com materiais diferentes”, declara.
     Agora, começa a desenvolver, em parceria com uma amiga, um trabalho social voltado para mulheres de comunidades carentes da região, que sofrem com problemas como o desemprego e a violência doméstica. O projeto está ainda em fase embrionária, mas a ideia é formar turmas para ministrar oficinas e cursos no Centro de Cidadania, em Itaipava. “Queremos levar essa forma de expressão artística para a vida destas pessoas, ajudando em sua autoestima e proporcionando uma válvula de escape para a dura rotina que levam”, diz.

Tati Guerra
(24) 2222-3460 / 8112-7752
www.alvarogoulartatelier.kit.net tati@oficinamobar.com.br


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